8/4 – Dia Nacional do Sistema Braille 2026

Pontos em relevo que, combinados, formam 63 sinais para serem ‘lidos’ com as pontas dos dedos. Este, resumidamente, é o sistema Braille, homenageado no Brasil em 8 de abril, data de nascimento de José Álvares de Azevedo, primeiro professor cego do Brasil a ensinar o uso do método: um código universal para a escrita e a leitura das pessoas com deficiência visual.
Por sua importante contribuição para a melhoria no aprendizado das pessoas com deficiência visual, o professor recebeu o título de “Patrono da Educação para Cegos no Brasil”.
A celebração do Dia Nacional do Sistema Braille foi instituída pela Lei nº 12.266/2010 prevendo, ainda, que entidades públicas e privadas realizem eventos destinados a reverenciar a memória de Louis Braille, divulgando e destacando a importância do seu sistema na educação, habilitação, reabilitação e profissionalização da pessoa cega, por meio de ações que:
– Fortaleçam o debate social acerca dos direitos da pessoa cega e a sua plena integração na sociedade;
– Promovam a inserção da pessoa cega no mercado de trabalho;
– Difundam orientações sobre a prevenção da cegueira;
– Difundam informações sobre a acessibilidade material, à informação e à comunicação, pela aplicação de novas tecnologias;
– Incentivem a produção de textos em Braille;
– Promovam a capacitação de profissionais para atuarem na educação, habilitação e reabilitação da pessoa cega, bem como na editoração de textos em Braille.
O método Braille foi criado em 1824 pelo francês Louis Braille, na França. É um código universal que permite às pessoas cegas beneficiar-se da escrita e da leitura, dando-lhes acesso ao conhecimento, favorecendo sua inclusão na sociedade e o pleno exercício da cidadania.
Este sistema de escrita e leitura tátil é organizado pelo arranjo de seis pontos em relevo, dispostos na vertical em duas colunas de três pontos cada, no que se convencionou chamar de “cela braille”. A diferente disposição desses seis pontos permite a formação de 63 combinações ou símbolos para escrever textos em geral, anotações científicas, partituras musicais, além de escrita estenográfica.
O braille é empregado por extenso, isto é, escrevendo-se a palavra, letra por letra, ou de forma abreviada, adotando-se códigos especiais de abreviatura para cada língua ou grupo linguístico. O braille por extenso é denominado grau 1; já o grau 2 é a forma abreviada, empregada para representar as conjunções, preposições, pronomes, prefixos, sufixos, grupos de letras que são comumente encontradas nas palavras de uso corrente.
A principal razão do emprego do braille grau 2 é reduzir o volume dos livros impressos nesse sistema, permitindo o maior rendimento na leitura e na escrita. Uma série de abreviaturas mais complexas forma o grau 3, que necessita de um conhecimento profundo da língua, uma boa memória e uma sensibilidade tátil muito desenvolvida por parte do leitor.
Trata-se de um sistema de extraordinária universalidade, através do qual o cego pode ler e expressar-se em todas as línguas que usam o alfabeto ocidental, da forma mais simples e prática – com o uso de reglete e punção, equivalentes ao lápis e papel utilizados pelos videntes – até por meio dos suportes tecnológicos hoje existentes e que graças ao desenvolvimento da informática tem tornado a comunicação cada vez mais inclusiva para as pessoas com deficiência visual.
O sistema foi utilizado no Brasil na sua forma original, até a década de 1940, quando precisou passar por algumas modificações impostas pela reforma Ortográfica da Língua Portuguesa, ocorrida na época.
A falta de uma definição governamental fez com que as alterações ocorridas posteriormente ficassem à mercê dos professores e técnicos especializados das instituições ligadas à educação de cegos e à produção de livros em braille. Esses profissionais procuraram manter o sistema acessível e atualizado até a última década do século XX, quando o governo brasileiro decidiu adotar, para todo o País, uma política de diretrizes e normas para o uso, ensino, produção e difusão do braille em todas as suas modalidades de aplicação, compreendendo principalmente a Língua Portuguesa.
Assim, em 1999 foi criada a Comissão Brasileira do Braille, que passaria a partir do ano seguinte a trabalhar em conjunto com uma comissão portuguesa criada com o mesmo objetivo. O trabalho foi concluído em 2002 e a Grafia Braille para a Língua Portuguesa passou a ser adotada em todos os territórios brasileiros e portugueses, conforme a recomendação da União Mundial de Cegos e da Unesco. Trata-se, portanto, de um documento normatizador e de consulta, destinado especialmente a professores, transcritores, revisores e usuários deste sistema que revolucionou a vida dos cegos de todo o mundo, permitindo a sua inclusão social e o desenvolvimento de suas potencialidades.
O impacto da escrita e da leitura para as pessoas com deficiência visual em todo o mundo alcança a maioria dos idiomas, as ciências exatas e naturais, a música, a informática, acompanhando a história das sociedades e seu desenvolvimento global e dinâmico. Daí a importância de agregar tecnologia para produzir textos em Braille com maior qualidade e quantidade.
Fontes:
Câmara Municipal de Afonso Cláudio (ES)
Fundação Dorina Novill para Cegos
Instituto Benjamin Constant
Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco
Publicado: Thursday, 01 de January de 1970