SAÚDE DO TRABALHADOR NA PESPECTIVA BELÉM - CIDADE PROTETORA DA VIDA
Maria da Glória Campos Silva
Maria de Belém Ramos Sozinho
INTRODUÇÃO: É complexo abordar a violência na área de saúde, que tem sua tradução associada às “causas externas” - acidentes, homicídios, ferimentos, dentre outros. A equipe da Saúde do Trabalhador engajou-se no movimento “Belém - Cidade Protetora da Vida”, pois percebeu vários pontos de convergência entre saúde e segurança pública, a exemplo dos acidentes relacionados ao trabalho, entendidos como violência. Porém os trabalhadores estão inseridos em grupos específicos, vítimas da violência física, psicológica e negligência. OBJETIVO: Compreender qual o significado atribuído à violência no campo da Saúde do Trabalhador e elaborar um plano de ação para a prevenção da violência relacionada aos processos produtivos. As questões norteadoras deste estudo foram: como compreender os impactos na saúde da relação capital x trabalho? Segundo a compreensão dos trabalhadores, como se referem à violência? Quais os agravos mais freqüentes no processo saúde x doença? METODOLOGIA: Baseando-se na pesquisa-ação, foi realizado um estudo empírico vinculado à gestão do Sistema Municipal de Saúde, na perspectiva da reorganização da atenção à saúde. Com a metodologia proposta, estabeleceu-se um calendário, em Junho de 2003, prevendo reuniões de governo visando organizar o Congresso. Durante o Congresso (26 e 27 de setembro de 2003), houve a oficina com o tema: Saúde do Trabalhador, coordenada pela área técnica de Saúde do Trabalhador do Município, onde se usou um texto com perguntas aos participantes (30 pessoas), originários de diversos segmentos. ANÁLISE DOS DADOS: Dos 143. 467 atendimentos no HPSM, os principais eventos que se constituem agravos à saúde decorrentes de violência foram: 1. 167 acidentes de trabalho (0,81%), 902 acidentes de trânsito (0,98%), 1. 379 (0,96%) acidentes/agressões por arma de fogo (que podem ter entre suas vítimas os vigilantes ou trabalhadores da segurança). Durante a oficina, notamos que poucos acidentes de trabalho são notificados devido à desinformação dos funcionários do local e dos acidentados. Elaboraram-se 16 oficinas de capacitação dos servidores de saúde para melhoria das condições e organização do trabalho. CONCLUSÃO: Durante o Congresso em Defesa da Vida (Setembro de 2003), houve consenso de que qualquer agravo relacionado ao trabalho, seja adoecimento ou acidente, é uma forma de violência. Além disso, o investimento por parte de empregadores e serviços de Saúde, tem-se mostrado insuficiente na garantia da proteção à vida.
Correspondência para: Maria de Belém Ramos Sozinho, e-mail:
familiaamorim@terra.com.br
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