A ENFERMAGEM OPERATIVA EM SITUAÇÃO DE GUERRA
Leila Milman Alcantara
Joséte Luzia Leite
A tese trata do significado da vivência de um grupo de”enfermeiros militares” de nível médio da Marinha do Brasil, que cuidaram em situações de guerra, em Angola e no Haiti, à luz do Interacionismo Simbólico. Os objetivos foram: Identificar atitudes, expressões, gestos e sentimentos verbalizados e/ou sinalizados por enfermeiros militares de nível médio inerentes ao cuidado prestado em cenários de guerra; Compreender o significado construído por enfermeiros militares de nível médio atinentes ao cuidado realizado em situações de guerra; e Construir um modelo teórico representativo do cuidado prestado por enfermeiros militares de nível médio em situações adversas (guerra / conflito). Estabelecemos como técnica de pesquisa, a entrevista semi-estruturada pautada num roteiro orientador. A sustentação metodológica seguiu a abordagem qualitativa, sob os moldes da Teoria Fundamentada nos Dados. Utilizamos o modelo paradigmático de Strauss e Corbin para o processo de análise dos dados e interconexão dos fenômenos que originaram a categoria latente e central da investigação: GERENCIANDO O CUIDADO DE ENFERMAGEM EM SITUAÇÕES DE GUERRA. Os resultados evidenciaram uma assistência de enfermagem diferenciada, ou seja, a execução do CUIDADO DE ENFERMAGEM OPERATIVO que funciona dentro de um ciclo completo cujo início é a aquisição de conhecimentos adequados, seu meio é a valorização da vida e seu fim é o reconhecimento da importância de sua atuação na guerra. Estes fatores apontam que o cuidado nasce com a própria vida sendo sua preservação a condição primordial da enfermagem na guerra. Portanto a sobrevivência é um palco perene de transformações tendo como ator principal a solidariedade no cuidar. Concluímos que existe uma necessidade real de prepararmos enfermeiros militares de nível médio e superior para a guerra e devido à complexidade do cuidar em todos os níveis dessa situação (na água, na terra e no ar) o gerenciamento desse processo de ensino-aprendizagem precisa ser acompanhado desde a fase de implantação até a possível reengenharia do seu planejamento, o que demonstra a inserção de um espaço de autonomia e poder decisório inerentes à competência técnica e legal de seus integrantes.
Correspondência para: Leila Milman Alcantara, e-mail:
ramelbi@terra.com.br
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