A QUESTÃO DA MORTE NA VISÃO DO ENFERMEIRO
Renata América Lima Torres
Ghardenha Cavalcante Fonseca
Olga Soares Rocha
INTRODUÇÃO: A morte ainda é bastante polêmica, sendo evitada muitas vezes e gerando assim ansiedade e medo nas pessoas. Isto nos leva a pensar que os profissionais da saúde têm suas angústias correlacionadas à morte. O enfermeiro enfrenta a situação de conviver com pacientes fragilizados até a morte e como será que eles trabalham com esse sentimento despertado pelo envolvimento. Tudo deve ser avaliado para que o enfermeiro saiba lidar da melhor maneira a questão da morte, e não possa vir a comprometer suas funções da promoção à saúde. O levantamento de dados em relação ao envolvimento do enfermeiro com a morte dos pacientes em seu ambiente de trabalho é fundamental para conhecer o grau de stress desses profissionais e o seu envolvimento psicológico, com o intuito de promover a saúde mental, levando a um atendimento humanizado, mesmo com aquele paciente que veio a óbito. OBJETIVO: Este estudo tem como objetivo avaliar a questão da morte entre os profissionais enfermeiros do pronto socorro de um hospital de grande porte como o Hospital de Base de Brasília. METODOLOGIA: O estudo foi realizado na emergência do Hospital de Base de Brasília, localizado na Asa Sul, no período entre abril e maio de 2005. A amostra foi constituída de 15 enfermeiros, com o exercício da profissão acima de 5 anos, representando um percentual de 65% dos enfermeiros da emergência do Hospital de Base. O instrumento de pesquisa utilizado para relatar o comportamento do enfermeiro sobre a morte foi baseado em um questionário com cinco questões que abordou a freqüência do contato com pacientes em fase terminal, a sua reação frente à morte, entre outros. Após a implementação deste questionário, foi analisado os dados e deduzidos com o apoio de instrumentos informatizados para se chegar à estatística do resultado. RESULTADOS: Diante dos dados obtidos, 93,3% dos entrevistados têm contato freqüente com pacientes em fase terminal, sendo que 60% ficam abalados diante da morte e 6,7% ficam muito abalados. Observamos que 73,3% acham importante fazerem um acompanhamento psicológico, embora nunca tenham feito e apenas 6,7% fez ou faz acompanhamento psicológico. CONCLUSÃO: Concluímos que os enfermeiros são afetados com a morte do paciente e precisam fazer um acompanhamento psicológico, terapia em grupo ou um apoio para a superação do óbito. Dependendo de como o enfermeiro supera esta questão, pode gerar stress que muitas vezes afeta o desempenho do profissional na unidade hospitalar.
Correspondência para: Renata América Lima Torres, e-mail: renata_enfermagem@yahoo.com.br
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