ENTRE O TECNICISMO E A HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA AO PARTO
Rossano Sartori Dal Molin
Tanara Leonardeli Michielin
Márcia Simoni Fernandes
A partir do final do século XX, crescem no mundo todo movimentos e tentativas de oferecer o cuidado à saúde mais científico e seguro. Em relação a assistência obstétrica não foi diferente. Juntamente com o avanço tecnológico veio a medicalização do parto, tornando-se evidente em nossa realidade algumas distorções no que concerne a excelência na assistência obstétrica. As condutas adotadas não são exatamente aquelas recomendadas, existindo ainda uma enorme cratera entre a intenção e a ação. As propostas de humanização tentam reverter essa situação, no entanto, ainda não adquiriram a credibilidade necessária para a sua total adesão e, além disso, os profissionais permanecem extremamente atrelados àqueles procedimentos retrógrados e na grande parte das vezes desnecessários. O objetivo principal deste relato de experiência é estudar e analisar as possibilidades e limites na implantação das propostas sobre a assistência humanizada ao parto, tomando como referência às recomendações propostas pela Organização Mundial de Saúde (1996) e o Ministério da Saúde (BR). Neste sentido, busca-se compreender como e em que circunstâncias os fatores chamados “extratécnicos” como os culturais, institucionais, corporativos, financeiros e outros, influenciam na adoção da proposta de humanização, e quem se beneficia com a rotinização e/ou com a humanização da assistência perinatal.
Baseado no relato de experiência do autor e confronto com dados literários e pesquisa documental, o presente estudo baseia-se no confronto do método de assistência ao parto adotado por duas instituições de saúde brasileiras, a primeira, extremamente tecnocrática, onde a prestação do cuidado obstétrico se resume em uma seqüência, um ritual de procedimentos técnicos, onde pouco se percebe a atuação do profissional enfermeiro. A segunda diverge da situação inicial, aponta as inúmeras vantagens da medicina holística e encoraja a adoção das propostas de humanização, visto que nesta realidade os partos são conduzidos por enfermeiros obstetras e além disso, são respeitados os momentos e as etapas do processo de parir/nascer.
Como conclusão, ao final destas experiências de vida, percebe-se que ainda se tem um longo caminho a percorrer. Pecamos na formação acadêmica, possuímos uma cultura dominadora, o profissional se mostra “dono do processo” e as mulheres ocupam uma posição extremamente passiva no contexto. E quem ganha ou perde com isto? Com certeza as protagonistas desta história, ou seja, as parturientes. O que se percebe na vivência das duas situações é que na instituição onde a assistência ao parto era mais humanizada, as parturientes se sentiam participantes do cuidado, felizes, com apoio de seus familiares e da equipe, além do benefício destas práticas e condutas para o recém nascido, que se apresenta mais vigoroso e estabelece contato com sua mãe ainda em sala de parto. No entanto precisamos ainda conscientizar nossos profissionais em relação a eficiência destas condutas e jamais perder nosso foco de atenção: a mulher.
Correspondência para: Rossano Sartori Dal Molin, e-mail: rossano.sartori@bol.com.br
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