Goiânia, 07 de novembro de 2005.

A MULHER EM MENOPAUSA: RE-VENDO SUAS NECESSIDADES

Barbara Melo Poubel

Sonia Mara Faria Simões

Considerando a expectativa de vida em torno de 72 anos para as mulheres brasileiras, após a menopausa os anos devem ser vividos de modo saudável e produtivo. A menopausa é o episódio final de sangramento menstrual. Nesse período, ocorre perda progressiva da função ovariana e uma variedade de alterações endócrinas, somáticas e psicológicas. Para lidar com esta realidade, é de grande importância a adoção pelos profissionais de saúde de medidas com caráter educativo, informativo e dialógico, visando ampliar o conhecimento das mulheres sobre este período, bem como o ajuste das necessidades humanas afetadas. Assim, a pesquisa de natureza quantiqualitativa tem como objetivo caracterizar as necessidades biopsicossociais das mulheres em situação de menopausa. O cenário foi o Ambulatório de Climatério do Hospital Universitário Antônio Pedro/HUAP/Niterói e os sujeitos 80 mulheres em situação de menopausa atendidas, sendo que, destas, 66% estão em acompanhamento não hormonal e 34% fazem uso de terapia de reposição hormonal (TRH). Após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa em abril de 2005 iniciamos a coleta de dados através da entrevista semi-estruturada contendo na 1a. parte dados epidemiológicos das depoentes e na segunda três questões abertas. Os dados revelaram mulheres entre 45 e 63 anos, a maioria casada e sem conclusão do ensino fundamental. Das mulheres em acompanhamento não hormonal, 46% possuem atividade sexual diminuída, para 26% das em TRH. Os desconfortos provocados pela menopausa foram classificados em ausente, leve, moderado e severo, destacando dentre eles os severos: 19% das mulheres que não fazem TRH apresentam fogachos severos, em relação a 22% das em TRH; a insônia atinge 25% das mulheres em não TRH por 19% das em TRH; a pele seca tem percentual severo de 40% no primeiro grupo e 26% no segundo; nas mulheres em não TRH prevalece 28% de irritabilidade para 11% das demais; a ansiedade se mostra severa em 21% das clientes em não TRH, e 27% nas em TRH. As necessidades levantadas possibilitam elaborar uma proposta assistencial de enfermagem para as mulheres que fazem acompanhamento de climatério, considerando estratégias como grupos de vivências, palestras, dentre outras.

Correspondência para: Barbara Melo Poubel, e-mail: bwpoubel@ig.com.br