Goiânia, 07 de novembro de 2005.

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE DST/AIDS PARA ADOLESCENTES DE GOIÂNIA

Ida Kuroki Borges

Marcelo Medeiros

Introdução Os adolescentes em situação de rua apresentam maior vulnerabilidade às DST/AIDS, por conviverem com a violência, tráfico de drogas e exploração sexual inerentes ao universo das ruas e, às dificuldades de assimilação de informações sobre o assunto e acesso aos serviços de saúde. Estes aspectos foram aprofundados em relação à sexualidade, vulnerabilidade e exposição para as DST/AIDS. Objetivo: identificar e analisar as representações sociais da prevenção DST/AIDS por adolescentes com experiência de vida nas ruas que vivem em uma instituição abrigo na cidade de Goiânia. Método: abordagem social da pesquisa qualitativa em saúde tendo, como princípio metodológico, as representações sociais. Dados coletados por meio da entrevista semi-estruturada com adolescentes de ambos os sexos e observação participante anotadas em um diário de campo. Os dados foram analisados de acordo com a análise modalidade temática propostas por Bardin. Resultados: Identificamos três categorias temáticas: “onipotência e finitude”, prevenção e riscos, sexualidade e mudanças no corpo, sendo a AIDS a mais conhecida entre eles em detrimento de outras DST. A AIDS aparece como incurável levando à morte. Os fatores de riscos ligados à crença de onipotência, desinformação, o uso abusivo de drogas injetáveis ou não, dificuldade de acesso aos preservativos, faz com que diminua o limiar da percepção de riscos, e, consequentemente a adoção de proteção. O conhecimento da sexualidade é restrito às modificações físicas e biológicas, não sabendo lidar com o corpo, nas fases de seu desenvolvimento físico, afetivo, sexual e social. Pela irregularidade do início da vida sexual limitam ou desconhecem maneiras de se prevenirem contra as DST. Conclusão: estes resultados nos levam a considerar a responsabilidade de extendermos nossas atividades além dos limites da academia, contribuindo com as Politicas Públicas através de convênios mantidos com organizações governamentais ou não, num esforço conjunto de traçarmos projetos efetivos de intervenções para esta população dentro de seu contexto histórico. Considerações finais: O estudo mostra o percurso do menino e menina com experiência pregressa de vida nas ruas até chegarem em uma instituição abrigo. Os adolescentes reconhecem os riscos, acumulam certas informações de prevenção, em relação à DST e a aids, porém, entre o discurso e os meios de prevenção corretos, a distância é grande.

Correspondência para: Ida Kuroki Borges, e-mail: ida@superig.com.br