PERFIL DA FAMILIA CUIDADORA DO IDOSO FRAGILIZADO
Lucia Hisako Takase Gonçalves
Silvia Modesto Nassar
Angela Maria Alvarez
Fernanda Regina Vicente
Parte de uma pesquisa de natureza multicêntrica, realizada em 3 contextos socioculturais brasileiros e 2 internacionais (Argentina e Portugal), com protocolo único de Perfil da Família Cuidadora de Idosos Fragilizados, convivendo em Ambiente domiciliar e cujos resultados são do contexto Florianópolis. OBJETIVO: Identificar o perfil da família cuidadora de idosos fragilizados usuários do PSF/UBS. METODOLOGIA: Os dados foram coletados por meio do QPFC, instrumento multidimensional construído para identificar variáveis sócio-demográficas do familiar cuidador principal, seu estado de saúde e qualidade de vida; variáveis sócio-demográficas do idoso cuidado, suas condições de saúde e necessidades de cuidado; e caracterização das circunstâncias do processo de cuidado. O questionário foi testado auferindo sua aplicabilidade, à exceção do WHOQOL-Bref /OMS para avaliação da qualidade de vida, já validado. A amostra foi constituída de 115 familiares voluntários que consentiram participar do estudo após terem recebido informações devidas acerca de cuidados éticos de respeito humano. RESULTADOS: Destacam-se os mais significativos encontrados. O familiar cuidador que se responsabiliza pelo cuidado de seu parente idoso dependente, em sua maioria (84,3%), é representado por mulher, geralmente filha ou esposa, com idade média de 48 anos. Convém ressaltar que há a participação de jovens de ambos os sexos: filhos e netos. Quanto a saúde do cuidador, maioria referiu ter um estado de saúde de bom para regular e citou doenças que sofrem: hipertensão arterial e outros problemas cardiovasculares, afecções osteomusculares incluindo queixas de dor na “coluna” e diabetes mellitus. Quanto à qualidade de vida, a maioria referiu-se satisfeita. Já entre os idosos verificou-se que há mais mulheres (70,4%) que homens, com média de idade de 75 anos, e também em número significativo, de viúvas (48%). Com relação ao processo de cuidar verificou-se que quando os cuidadores se diziam menos estressados e com mais saúde eram os mesmos que diziam estar adaptados ao seu papel. Ao contrário, quando diziam não estarem satisfeitos com a sua saúde eram estes a reclamarem ser cuidador único sem ajuda, ou ser a tarefa de cuidar intensa, ou quando havia relações conflituosas com o idoso. CONCLUSÃO: A boa saúde, e a satisfação com a vida da família cuidadora tem relação com a carga (cuidar único, tarefas complexas, relações conflituosas) da tarefa de cuidar do idoso fragilizado no contexto domiciliar.
Correspondência para: Lucia Hisako Takase Gonçalves, e-mail: lucia@nfr.ufsc.br |