Goiânia, 07 de novembro de 2005.

HOSPITALIZAÇÃO INFANTIL: SOFRIMENTO PSÍQUICO DA FAMÍLIA

Karina Milanesi

Neusa Collet

Beatriz Rosana Gonçalves de Oliveira

Cláudia Silveira Viera

Diane Militão Yamamoto

O hospital é um ambiente onde se estabelecem várias relações de características peculiares, que podem resultar em sentimentos, atitudes e comportamentos diferentes dependendo da maneira como cada um enfrenta as situações do cotidiano. A organização do trabalho no hospital estabelece normas e rotinas específicas e determina as ações da equipe de saúde aos usuários desse serviço. Nesse contexto, percebemos que a forma de organização do trabalho pode desencadear sofrimento psíquico nos familiares das crianças hospitalizadas. Assim, aprofundar e discutir a presença do sofrimento psíquico no ambiente hospitalar, seus determinantes e manifestações, é de crucial importância para realizar mudanças viáveis na organização do trabalho que amenizem esse processo. Pesquisa de natureza qualitativa cujo pbjetivo foi apreender a percepção da família das crianças hospitalizadas acerca do sofrimento psíquico, identificar situações da assistência desencadeadoras de estresse, e estratégias defensivas utilizadas pela família. A coleta de dados foi realizada por meio da entrevista semi-estruturada com a família de crianças hospitalizadas em um Hospital Universitário no Oeste do Paraná. A seleção dos sujeitos da pesquisa foi realizada por meio de sorteio entre os pais/mães das crianças durante o período de realização da coleta de dados e que estavam no hospital há 5 (cinco) dias ou mais. As entrevistas foram gravadas e transcritas na íntegra. Para análise fizemos uma organização dos dados empíricos em determinada ordem, leituras repetidas dos textos, classificação e reagrupamento dos temas mais relevantes determinando as unidades de análise. Os resultados demonstram que a família está exposta a pressões geradoras de sofrimento psíquico, expressando-o em atitudes agressivas, sentimentos de culpa, preocupações, medo. O sofrimento é desencadeado tanto pela estrutura física quanto pela organização do trabalho. As estratégias defensivas são evitar falar da hospitalização, chorar, desabafar, afastar-se do local gerador do sofrimento. Percebe-se a necessidade de implantar novas condutas na organização do trabalho para construir uma prática assistencial que atenda às necessidades da criança e família.

Correspondência para: Diane Militão Yamamoto, e-mail: brosana@unioeste.br