ASSISTÊNCIA: REFORMAR, FORMAR O NOVO OU FORMATAR?
Fernanda Nogueira Campos
Camila Cardoso Caixeta
INTRODUÇÃO: Os ganhos no âmbito da saúde mental são indiscutíveis, mas a complexidade da cultura, dos discursos e poderes que atravessam nossos discursos revolucionários e inovadores, bem como a história da loucura, justificam até certo ponto o fato de que estamos ainda longe de efetivar uma assistência eficaz e totalmente não-asilar. O asilo ainda existe no discurso da população e na prática de alguns profissionais, além de irregularidades (tratamentos inadequados e antiéticos) que podem ser flagradas em alguns órgãos de assistência àquele que sofre com transtornos psíquicos. OBJETIVO: convidar os profissionais da saúde para uma reflexão sobre a necessidade do tratamento multidisciplinar da saúde mental no Brasil. METOLOGIA: pesquisa qualitativa que tem como método o estudo de caso. RESULTADOS: Sugere-se repensar a preparação acadêmica daqueles que se tornarão profissionais da saúde mental, além de uma reestruturação do ensino num modo mais geral que possibilite a desmistificação da loucura no âmbito escolar e cultural. Propomos também que seja tirado o poder absoluto das mãos de uma classe psi que se vê como detentora do saber, visto que trata-se de um termo abrangente que norteia ainda nosso desconhecimento. O próprio termo “reabilitação” incorre muitas vezes no erro de significar a normatização dos indivíduos, ou seja o treino para que o sujeito torne-se hábil para o meio social, ou seja, no próprio âmbito da reforma nos deparamos com as crenças cristalizadas de centrar o cuidado na doença e não no sujeito e suas relações com o mundo. Caso a reforma psiquiátrica tenha caminhado no sentido de ser entendida e praticada como re-fôrma, na intenção de formatar os doentes, como se faz com disquetes, anulando sua singularidade para depois imprimir uma série de atitudes aceitáveis ou uma série de comportamentos padronizados, atualmente são diversas as críticas à essa tendência de encaixar tudo numa normalidade almejada. É preciso então a denúncia, não somente a órgãos administrativos, mas uma denúncia artística, política, científica, elaborativa e interna (subjetiva) que permita ao profissional da saúde mental tomar nota sempre que possível das intenções da prática na qual se insere. CONCLUSÃO: Pede-se uma subversão ao invés de uma reforma, e subversão como mergulho no verso onde este pode ser conhecido e trazido a tona, possibilitando uma recomposição dos elementos constitutivos da instituição saúde com uma visão bastante crítica e reflexiva.
Correspondência para: Camila Cardoso Caixeta, e-mail: camilaccaixeta@uol.com.br
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