Goiânia, 07 de novembro de 2005.

QUALIDADE, PRECARIZAÇÃO E MOTIVAÇÃO DO TRABALHO ASSIMÉTRICO NA SAÚDE

Maria Betânia Maciel da Silva

Francisco Arnoldo Nunes de Miranda

As preocupações com a melhoria das condições de qualidade, precarização e motivação para tornar eficaz, eficiente e efetiva os processos do trabalho e garantir a satisfação do usuário, coloca um desafio para os profissionais de saúde. Como se manter motivado? O estudo objetivou identificar os fatores não-motivacionais que afetam os profissionais de saúde, de um hospital publico na região metropolitana de Natal/RN. Estudo exploratório, descritivo e qualitativo, realizado em julho e agosto/2005, com vinte e cinco profissionais, através de questionário com quatro perguntas abertas. Caracteriza-se pelo gênero feminino (72%) e masculino (28%), onde, 64% são casados, 24% solteiros, 4% em união consensual e 8% não informaram. Desses, 32% são médicos, 20% auxiliares de enfermagem, 16% enfermeiros, 16% técnicos de enfermagem, 12% farmacêutico e 4% fisioterapeuta; 36% tem idade entre 20 e 30 anos, 28% de 31 a 40, 20% acima de 50, e 16% entre 41 e 50 anos. A maioria, 68% é formada até 10 anos, 20% até 20, e 12% até 30 anos; 64% pertencem ao serviço entre 1 a 5 anos, 28% de 6 a 10 anos, e 8% entre 11 a 20 anos; 48% trabalham 40 horas, 44% 20 e 8% 60; e 64% ganham de 1 até 4 salários mínimos, 20% de 5 a 10, 12% acima de 10 e 4% não informou. As respostas foram analisadas em quatro eixos temáticos: avaliação das condições de trabalho: aspectos positivos [compreensão, vontade e relação satisfatória do trabalho em equipe] e negativos [falta de material, medicamento, baixos salários, estrutura física; fatores motivadores: satisfação: valorização profissional no contexto do processo do trabalho em equipe; situações motivadoras ou não: motivadoras - satisfação, alegria, humor e calor humano na equipe; não motivadoras - salários, produtividade e estrutura física revelando a relação assimétrica entre eles; medidas promotoras de motivação: condições interacionais da equipe, entrosamento, integração e treinamento, salários satisfatórios, melhoria nas condições empregatícias como redutora das outras jornadas de trabalho noutros serviços. O grupo investigado concebe a equipe como motivada, embora reconheça as dificuldades operacionais do dia-a-dia.

Correspondência para: Francisco Arnoldo Nunes de Miranda, e-mail: farnoldo@gmail.com