HIV; TUBERCULOSE; ESTUDOS ECOLÓGICOS; ESTUDOS DE SÉRIES TEMPORAIS; ANÁLISE POR CONGLOMERADOS
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LIMA, L. V. de et al. Tendências temporais e agrupamentos regionais dos desfechos da coinfecção tuberculose-HIV no Brasil. Revista de Saúde Pública, v. 59, p. e39, 2025. Disponível em Scielo
OBJETIVO: Investigar as tendências temporais e os agrupamentos regionais dos desfechos do tratamento da tuberculose em pessoas com HIV no Brasil, considerando sua relação com indicadores socioeconômicos e programáticos. MÉTODOS: Estudo ecológico com dados de pessoas vivendo com HIV que iniciaram e encerraram o tratamento para tuberculose entre 2015 e 2021 no Brasil. Foram descritas as tendências semestrais das taxas de cura, interrupção do tratamento e óbito nos estados brasileiros, usando-se modelos de regressão joinpoint. Análises de cluster, estratificadas em três portes populacionais, foram realizadas pelo método k-means visando identificar agrupamentos nas 510 regiões geográficas imediatas. Empregaram-se indicadores socioeconômicos e programáticos relacionados à interrupção do tratamento e ao óbito, mediante associação em modelos multivariados de regressão binomial negativa. RESULTADOS: Analisaram-se 54.362 tratamentos de tuberculose em pessoas com HIV, com taxas de cura em 55,51%, interrupção em 23,33% e óbito em 21,16%, para o período. Observou-se estabilidade na cura a nível nacional, enquanto a interrupção do tratamento aumentou semestralmente em 2,54% (variando entre 1,59% e 3,70%) e o óbito em 9,31% (oscilando entre 7,41% e 17,24%). Estados como Ceará e Amapá apresentaram as piores tendências para as taxas de interrupção do tratamento e óbito. Regiões com maiores desigualdades na distribuição de renda, percentuais de trabalhadores com ensino fundamental, percentuais de densidade domiciliar e coberturas da saúde suplementar tiveram elevadas taxas de interrupção do seguimento e óbito. Em contrapartida, aquelas com maiores expectativas de anos de estudo e internações por condições sensíveis à atenção primária apresentaram menores probabilidades desses desfechos. CONCLUSÃO: Nacionalmente, apesar da estabilidade na cura, viu-se aumento nas taxas de interrupção do tratamento e óbito por tuberculose em pessoas com HIV. As disparidades regionais na relação de indicadores socioeconômicos e programáticos com os desfechos sugerem iniquidades no acesso e na adesão ao tratamento da tuberculose nos diferentes territórios do país.
Publicado: Thursday, 01 de January de 1970