Goiânia, 07 de novembro de 2005.

PERFIL DA FAMILIA CUIDADORA DO IDOSO FRAGILIZADO

Lucia Hisako Takase Gonçalves

Silvia Modesto Nassar

Angela Maria Alvarez

Fernanda Regina Vicente

Parte de uma pesquisa de natureza multicêntrica, realizada em 3 contextos socioculturais brasileiros e 2 internacionais (Argentina e Portugal), com protocolo único de Perfil da Família Cuidadora de Idosos Fragilizados, convivendo em Ambiente domiciliar e cujos resultados são do contexto Florianópolis. OBJETIVO: Identificar o perfil da família cuidadora de idosos fragilizados usuários do PSF/UBS. METODOLOGIA: Os dados foram coletados por meio do QPFC, instrumento multidimensional construído para identificar variáveis sócio-demográficas do familiar cuidador principal, seu estado de saúde e qualidade de vida; variáveis sócio-demográficas do idoso cuidado, suas condições de saúde e necessidades de cuidado; e caracterização das circunstâncias do processo de cuidado. O questionário foi testado auferindo sua aplicabilidade, à exceção do WHOQOL-Bref /OMS para avaliação da qualidade de vida, já validado. A amostra foi constituída de 115 familiares voluntários que consentiram participar do estudo após terem recebido informações devidas acerca de cuidados éticos de respeito humano. RESULTADOS: Destacam-se os mais significativos encontrados. O familiar cuidador que se responsabiliza pelo cuidado de seu parente idoso dependente, em sua maioria (84,3%), é representado por mulher, geralmente filha ou esposa, com idade média de 48 anos. Convém ressaltar que há a participação de jovens de ambos os sexos: filhos e netos. Quanto a saúde do cuidador, maioria referiu ter um estado de saúde de bom para regular e citou doenças que sofrem: hipertensão arterial e outros problemas cardiovasculares, afecções osteomusculares incluindo queixas de dor na “coluna” e diabetes mellitus. Quanto à qualidade de vida, a maioria referiu-se satisfeita. Já entre os idosos verificou-se que há mais mulheres (70,4%) que homens, com média de idade de 75 anos, e também em número significativo, de viúvas (48%). Com relação ao processo de cuidar verificou-se que quando os cuidadores se diziam menos estressados e com mais saúde eram os mesmos que diziam estar adaptados ao seu papel. Ao contrário, quando diziam não estarem satisfeitos com a sua saúde eram estes a reclamarem ser cuidador único sem ajuda, ou ser a tarefa de cuidar intensa, ou quando havia relações conflituosas com o idoso. CONCLUSÃO: A boa saúde, e a satisfação com a vida da família cuidadora tem relação com a carga (cuidar único, tarefas complexas, relações conflituosas) da tarefa de cuidar do idoso fragilizado no contexto domiciliar.

Correspondência para: Lucia Hisako Takase Gonçalves, e-mail: lucia@nfr.ufsc.br