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“Mais que o intestino” : 19/5 – Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal 2026

O Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal (DII), celebrado anualmente em 19 de maio, é uma campanha de conscientização que ocorre desde 2010 unindo pessoas do mundo todo.

Para 2026, o tema explorado pelo movimento destaca que a DII é mais do que apenas um problema intestinal e que é necessário focar nas realidades que muitas vezes passam despercebidas, incluindo-se o estresse, a dor, os relacionamentos e a saúde mental – fatores que moldam o dia a dia dos acometidos pela condição.

Mundialmente, as DII atingem mais de cinco milhões de pessoas. No Brasil, a cada 100 mil indivíduos, 13 tem uma DII e cerca de 41% dos pacientes demoram em média 12 meses para receber o diagnóstico.


Doença Inflamatória Intestinal é um termo geral que engloba inflamações crônicas do trato digestivo. Acredita-se que fatores ambientais, genéticos e condições do sistema imunológico podem estar envolvidos na sua origem. As principais DII são a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa.

A Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do sistema digestório (da boca até o ânus). De forma menos comum, podem ocorrer manifestações fora do intestino, como nas articulações, nos olhos, na pele e na boca. Na doença de Crohn, todas as camadas da parede intestinal são comprometidas.

Os principais sintomas são dores na região do abdômen, febre, perda de peso, redução do apetite e necessidade urgente de evacuar, com fezes que podem ser acompanhadas de pus ou sangue.

A condição é categorizada em duas fases:

– Aguda (ativa): quando a doença causa inflamações caracterizadas principalmente por dores;
– Remissão: quando não há sintomas nem inflamação ativa.


A Retocolite Ulcerativa pode atingir partes ou todo o intestino grosso, chamado de cólon, e o reto, com episódios recorrentes de inflamação. Nesse caso, acomete principalmente a camada interna do intestino, chamada de mucosa.

Assim como a Doença de Crohn, a Retocolite Ulcerativa evolui com episódios recorrentes de inflamação, que deixam a mucosa do intestino inchada e irritada. Esse processo inflamatório dificulta a absorção de água, gordura e nutrientes; pode causar dor na região abdominal, sangramentos e diarreia.


As DII são crônicas e por enquanto não há cura definitiva. Seu tratamento inclui medicamentos imunossupressores e/ou terapia biológica e alimentação leve para não irritar o intestino.

É fundamental manter o acompanhamento médico e os cuidados indicados, para reduzir a frequência das crises e melhorar a qualidade de vida, evitando complicações de longo prazo.


DII e dieta:

Por serem doenças que acometem o trato gastrintestinal, funções como a digestão dos alimentos e a absorção dos nutrientes podem ser afetadas, além do trânsito intestinal.

Assim, é indispensável que o paciente compreenda que a alimentação faz parte de seu tratamento e o auxílio de um nutricionista é fundamental para orientar a dieta, de modo a atender suas necessidades nutricionais e contribuir para a prevenção de deficiências e excessos na nutrição, considerando ainda a fase da doença, os sintomas e os medicamentos em uso.

Uma alimentação adequada contribui para a melhoria do bem-estar, facilita a cicatrização e a restauração da mucosa gastrintestinal, previne a deficiência de nutrientes, além de promover alívio dos sintomas. Não há uma dieta específica para o paciente com DII, mas alguns cuidados são importantes na abordagem nutricional desta doença, tanto na fase da atividade quanto na fase da remissão.

Algumas recomendações nutricionais gerais para o paciente com DII incluem:

– Realizar várias refeições ao longo do dia, consumindo volumes menores;
– Comer devagar e mastigar bem os alimentos;
– Comer em ambientes tranquilos;
– Ler o rótulo dos alimentos para a escolha adequada de produtos;
– Fazer a higienização adequada de frutas, verduras e legumes para evitar contaminações;
– Obter alimentos de procedência conhecida e segura;
– Optar por uma alimentação saudável e balanceada, incluindo, conforme demanda individual, carboidratos, lipídios, proteínas, vitaminas, minerais e também as fibras.


Embora sejam enfermidades crônicas, as DII não são consideradas doenças fatais. Quase todas as pessoas afetadas mantêm uma vida útil e produtiva, apesar de algumas delas necessitarem de hospitalização nos períodos de maior atividade da condição. Nos intervalos dos períodos de exacerbação, a maioria dos pacientes sente-se bem e fica relativamente livre de sintomas, levando uma vida absolutamente normal.


Fontes:

Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD)
Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro
Crohn’s & Colitis Foundation
Dr. Dráuzio Varella



Publicado: Thursday, 01 de January de 1970

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