Goiânia, 07 de novembro de 2005.

AVALIAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DOMICILIAR À CRIANÇA COM DIABETES MELLITUS

Juliana Paro

Maria Rita Rodrigues Vieira

O diagnóstico de diabetes na criança, muitas vezes, contribui para a desorganização da estrutura familiar, necessitando, além da assistência hospitalar, de um adulto que se responsabilize pelo seu cuidado domiciliar. Com o objetivo de apreender e analisar a convivência de crianças com diabetes que são assistidas no ambulatório de endocrinologia pediátrica de um hospital escola em São José do Rio Preto, no seu ambiente domiciliar, foi utilizado o método de estudo exploratório com abordagem qualitativa e os resultados foram analisados de acordo com o modelo de conteúdo de Bardin. Fizeram parte da pesquisa 6 crianças portadoras de diabetes mellitus tipo I com tratamento de pelo menos seis meses e com idade entre 10 a 13 anos. As entrevistas foram realizadas no domicílio. Em relação ao diagnóstico e tratamento, a maior parte das crianças entrevistadas tiveram um diagnóstico rápido e preciso, sendo encaminhadas para acompanhamento ambulatorial especializado, e todas fazem uso de insulina NPH, porém umas com mais freqüência que as outras. O controle domiciliar é realizado por todas, contudo há falta de conhecimento em relação aos exercícios físicos sem controle glicêmico e ao número de refeições diárias, acarretando o descontrole metabólico. A convivência com o diabetes não foi relatado como um problema de grande importância para a maioria das crianças. Outro fator relevante foi a influência da escola e outras pessoas da família na dificuldade de se seguir as orientações do controle metabólico. A condição sócia econômica da família não influenciou no seguimento do tratamento em domicílio. Percebe-se a importância do acompanhamento multidisciplinar a estas crianças conduzindo-as para uma vida saudável a partir de suas potencialidades. Dessa forma, conclui-se que, com o atendimento apenas no ambiente do profissional não será possível se abarcar toda a complexidade do fenômeno “cuidar da criança com diabete mellitus”.

Correspondência para: Juliana Paro, e-mail: juli.xiienf@gmail.com