A VISÃO DO ACADÊMICO DE ENFERMAGEM EM RELAÇÃO À FUNÇÃO DO ACOMPANHANTE
Giselle Barcellos Oliveira
Michelle Alves dos Santos
Patrícia Baptista Sardinha
Maria Luiza de Oliveira Teixeira
No cumprimento das exigências curriculares em um Hospital Universitário no município do Rio de Janeiro, surgiu um questionamento em relação à visão do acadêmico de enfermagem sobre a função do acompanhante na enfermaria. A partir desta observação nos foi despertada uma necessidade de investigação com a intenção de desvelar como esta visão pode influenciar na assistência de enfermagem prestada pelo acadêmico. Os objetivos do estudo são: identificar a visão do acadêmico de enfermagem sobre a função do acompanhante, e analisá-la no contexto dos cuidados de enfermagem. Trata-se de um estudo descritivo-qualitativo realizado de março a junho de 2004. Os sujeitos foram 12 acadêmicos de enfermagem de 5° período de uma Escola de Enfermagem de uma Universidade Federal, em um Hospital Universitário no município do Rio de Janeiro. A entrevista foi acompanhada de gravação em fita K7 e baseada em um instrumento semi-estruturado composto por questões abertas. De forma geral os acadêmicos apontaram o acompanhante como facilitador na assistência na medida que ajuda nos cuidados de enfermagem, e sua permanência importante por não haver profissionais de saúde suficiente. No que diz respeito à interferência na assistência de enfermagem, os sujeitos relataram que o acompanhante que não participa do cuidado juntamente com a equipe, atrapalha na assistência, além de se tornar inconveniente. Os resultados mostram que os acadêmicos consideram que o acompanhante deve exercer atividades da enfermagem, porém embora o acompanhante permaneça por mais tempo nas enfermarias do que os profissionais de saúde, não é seu dever realizar as funções da equipe de enfermagem. Consideramos que a visão equivocada que o acadêmico de enfermagem tem a respeito da função do acompanhante, reflete diretamente a carência do sistema de saúde do país, pois não há profissional de saúde suficiente para permanecer nas enfermarias o tempo necessário. Como resultado o acadêmico transfere aos acompanhantes a função de ajuda na assistência.
Correspondência para: Giselle Barcellos Oliveira, e-mail: gisellebarcellos@yahoo.com.br
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