HANSENÍASE EM MENORES DE 15 ANOS NA REGIÃO DO VALE DO JEQUITINHONHA/MG
Francisco Carlos Félix Lana
Ana Cláudia Nascimento de Carvalho
Andrigo Neves e Silva Lopes de Saldanha
Letícia Gonçalves Diniz
INTRODUÇÃO: A hanseníase é uma doença que se configura como problema de saúde pública no Brasil e atinge principalmente adultos e adultos-jovens. A detecção de casos dessa enfermidade em menores de 15 anos tem significado epidemiológico importante porque indica a gravidade da endemia e precocidade de exposição da população ao bacilo, configurando-se como importante elemento para avaliação da magnitude da doença. OBJETIVO: Descrever a ocorrência da hanseníase na faixa etária de 0 a 14 anos na região do Vale do Jequitinhonha/MG, através da análise de indicadores epidemiológicos e operacionais. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo transversal de natureza descritiva, realizado através de dados coletados das Fichas de Notificação de Hanseníase da SES/MG, no período de 1998 a 2004. O cenário de estudo é a região do Vale do Jequitinhonha/MG. RESULTADOS: Observou-se que a taxa de detecção geral da hanseníase manteve-se praticamente constante durante o período de estudo, com média anual de 2,01 casos por 10. 000 hab. , havendo um predomínio das formas multibacilares da doença (dimorfa 51% e virchowiana 20,6%). Esse resultado apontaria para uma estabilidade da doença, no entanto, há evidências de transmissão recente, pela proporção elevada de casos novos em menores de 15 anos: entre os 1046 casos notificados no período, 8,10% (85) situam-se entre 0 e 14 anos. A taxa de detecção da doença nesse grupo apresentou números que variam de 0,32 (1999) a 0,65 casos por 10. 000 hab. (2003). Um quinto dos casos avaliados apresentaram algum grau de incapacidade física, sendo a demanda espontânea o modo que mais contribuiu para a descoberta dos casos (55%), em detrimento das ações de busca ativa (18%). CONCLUSÕES: A região caracteriza-se por um nível muito alto de endemicidade, apontando uma força de transmissão importante da doença na região proporcionando exposição precoce da população ao M. Leprae. A porcentagem de casos diagnosticados com incapacidade física é alta, o que indica diagnostico tardio da doença e repercussões na infância. Faz-se necessário descentralizar as ações de controle da hanseníase, capacitar profissionais de saúde e intensificar ações de vigilância aos contatos como forma de controlar a incidência deste agravo na população infanto-juvenil.
Correspondência para: Letícia Gonçalves Diniz, e-mail: letsgd@yahoo.com.br
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