DILEMAS EXISTENTES NO COTIDIANO DE UM NAPS
Noêmia Rosa Felipe
Sabrina da Silva Soares
Silvana de Borba Silva
Waldine Viana da Silva
Em Santos, no final da década de 80, com a intervenção da casa de Saúde Anchieta pelo governo municipal da época foram instalados novos equipamentos de assistência aos doentes mentais e que na época serviu de modelo para o Brasil. Com o passar dos anos observou-se que a prática dos profissionais de saúde em um serviço aberto como os NAPS, não têm acompanhado essa nova identidade profissional comprometida com a Reforma Psiquiátrica. Por isso, o objetivo deste estudo foi entender a prática cotidiana dos profissionais de saúde em um dos NAPS da cidade de Santos. Este é um estudo descritivo e exploratório com abordagem qualitativa. A metodologia utilizada foi a observação no contexto do estudo num período de duas semanas e a entrevista com questão norteadora durante o mês de setembro/04. Os informantes foram cinco profissionais de nível superior. Como resultado da pesquisa, nas falas dos informantes, identificou-se um clima de insatisfação devido às limitações no desempenho das atividades desenvolvidas na unidade, relacionaram isso a valores, crenças, preconceitos, expectativas, limitações e possibilidades. A falta de investimento do poder público incide diretamente na qualidade da assistência oferecida à nossa população de baixa renda, a qual realmente utiliza os serviços públicos de saúde e, na grande maioria das vezes, conforma-se com o que lhe é oferecido. Não há pessoal qualificado em número suficiente, o pouco que existe é mal remunerado e a demanda continua crescendo. Em algumas situações a falta de preparo faz com que os profissionais de saúde se valham de mecanismos de defesa, levando-os a não olhar o paciente como pessoa, ocultando-se atrás dos prontuários e em outras atividades administrativas, gerando muitas vezes queixas por parte dos mesmos. Este estudo evidenciou que a comunicação e a escuta são competência a serem desenvolvidas e incorporadas no modo de ser de cada profissional de saúde mental, para que possam fazer do uso de si mesmos e da comunicação, um suporte a fim de evitar desencadeamento de crises nos pacientes em tratamento. Face ao exposto, cabe a reflexão, de uma forma afetiva e efetiva, ser dever de qualquer cidadão brasileiro respeitar os princípios constitucionais. Vale ressaltar que, apesar do caos que predomina a assistência pública brasileira, os membros da equipe do NAPS cenário deste estudo, lutam com bravura e garra para enfrentar os obstáculos da melhor maneira possível.
Correspondência para: Waldine Viana da Silva, e-mail: waldineviana@unisantos.br |