Goiânia, 07 de novembro de 2005.

PSF DE CAUCAIA (CE): UMA ANÁLISE DA ATUAÇÃO DOS PROFISSIONAIS EM 2004

José Maciel Andrade

Maria Irismar de Almeida

Lucianna Leite Pequeno

Fátima Lúcia Ramos Batista

Mércia Marques Jucá

Paulo César de Almeida

Maria Fátima Maciel Araújo

O Programa Saúde da Família (PSF) tem a finalidade de executar ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, centradas nos princípios de vigilância à saúde. Uma estratégia que se consolidou no país pela enorme expansão no número de equipes, mas ainda não se pode afirmar que no elenco de ações e serviços produzidos, concretizou-se a mudança de conteúdo das práticas e na forma de trabalho previsto nos documentos oficiais. O divisor de águas entre avanços e limitações não se esgotam e deságuam em problemas que repercutem no funcionamento. Este estudo tem por objetivo analisar o funcionamento do PSF de Caucaia, na visão dos profissionais que atuam nas equipes. Trata-se de um estudo de natureza descritiva com abordagem quantitativa no tratamento dos dados. Trabalhou-se com uma amostra de 272 profissionais, sendo 58 médicos, 58 enfermeiros, 28 odontólogos, 58 auxiliares de enfermagem e 70 agentes comunitários de saúde. Utilizou-se para coleta dos dados questionários com perguntas fechadas. Os resultados referiram predominância do sexo feminino entre os profissionais e com faixa etária entre 25 e 29 anos. O tempo médio de trabalho nas equipes de PSF variou de 8,7 meses para médicos, 24 meses para enfermeiros e 9,2 meses para odontólogos. A alta rotatividade é evidenciada pela maioria dos profissionais como maior obstáculo do PSF. As dúvidas técnicas relacionadas com maior freqüência foram sobre: vigilância epidemiológica e sanitária, urgências e emergências, promoção da saúde e atividades educativas de grupo. Nas atividades não realizadas, destacaram-se atendimentos aos usuários de drogas e álcool, assistência em saúde mental e atividades com adolescentes. Os conteúdos referidos com maior interesse de capacitação: saúde mental, terapia medicamentosa, atenção a pacientes especiais, medidas de biosegurança, promoção e prevenção. Nos benefícios, evidenciou-se promoção da saúde, prevenção de doenças e melhoria da saúde. As maiores dificuldades: baixos salários, insegurança no emprego e deficiência de insumos básicos. Conclui-se que, mesmo com a expansão do PSF, o tratamento de questões de desenvolvimento de recursos humanos, ainda precede de investimentos dos gestores, através de políticas de atenção aos direitos do trabalhador e condições de trabalho. O PSF exige investimentos financeiros, prioridades na capacitação e valorização do capital humano, adequações coerentes para o funcionamento das equipes e estrutura apropriada das unidades básicas de saúde.

Correspondência para: José Maciel Andrade, e-mail: akildare@terra.com.br