“Conheça os Sintomas” : 22/5 – Dia Mundial da Pré-eclâmpsia 2026

Celebrado em 22 de maio anualmente, desde 2017, o Dia Mundial da Pré-eclâmpsia reúne organizações de saúde materna de todo o mundo, unindo forças para aumentar a conscientização sobre esta complicação da gravidez que pode ser fatal.
Sob o tema “Conheça os Sintomas”, a campanha de 2026 pretende educar, capacitar e inspirar mulheres a cuidarem da sua saúde durante a gravidez e a reconhecerem os sintomas da pré-eclâmpsia.
A condição é um problema global em que a maioria das mortes ocorre em países de baixa renda. Estima-se que quase 76.000 mães e 500.000 bebês em todo o mundo perdem a vida a cada ano devido a pré-eclâmpsia e distúrbios hipertensivos relacionados à gravidez.
Os distúrbios hipertensivos da gravidez (DHGs) são responsáveis por cerca de 16% das mortes maternas nos países de baixa renda, especificamente, um quarto das mortes maternas na América Latina e um décimo de mortes maternas na África e na Ásia.
No Brasil, estima-se que acometa cerca de 15% das gestantes. Os dados brasileiros indicam que a mortalidade materna por síndromes hipertensivas alcance até 170 óbitos maternos a cada 100 mil nascidos vivos em serviços especializados em alto risco obstétrico – o que reforça o entendimento de que a hipertensão na gravidez é uma das principais causas de morte materna evitável. Além disso, estima-se que cerca de 25% dos partos prematuros ocorram em casos de pré-eclâmpsia materna.
Conhecida popularmente como a pressão alta da gravidez, a pré-eclâmpsia é uma síndrome que provoca alterações sistêmicas (renais, cerebrais e hepáticas) e que surge durante a segunda metade da gestação ou até seis semanas após o parto. Eclampsia é uma palavra de origem grega que significa raio ou relâmpago, pois é considerada rápida e perigosa.
A hipertensão arterial induzida pela gestação e a hipertensão arterial crônica podem evoluir para a pré-eclâmpsia. Neste estágio inicial da doença as pacientes passam a apresentar complicações renais. Os outros dois estágios são a pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, quando a pressão arterial é igual ou superior a 160/110 mmHg e existem danos além do renal, como dor de cabeça, náuseas ou vômitos e anemia; e a eclampsia, quando ocorre a convulsão da gestante. Nesse estágio, há também o risco de Acidente Vascular Cerebral, de sangramento hepático e óbito da gestante e do feto.
Como a doença impede o desenvolvimento adequado da placenta, a monitorização da gestação deve ser feita de perto, uma vez que o único tratamento definitivo é o parto, procedimento que deve ser realizado para salvaguardar a vida da mãe e do feto, no momento mais oportuno. No entanto, até que os riscos do parto prematuro possam ser diminuídos para o feto, o tratamento da mãe se baseia no controle da pressão arterial e das demais complicações associadas.
O acompanhamento adequado da gestante pela assistência pré-natal pode identificar precocemente os fatores de risco e, o tratamento rápido – não só da pré-eclâmpsia, mas de todas as outras doenças e complicações associadas – garantem a sobrevida materna e neonatal.
A causa exata do problema ainda não foi estabelecida, porém, são conhecidos alguns fatores de risco:
– Pressão alta crônica;
– Primeira gestação;
– Diabetes;
– Lúpus;
– Obesidade;
– Pessoas da família com as doenças citadas acima;
– Gravidez depois dos 35 e antes dos 18 anos de idade;
– Gestação de gêmeos.
Sintomas:
A pré-eclâmpsia pode ocorrer sem sintomas, porém, os sinais a seguir são os mais comuns: dor de cabeça forte que não desaparece com medicação; inchaço no rosto e nas mãos; ganho de peso de um quilo ou mais no decorrer de uma semana; dificuldade para respirar ou respiração ofegante; náusea ou vômito após os primeiros três meses de gestação; perda ou alterações da visão, como borramento e luzes piscando; e dor no lado direito do abdome, próximo ao estômago.
Os sintomas da eclampsia incluem dor de cabeça, de estômago e perturbações visuais que podem ocorrer antes da convulsão; sangramento vaginal e coma. É uma emergência médica e representa um sério risco à vida da mãe e do bebê.
Tratamento:
A cura da pré-eclâmpsia só ocorre após o nascimento do bebê. Grávidas com o problema devem medir a pressão com frequência, fazer exames de laboratório, bem como utilizar medicação para o controle da hipertensão.
Outras medidas que o médico pode indicar, incluem:
– Alimentação com baixo consumo de sal e de açúcar;
– Repouso da mãe, que deve deitar-se do lado esquerdo (acredita-se que essa posição ajuda na circulação sanguínea para o útero e rins);
– Aumentar a ingestão de água;
– Fazer rigoroso acompanhamento pré-natal.
Prevenção:
Infelizmente, não existe um método garantido para evitar a pré-eclâmpsia. A melhor maneira de prevenir este e outros problemas, é a realização do pré-natal, com acompanhamento cuidadoso da gravidez e da pressão arterial.
Grávidas com fatores de risco ou que já tiveram pré-eclâmpsia antes devem ter a gestação acompanhada de perto, com consultas mais frequentes, principalmente no final da gravidez, para detectar o problema o mais cedo possível, se ele aparecer.
Fontes:
Action on Pre-eclampsia (Reino Unido)
Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros
Dr. Dráuzio Varella
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais
Preeclampsia Foundation (EUA)
Publicado: Thursday, 01 de January de 1970