Goiânia, 07 de novembro de 2005.

O GÊNERO NO TRAJETO HISTÓRICO DA ENFERMAGEM

Maria Itayra Coelho de Souza Padilha

Helena Heidtmann Vaghetti

Alcione Leite da Silva

INTRODUÇÃO: Evidenciamos o gênero na história da enfermagem moderna brasileira, que carrega o estigma do feminino, mesmo quando alicerçado na externalidade concreta do masculino. Buscamos ampliar idéias para melhor compreender a profissão, considerando os papéis/ações femininas ligadas ao gênero e às relações sexistas e lançando luzes em antigas concepções sobre a natureza da sociedade e da enfermagem. OBJETIVO: Refletir sobre o gênero no interior do trajeto histórico da enfermagem. METODOLOGIA: É uma pesquisa histórica, em que os dados foram coletados através de revisão bibliográfica/documental e os achados, após o processo de reflexão, foram traduzidos em forma de texto. RESULTADOS: Na criação das primeiras escolas de enfermagem, utilizava-se a palavra enfermeira para designar as mulheres na profissão e enfermeiro para os homens, pois o Decreto nº 20109/31 de 15 de junho de 1931, que regulou o exercício da enfermagem, fornecia esse entendimento. Entretanto, em 1938, foi instituído o Dia do Enfermeiro, assumindo-se a denominação no masculino. Com a Reforma Universitária em 1968, passaram a ser aceitos homens nos cursos de enfermagem e os egressos começaram a assumir cargos de direção/chefias nas organizações de saúde e entidades de classe. Estudiosas(os) consideram esse momento em que a profissão se enxergou definitivamente na linguagem do masculino, pois o termo, nessa flexão, passou a ser linguagem comum. A justificativa era de que a profissão, composta pelos dois gêneros, deveria ser referenciada pelo masculino, por exigências da língua portuguesa. Mas, estava aí implícita a confirmação da idéia de superioridade masculina histórica, que sempre permeou as relações entre mulheres e homens. CONSIDERAÇÕES: O binômio enfermeira(a) mostra que identidades sexuais, e não basicamente de gênero, formam um agir e falar como ‘enfermeiro', para legitimar a prática como poder, mas sendo a profissão essencialmente feminina mantém o papel submisso, apesar da utilização do masculino. Porém, o futuro da relação de gênero apresenta uma tendência transformadora positiva, pois a enfermeira, ao acompanhar a evolução da mulher na sociedade, assume-se cidadã, profissionaliza-se e conquista o mercado de trabalho galgando papéis reservados anteriormente aos homens. Contudo, ainda pesa sobre sua cabeça séculos de história, que lhe negam o direito a uma subjetividade própria, tendo incorporado que essa só ocorrerá em função do único sujeito socialmente reconhecido: o homem.

Correspondência para: Helena Heidtmann Vaghetti, e-mail: vaghetti@vetorial.net