CONTROLE DO TABAGISMO NO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO
Alda Martins Gonçalves
Flavio Cesar Rodrigues
Ângelo Andrade Pereira
Edna Alves dos Santos
Luisa Pereira Storino
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), morrem no mundo cerca de 5 milhões de pessoas por ano devido ao consumo de tabaco. Em 1993, a OMS incluiu o tabagismo no grupo dos transtornos mentais e de comportamentos decorrentes do uso de substâncias psicoativas na Décima Revisão de Classificação Internacional de Doenças (CID-10). A literatura relata que o tabagismo pode estar relacionado com depressão maior, esquizofrenia e transtornos de ansiedade. O presente trabalho tem por objetivos: caracterizar o paciente psiquiátrico internado e identificar a abordagem dos profissionais de saúde quanto ao uso do tabaco; desenvolver e discutir a utilização de ações educativas, de sensibilização e de informação quanto aos danos do cigarro, envolvendo pacientes, familiares, profissionais da saúde, estudantes e funcionários em um hospital psiquiátrico da rede pública estadual de Minas Gerais. Trata-se de um estudo exploratório, descritivo orientado pela concepção teórico-metodológica da pesquisa quantitativa e qualitativa. Os dados foram obtidos através da leitura de 236 prontuários de pacientes internados no mês de abril de 2005. A análise dos dados revelou que 39,83% dos pacientes foram identificados como tabagistas, 31,36% negam tabagismo e em 28,81% dos prontuários não há informações sobre o uso do tabaco. Nos prontuários não se constatou abordagens sobre os malefícios e prevenção do tabagismo. Os pacientes tabagistas são, em sua maioria, do sexo masculino, média de 32 anos de idade, primeiro grau incompleto, com profissão, mas sem atividade atual, procedente da região metropolitana de Belo Horizonte, diagnóstico de transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de álcool e em primeira internação. As ações educativas buscaram conscientizar os pacientes quanto aos riscos do tabaco. Tais ações foram realizadas semanalmente em uma ala do hospital, escolhida aleatoriamente, utilizando como recursos estratégicos: jogo recreativo/educacional de bingo, rodas de conversa com ênfase na promoção à saúde, atividades artísticas e conversas individuais com os pacientes, abordando a prevenção do tabagismo. Os pacientes se mostraram cooperativos, com pouco conhecimento sobre os malefícios causados pelo tabaco e, em sua maioria, mostraram-se receptivos à informação sobre o tabagismo, quando abordada do ponto de vista da promoção à saúde.
Correspondência para: Flavio Cesar Rodrigues, e-mail: cezakyo@yahoo.com.br
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