Goiânia, 07 de novembro de 2005.

PERCEPÇÃO DO CLIENTE EM TRATAMENTO DE HEMODIÁLISE FRENTE AO SEU CORPO

Giselle Barcellos Oliveira

Sílvia Tereza Carvalho de Araújo

A reflexão trata da percepção que o cliente com Insuficiência Renal Crônica, em hemodiálise, tem sobre seu corpo. Durante quatro anos atuando no cuidado a essa clientela pude observar características comportamentais e freqüentes nestas pessoas. Inúmeras vezes imagens se repetiam sob forma de mecanismos de defesa as quais eram expressas por eles, em sua maioria, de forma não-verbal. A relevância está em romper com um paradigma de cuidado tecnicista, pois desde essa época compreendi que assistir o cliente submetido à hemodiálise é muito mais do que realizar e dominar toda a tecnologia envolvida nesse cuidado. Mas é também cuidar e compreender os aspectos subjetivos destes clientes vendo-o individualmente, com emoções e sentimentos próprios. Como relato de experiência e dando continuidade a pesquisa de final de curso com a mesma temática foram traçados os seguintes objetivos: descrever a percepção sensorial do cliente frente ao seu corpo e analisar a importância das percepções no cuidado de enfermagem em hemodiálise. METODOLOGIA: A abordagem qualitativa resgata aspectos singulares dos clientes observados no período de 1999 a 2003 em uma clínica no Rio de Janeiro. As observações resultaram do processo assistencial de enfermagem, durante o ato de cuidar em hemodiálise. Cada sessão planejada em dias intercalados com duração média de quatro horas para cada grupo de pacientes permitiu ao longo desses anos uma reflexão sobre o processo de adoecimento e enfretamento deste tratamento. RESULTADOS: Alguns clientes colocavam tipóia por cima da FAV ou vestiam constantemente blusa de manga comprida. Havia os que sempre estavam com bala na boca ou muito perfumados. Acredito que esses foram mecanismos de defesa do cliente, utilizando a tipóia ou a blusa de manga comprida possivelmente para esconder a FAV. Para mim a bala e o perfume tinham a intenção de disfarçar o hálito, o cheiro urêmico. Através de minha convivência com eles percebi o que expressavam de forma não-verbal. Penso que essa interação contribuiu para que eu os ajudasse a seguir o tratamento de uma melhor forma, com uma palavra de estímulo, melhorando sua auto-estima, com carinho, com olhares; ou simplesmente ouvindo suas histórias. Considerações Finais: A compreensão dos aspectos subjetivos é necessária ao cuidado de enfermagem e permite que haja maior interação entre enfermeiro e paciente. Considerando as condições afetivas desse cliente, defendo a idéia de se aprimorar as habilidades humanas nesta área.

Correspondência para: Giselle Barcellos Oliveira, e-mail:

gisellebarcellos@yahoo.com.br