8/10 – Dia Nacional de Doação de Cordão Umbilical
O sangue do cordão umbilical e placentário é rico em células-tronco hematopoiéticas (precursoras das células do sangue) e pode ser uma fonte alternativa para transplante, indicado para pessoas com leucemias, linfomas, anemias graves, anemias congênitas, hemoglobinopatias, imunodeficiências congênitas, mieloma múltiplo, além de outras doenças do sistema sanguíneo e imune (há cerca de 70 indicações).
Após o nascimento do bebê, a placenta e o sangue do cordão umbilical são, rotineiramente, descartados. Porém, o sangue que resta neste material é extremamente rico em células jovens, imaturas e com capacidade de dar origem a todas as células do sangue. Elas são capazes de produzir elementos como hemácias, leucócitos e plaquetas, essenciais para o transplante de medula óssea.
Este material que seria jogado fora tornou-se, nos últimos anos, importante fonte destas células. É facilmente obtido e manipulável e não necessita ser totalmente compatível com o receptor, como no caso da medula óssea, sendo baixa a possibilidade de rejeição.
Daí a importância da data comemorativa, celebrada em 6 de outubro e instituída pela Lei nº 13.309/2016 como forma de estimular esse tipo de doação.
O transplante que utiliza as células encontradas na placenta e no cordão umbilical é, inúmeras vezes, a única alternativa para o tratamento de muitas doenças graves que durante vários anos tiveram como única fonte a medula óssea.
Vantagens da utilização de sangue de cordão umbilical e placentário:
A principal vantagem é que as células estão imediatamente disponíveis. Não há necessidade de localizar um doador e submetê-lo à retirada da medula óssea. Além disso, não é necessário haver compatibilidade total entre o sangue do cordão e o paciente, pois essas células mais imaturas são menos reativas imunologicamente, se comparado às células da medula óssea de adultos, sendo permitido algum nível de não compatibilidade.
Assim como em qualquer outra doação, doar o sangue do cordão também deve ser uma decisão voluntária. Existem as opções de doar para um banco público, onde o material poderá ser utilizado por qualquer paciente que necessite de um transplante ou pode ser feita a doação familiar direcionada, onde o sangue poderá ser utilizado em benefício de alguém da família que precise do transplante. Nesse caso, é a mãe do bebê que escolhe para onde irá o material coletado.
Como doar:
A doação é muito simples, bastando que a gestante manifeste sua vontade durante a internação para o parto. Será realizada uma entrevista para avaliar os antecedentes clínicos, cirúrgicos, obstétricos, ginecológicos e de doença hereditária na família da mãe e do pai do bebê, a fim de verificar a aptidão para ser doadora.
A coleta do sangue ocorre após o nascimento do bebê, durante o período em que ele está recebendo os primeiros cuidados pelo pediatra, e o médico está aguardando a saída da placenta do organismo materno. A coleta, portanto, não interfere no trabalho de parto e nem na saúde do bebê ou da mãe.
Antes de ser congelado (criopreservado), o sangue doado é testado para doenças infecciosas, sua vitalidade e capacidade de proliferação são avaliadas e é feita a determinação da tipagem HLA, sigla em inglês para Antígeno Leucocitário Humano, exame genético que verifica a compatibilidade necessária nos transplantes. Também é coletado sangue da doadora para investigar doenças infectocontagiosas (Chagas, sífilis, HIV, hepatites, etc.). De 3 a 6 meses depois do parto, estando todos os resultados normais, o material já pode ser liberado para transplante.
O processo de transplante é semelhante ao utilizado com doador de medula óssea, ou seja, após um regime de preparação com quimioterapia e/ou radioterapia, o paciente recebe as células-tronco em um procedimento semelhante a uma transfusão.
Em 2004 foi criada a Brasilcord, uma rede que reúne os Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical. Hoje, estão em funcionamento as unidades do Instituto Nacional de Câncer (INCA) no Rio de Janeiro, do Hospital Albert Einstein, do Hospital Sírio Libanês e dos hemocentros da Unicamp e de Ribeirão Preto, todos no estado de São Paulo. No restante do Brasil estão funcionando as unidades de Brasília, Florianópolis, Fortaleza e Belém. A instalação de bancos em todas as regiões do país é importante para contemplar a diversidade genética da população brasileira.
Fontes:
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
Associação de Medula Óssea (AMEO)
Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce)
Imagem: Instagram da Santa Casa de São João da Boa Vista (SP)
Instituto Nacional de Câncer (INCA)