REFLETINDO PRESSUPOSTOS NA ATENÇÃO À PESSOA COM HIPERTENSÃO ARTERIAL
Cláudia Geovana da Silva Pires
Fernanda Carneiro Mussi
INTRODUÇÃO: A hipertensão arterial sistêmica (HAS) está presente em 85% dos indivíduos com acidente vascular encefálico e em 40% com infarto agudo do miocárdio e lidera as causas de insuficiência renal crônica e cardíaca. Portanto, é fundamental a busca de medidas preventivas e de controle para reduzir o crescimento da prevalência e incidência da doença e minimizar incapacidades. Todavia, é um desafio para os profissionais de saúde a utilização de um modelo de atenção que dê conta de gerar esses benefícios. OBJETIVO: Refletir sobre pressupostos para a atenção ao indivíduo com HAS considerando as implicações sociais, econômicas, culturais e epidemiológicas da doença. METODOLOGIA: Pesquisa bibliográfica, sendo a busca de materiais feita manualmente e on-line acessando-se o Portal da BIREME e o Portal Brasileiro da Informação Científica (CAPES), nos últimos 3 anos, utilizando-se as palavras chaves:HAS, prevenção, controle e adesão. RESULTADOS: O modelo médico vigente privilegia a terapêutica voltada para o controle da avaria do corpo. O ato médico, tendo como referencial a abordagem sintomática, leva a diagnósticos embasados exclusivamente na concretude orgânica, isolando o fenômeno orgânico de seu contexto, focando a parte do corpo doente, privilegiando a perspectiva causal, tendendo a um reducionismo fisiológico. Entretanto, o controle da HAS implica em mudanças comportamentais o que requer esforços profissionais na atenção psicossocial, na compreensão da relação que a pessoa estabelece entre sua história de vida, seu modo de viver e seus fatores de risco e da sua experiência e expectativa diante do convívio com a doença. O reconhecimento de que muitos fatores, que não a doença, influenciam a saúde e as ações da pessoa no controle da HAS, requer que os profissionais trabalhem com a subjetividade compreendida como o mundo das idéias, significados e emoções construídos internamente pelo sujeito a partir de suas relações sociais, vivências e de sua constituição biológica e, também fonte de suas manifestações afetivas e comportamentais. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O enfermeiro, membro da equipe de saúde, tem o compromisso político, social e ético de contribuir para a prevenção e controle da HAS o que pressupõe à abertura para abordagens aptas a investir na clínica da pessoa, incluindo seu adoecimento, utilizando estratégias de acolhimento capazes de promover o vínculo e o espaço para a escuta sensível, potencializando investimentos pessoais na ressignificação do adoecer.
Correspondência para: Cláudia Geovana da Silva Pires, e-mail: cgspires@uol.com.br
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