Goiânia, 07 de novembro de 2005.

ELETROCONVULSOTERAPIA – O CHOQUE É FAMILIAR

Hiltamar Magela Diniz

A utilização do eletrochoque na terapia da depressão, apesar de um método validado cientificamente e eticamente aceito pelo Conselho Federal de Medicina, continua sendo uma prática marcada por mitos e estigma social. Desenvolvemos um estudo de abordagem qualitativa, retrospectivo, descritivo, apoiado na linha filosófica fenomenológica. O ponto de partida foi um estudo exploratório no arquivo de pacientes de uma clínica psiquiátrica no município de Anápolis-GO, seguido por abordagem dos sujeitos em suas respectivas residências. Amostra por saturação composta por dois sujeitos que vivenciaram a eletroconvulsoterapia nos últimos dez anos, cinco membros familiares que participaram no tratamento, sendo dois de uma família e três da outra e o médico assistente, que foi autorizado legalmente pelos sujeitos a prestar depoimento sobre respectivas histórias. Os sujeitos foram abordados após o consentimento informado, de acordo com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, a partir de uma pergunta norteadora. As falas foram transcritas na íntegra e analisadas em sua essência por meio da nomotética. Buscamos desvelar o significado da eletroconvulsoterapia para pessoas que a vivenciaram, bem como familiares que os acompanharam e médico assistente. Concluímos que a eletroconvulsoterapia teve o significado de choque familiar, determinada pelo medo, espanto e desconhecimento dos pacientes e membros da família sobre o tratamento, que foi superado principalmente pela ajuda do médico assistente, o que levou à temática confiança no médico, sendo considerada por unanimidade como uma prática eficiente no tratamento da depressão, o que foi explicado como melhora significante do quadro depressivo. Diante da temática a eletroconvulsoterapia é eficiente e das bases teóricas conceituais do uso do eletrochoque na depressão, este estudo suscita a reflexão a cerca das diretrizes das políticas públicas de saúde na área da psiquiatria no país, que atribuem a eletroconvulsoterapia, apenas a conotação de prática desumana e indicador de má-qualidade da assistência hospitalar.

Correspondência para: Hiltamar Magela Diniz, e-mail: enfermagela@hotmail.com