PRÉ-NATAL: CONCEPÇÕES DAS ADOLESCENTES E DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
Maria Inês Brandão Bocardi
Marli Villela Mamede
Este estudo teve como objetivos identificar as concepções sobre assistência pré-natal de um grupo de gestantes adolescentes primíparas, inscritas no programa de assistência pré – natal nas Unidades de Saúde da Rede de Atenção à Saúde do município de Marília – SP; identificar as concepções sobre assistência pré-natal na adolescência dos profissionais de saúde (médicos, enfermeiras e auxiliares de enfermagem) que atuam nestes serviços; como também analisar as relações estabelecidas entre as concepções das gestantes adolescentes e dos profissionais de saúde na construção da assistência pré-natal. Trata-se de uma pesquisa qualitativa. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semi-estruturadas, realizadas com 17 profissionais de saúde e 18 gestantes adolescentes primíparas. Procurou-se identificar unidades temáticas pela Análise de Conteúdo. Para construção do processo de análise apropriamos de referenciais teóricos de construções sócio-culturais de significados representativos do cotidiano da assistência pré-natal através de um emaranhado de percepções e interpretações sobre o perfil da clientela atendida, concluindo que a assistência se faz de forma diferenciada e assim exercem papel fiscalizador, identificam os fatores de risco da gestação, discorrem sobre as dificuldades encontradas para prestarem assistência e revelam as ações da equipe de saúde. As adolescentes identificaram a assistência pré-natal recebida, permeada por procedimentos técnicos que incluem desde a realização de exames e procedimentos a orientações, que pelas suas características peculiares conforma a assistência como sendo monótona e ao mesmo tempo coercitiva ao serem fiscalizadas pelos profissionais que as atende. Pudemos apreender que o mundo social do pré-natal às adolescentes habitados pelos profissionais de saúde é construído dentro de um universo simbólico que desqualifica a adolescente para a entrada no mundo das mulheres adultas – a maternidade. Por outro lado, para as adolescentes o pré-natal é o dispositivo usado para revelar-lhes os limites de ser um corpo para si e ser um corpo para ter um filho e desautorizá-las como capazes de ter uma autonomia e poder de decisão. Financiamento: CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Correspondência para: Maria Inês Brandão Bocardi, e-mail: marinesbocardi@yahoo.com.br
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