Goiânia, 07 de novembro de 2005.

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PORTADOR DE FERIDAS CRÔNICAS

Fabiana Zerbieri Martins

Sadja Cristina Tassinari Mostardeiro

O número de pacientes portadores de feridas é relativamente grande, e usualmente este tipo de patologia costuma vir associada a eventos vasculares locais ou sistêmicos. Para DEALEY (1996), o conceito de ferida é “qualquer lesão que leve a uma quebra da continuidade da pele”, ou seja, qualquer ruptura que comprometa uma das principais barreiras de proteção do nosso organismo. O objetivo deste relato de experiência é descrever como a assistência ao portador de feridas pode ser desenvolvida de forma sistemática com a base em ações que envolvam a integralidade do cliente. A metodologia utilizada foi uma revisão bibliográfica acerca do tema, além da observação e atuação como acadêmica nas aulas práticas de Enfermagem no cuidado ao Adulto exercidas no Ambulatório do Hospital Universitário de Santa Maria. Através desta experiência foi possível observar a utilização de diferentes tipos de curativos, desbridamentos e compressões que podem ser empregados combinados a uma adequada educação e terapêutica complementar no tratamento das lesões. Através deste atendimento pode-se constatar que muitos clientes não possuem noções básicas de higiene e saúde, fato que interfere diretamente na condição das feridas. A enfermagem deve atuar na medida de promover a educação e a conscientização desta população como forma de estimular a sua autonomia, o autocuidado e a sua auto-estima que pode estar comprometida com alterações na imagem corporal devido às lesões. Para embasamento desta atuação deve ser consideradas as necessidades básicas individuais do ser humano e o seu tratamento de forma integral considerando todos os aspectos que o compõem enquanto pessoa. O tratamento de feridas exige do profissional conhecimento científico sobre anatomia, fisiologia e histologia humanas, além de entender o processo patológico e seus impactos de ordem psicológica, social e econômica sobre o cliente. Quanto à utilização de curativos entende-se que ela requer habilidade do profissional na perspectiva de realizar procedimentos curativos e paliativos de forma a aliviar o sofrimento do paciente considerando a etiologia, características, dimensões e aspecto da lesão. Durante esta experiência foi possível perceber que os profissionais de saúde necessitam enxergar o cliente além da lesão apresentada, descobrir o ser humano que existe atrás desta pessoa que se apresenta a seus cuidados, procurar entender o contexto em que ele está inserido e a maneira como ele vive e percebe o mundo.

Correspondência para: Fabiana Zerbieri Martins, e-mail: fzm@mail.ufsm.br