Goiânia, 07 de novembro de 2005.

COORDENAÇÃO DE EQUIPES DE SAÚDE DA FAMILIA REFLEXÃO DE UMA EXPERIÊNCIA

Barbara Souza Rocha

Denize Bouttelet Munari

O Programa de Saúde da Família trabalha com território de abrangência definido e é responsável pelo cadastramento e o acompanhamento da população adstrita a esta área. Em Goiânia o programa cobre 30% da população de aproximadamente 1. 163. 000 habitantes, com 116 equipes implantadas, regionalizado em Distritos Sanitários de Saúde, que divide o município em áreas de abrangência e de responsabilização. Baseado no conceito e na tipologia do trabalho em equipe e nos critérios de reconhecimento dos tipos de equipes com as quais trabalhamos apresentado por PEDUZZI (2001), realizamos este estudo com o objetivo de fazer uma reflexão acerca dos tipos de equipes de saúde da família à partir do referencial com base em nossa experiência como coordenadora distrital. Este ensaio foi desenvolvido a partir da experiência na coordenação distrital das equipes de saúde da família, que tem como tarefa potencializar as ações desenvolvidas pelas equipes e participar do processo de qualificação da ação particular dos membros, configurando a possibilidade de ser o cuidador de quem cuida. O Distrito Sanitário Oeste, utilizado como base para a referida reflexão, atualmente tem cobertura de aproximadamente 50% da população com o programa de saúde da família, com 12 equipes atuando sob a supervisão externa de um coordenador distrital - Enfermeiro. Ao procurarmos entender os tipos de equipes que operam no referido programa, com base no referencial teórico citado, descobrimos com isso que a maioria das equipes com as quais trabalhamos são meros agrupamentos de pessoas que realizam um emaranhado de ações, sem articulação e participação de todos, dando sempre uma configuração de subordinação social entre os membros. Podemos considerar que as equipes que pertencem ao programa não se configuram como tal, mas são caracterizados por agrupamentos de pessoas onde cada um atua por si só o que resulta em insatisfação para o profissional e para o usuário do serviço de saúde. Sendo assim, o maior desafio do coordenador distrital é o de identificar o funcionamento das equipes e ajudar no seu processo de transição de agrupamentos para equipes propriamente ditas onde as habilidades, as competências, os recursos de todos os membros e as atividades sejam planejadas em um projeto assistencial comum e esse empenho seja traduzido em maior produtividade e credibilidade.

Correspondência para: Barbara Souza Rocha, e-mail: barbaramaisbabi@hotmail.com