SAÚDE NA COMUNIDADE: INCLUSÃO DE JOVENS NO ESPORTE E LAZER
Nébia Maria Almeida de Figueiredo
Teresa Tonini
Eva Maria Costa
Abílio Tozini
Eduardo Gusmão
Carlos Roberto Lyra da Silva
Roberto Carlos Lyra da Silva
Trata do entendimento sobre saúde a partir das necessidades das comunidades AMOVILA e ALMA. Os jovens destas comunidades participam das atividades de esporte e lazer ofertadas pelo Projeto “Fábrica de Cuidados - criando um espaço para criar modelos e tecnologias em saúde”, da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP)/Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e objeto do Projeto “BairrosSUL”. Ambos projetos sob financiamento do CNPq. A situação problema é a opção da comunidade pelas atividades de esporte e lazer em detrimento das atividades de saúde programadas nos Projetos, sob a justificativa de que queria tirar os filhos da rua, necessitava de proteção contra a violência e drogas e de disciplina para os jovens. As questões norteadoras são: Valeu a pena pensar em mudar o objetivo inicial do estudo do Projeto “Fábrica de Cuidados”, cuja idéia era o cuidado com a saúde da comunidade Benjamin Constant (AMOVILA) e Lauro Müller (ALMA)? Como afirmar que as atividades de esporte e lazer são saúde e articulá-las com o cuidado de enfermagem? Os objetivos são descrever o processo de construção de que saúde é esporte através das atividades desenvolvidas, a partir de informações dos pais e dos jovens; caracterizar as principais mudanças nos jovens antes e depois de suas inclusões no Projeto; discutir as implicações dos efeitos das atividades de esporte e lazer na vida dos jovens e para o projeto. A metodologia é quanti-qualitativa com demonstração dos dados demográficos e evocações dos conteúdos das informações. As normas estabelecidas pela Resolução 196/96 foram cumpridas. Os resultados indicam duas categorias de análise: a) ANTES do esporte e lazer – desajustes na saúde físico-emocional; b) DEPOIS do esporte e lazer – ajustes na saúde emocional-social. A conclusão é que dos 241 jovens, 60% (144,6) melhorou significativamente o seu comportamento em casa, além de se tornar mais participativo e interessado pelos estudos; 22% (53) está fazendo um esforço para melhorar e 18% (44) permanece do mesmo jeito. A decodificação disto é de como o esporte produz uma saúde social que tem conseqüência na saúde familiar. Cabe ainda registrar que apesar da comunidade compreender saúde apenas como ausência de doença, divergindo do nosso amplo entendimento acerca deste conceito, este estudo comprova que é possível criar negociações e estratégias com a comunidade que cuide de sua saúde sem lhe imputar nosso conceito como única verdade.
Correspondência para: Eva Maria Costa, e-mail: ttonini@terra.com.br
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