Goiânia, 07 de novembro de 2005.

A EDUCAÇÃO PERMANENTE DA EQUIPE DE ENFERMAGEM DE SAÚDE MENTAL

Claudia Mara de Melo Tavares

Os processos de capacitação do pessoal da saúde devem ser estruturados a partir da problematização do processo de trabalho, visando a transformação das práticas profissionais e a organização do trabalho, tomando como referência as necessidades de saúde das pessoas e das populações, da gestão setorial e o controle social em saúde (Ministério da Saúde, 2003). No campo da saúde mental, a estratégia de educação permanente tem como desafio consolidar a reforma psiquiátrica. O objetivo deste estudo é analisar a necessidade de educação permanente da equipe de enfermagem dos serviços de saúde mental. A pesquisa exploratória foi realizada a partir de entrevistas com os trabalhadores de enfermagem dos serviços públicos de saúde mental. Os dados foram analisados e interpretados à luz da perspectiva teórica da reforma psiquiátrica e dos princípios do SUS. Verificou-se que 58% dos enfermeiros e 32% dos técnicos não trabalham na psiquiatria por opção profissional. Quase a totalidade dos profissionais gostariam de atuar em uma outra área na enfermagem. Entre as dificuldades apontadas para trabalhar em saúde mental destacam: lidar com pacientes agressivos; agir na crise; lidar com questões relacionadas a sexualidade; interagir com o paciente, a família e a equipe multiprofissional. 50% dos trabalhadores passou por algum mecanismo de capacitação nos últimos 5 anos, sendo a maioria realizado no âmbito do próprio serviço. Como estratégias de educação permanente são apontadas oficinas, grupos de estudo e cursos. Sugerindo-se que as atividades educativas sejam desenvolvidas em conjunto com os profissionais de enfermagem, na modalidade presencial ou a distância. Cerca de 80% dos trabalhadores têm acesso a Internet, dispondo em média de 2 horas diárias para estudo. Entre os temas de interesse para capacitação, destacam-se: aspectos clínicos do cuidado de enfermagem, proposta do SUS para saúde mental, promoção da saúde mental, comunicação terapêutica, emergência psiquiátrica, teorias de enfermagem, psicofarmacologia e trabalho em equipe. Conclui-se que a educação permanente dos trabalhadores de enfermagem da área de saúde mental exige processos educativos mais amplos e problematizadores que visem o desenvolvimento de conhecimentos de caráter interdisciplinar. A equipe de enfermagem demostrou interesse por estratégias de educação permanente que favoreçam a tomada de decisão no processo de cuidar em saúde mental e que contribuam para o seu desenvolvimento profissional.

Correspondência para: Claudia Mara de Melo Tavares, e-mail: claumara@vr.microlink.com.br