1º a 7/11 – Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal 2026
Celebrada anualmente no período de 1º a 7 de novembro, a Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal foi instituída pela Lei nº 13.230/2015.
De acordo com a referida legislação, são objetivos da campanha:
– Estimular ações preventivas e campanhas educativas relacionadas ao câncer bucal;
– Promover debates e outros eventos sobre as políticas públicas de atenção integral aos portadores de câncer bucal;
– Apoiar as atividades organizadas e desenvolvidas pela sociedade civil em prol do controle do câncer bucal;
– Difundir os avanços técnico-científicos relacionados ao câncer bucal.
Câncer é um termo que abrange mais de 100 diferentes tipos de doenças malignas que têm em comum o crescimento desordenado de células que podem invadir tecidos adjacentes ou órgãos a distância. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores, que podem espalhar-se para outras regiões do corpo.
Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Quando começam em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, são denominados carcinomas. Se o ponto de partida são os tecidos conjuntivos, como osso, músculo ou cartilagem, são chamados sarcomas.
Câncer de boca, também conhecido como câncer de lábio e de cavidade oral, é um tumor maligno que se desenvolve na estrutura bucal, composta por gengivas, bochechas, palato (céu da boca), língua (principalmente as bordas) e a região embaixo da língua (assoalho da boca).
É o quinto tumor mais frequente em homens no Brasil e, infelizmente, a maioria dos casos é diagnosticada em estágios avançados.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa de novos casos no país para cada ano do triênio 2026 a 2028 é de 17.190 novos casos. O número de mortes, conforme o Atlas de Mortalidade por Câncer – SIM, 2024, é de 7.156, sendo 5.430 homens e 1.726 mulheres.
Fatores de risco:
– Tabagismo: quem fuma cigarro ou utiliza outros produtos derivados do tabaco, como cigarro de palha, de Bali, de cravo ou kreteks, fumo de rolo, tabaco mascado, rapé, charutos, cachimbos e narguilé, entre outros, têm risco muito maior de desenvolver câncer de boca e de orofaringe do que não fumantes. Quanto maior o número de cigarros fumados, maior o risco de câncer.
– Consumo de bebidas alcoólicas: o consumo combinado de bebidas alcoólicas e de tabaco aumenta ainda mais o risco de desenvolver câncer de boca.
– Idade: na medida em que se envelhece, o risco de desenvolver câncer aumenta. O câncer de boca é mais frequente em pessoas com mais de 50 anos.
– Exposição ao sol sem proteção representa risco importante para o câncer de lábios.
– Excesso de gordura corporal (sobrepeso e obesidade) aumenta o risco de câncer de boca.
– Infecção pelo vírus HPV está relacionada a alguns casos de câncer de orofaringe.
Fatores de risco relacionados a atividade laboral:
– Exposição direta ao sol, comum em trabalhadores rurais, da construção civil e outros que atuam ao ar livre, e o contato com betume/asfalto, usado em obras de pavimentação e telhados.
– Também há risco para quem trabalha com radioiodos, como o iodo-131, especialmente em serviços de saúde, como medicina nuclear e serviços de radioproteção.
– A exposição ao papilomavírus humano (HPV) tipo 16 e/ou 18 no ambiente de trabalho (ocupações em saúde), também deve ser considerada.
Entender os riscos inerentes ao trabalho ajuda profissionais e empregadores a adotarem medidas de segurança, como uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPI), redução da exposição ao sol e cuidados específicos em ambientes que utilizam materiais radioativos.
Principais sinais e sintomas:
– Lesões (feridas/úlceras) na cavidade oral ou nos lábios, que não cicatrizam, por mais de 15 dias. Essas lesões podem apresentar sangramento e aumentar de tamanho.
– Manchas/placas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, gengivas, céu da boca ou bochechas.
– Nódulos (caroços) nos lábios, boca ou pescoço.
– Rouquidão persistente.
Nos casos mais avançados, observa-se:
– Dificuldade para mastigar e/ou engolir.
– Dificuldade para falar.
– Sensação de que há algo preso na garganta.
– Dificuldade para movimentar a língua.
– Perda de peso.
É preciso ter atenção para esses sinais e a qualquer mudança na coloração ou aspecto da boca. Ao notar alguma anormalidade, deve-se procurar um profissional de saúde para investigação diagnóstica. Esses sinais podem ser causados também por outras doenças e não significa necessariamente que seja câncer.
Tratamento:
Na grande maioria das vezes o tratamento é cirúrgico, tanto para lesões menores, com cirurgias mais simples, como para tumores maiores. O cirurgião de Cabeça e Pescoço é o profissional que vai avaliar o estágio da doença. Essa avaliação, associada a exames complementares determinará o tratamento mais indicado. A radioterapia e a quimioterapia exclusivas são indicadas em alguns casos específicos.
A cirurgia normalmente consiste na retirada da área afetada pelo tumor associada à remoção dos linfonodos do pescoço e reconstrução, quando necessário. Nas lesões mais simples, muitas vezes é necessário apenas a retirada da lesão. Nos casos mais complexos, além do tratamento cirúrgico, é necessária a realização de radioterapia para complementar o tratamento. Em todas as etapas da terapia é importante o aspecto interdisciplinar (com a participação de vários profissionais de saúde) visando a prevenir complicações e sequelas.
Prevenção:
– Não usar produtos de tabaco, fumado ou não. Se já usa, é importante parar. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para o tabagismo.
– Evitar o consumo de bebidas alcoólicas.
– Manter o peso corporal adequado.
– Manter boa higiene bucal.
– Usar preservativo (camisinha) na prática do sexo oral.
– Conversar sempre com um dentista ou médico sobre a saúde bucal.
Importância da detecção precoce:
O câncer de boca pode ser detectado em fase inicial, quando o tratamento é mais efetivo, aumentando as chances de cura. Para isso, é importante estar atento a qualquer alteração na boca, desde mudanças na coloração até o surgimento de lesões parecidas com aftas, que não cicatrizem em até 15 dias. Nesses casos, deve-se procurar imediatamente a unidade de saúde para ser examinado por um dentista ou médico.
Quando uma lesão suspeita é identificada, a biópsia (remoção de um pequeno pedaço da lesão para exame laboratorial) deve ser realizada para avaliação. Se confirmado o câncer, o paciente deve ser encaminhado imediatamente para tratamento especializado.
Fumantes e pessoas que consomem bebidas alcóolicas frequentemente têm maior risco de desenvolver câncer de boca e por isso devem estar especialmente atentas a sinais e sintomas suspeitos.
Aproveitar as consultas com o dentista ou o médico para tirar dúvidas e, principalmente, relatar qualquer sinal ou sintoma diferente.
Fontes:
Conselho Federal de Odontologia
Instituto Nacional de Câncer (INCA)