“Tireoide e Nutrição” : 25/5 – Dia Mundial da Tireoide 2026

O Dia Mundial da Tireoide é celebrado todos os anos em 25 de maio, data escolhida para homenagear a fundação da European Thyroid Association, em 1965, na Itália. A organização foi a primeira a propor um dia global dedicado à conscientização sobre a saúde da tireoide, sendo oficialmente celebrada desde 2008.
Apoiado por associações de tireoide em todos os principais continentes, o evento promove a educação pública, incentiva a realização de exames precoces e defende um melhor acesso aos cuidados, principalmente em países de baixa e média renda, onde as doenças da tireoide são comuns, mas subdiagnosticadas.
São objetivos da campanha:
– Aumentar a conscientização sobre a saúde da tireoide;
– Promover a compreensão dos avanços no tratamento de doenças da tireoide;
– Enfatizar a prevalência de doenças da tireoide;
– Destacar a necessidade urgente de programas de educação e prevenção;
– Ampliar o conhecimento sobre novas modalidades de tratamento.
O tema escolhido para 2026: “Tireoide e Nutrição”, pretende destacar o papel essencial que a dieta, a ingestão adequada de nutrientes (como iodo e selênio) e a saúde metabólica geral desempenham na função da glândula e na prevenção de distúrbios a ela relacionados.
A tireoide é uma glândula localizada na altura no pescoço e próximo ao chamado pomo-de-adão. Tem dois lobos e seu formato lembra o de uma borboleta.
Em comparação com outros órgãos e estruturas do corpo, a tireoide é bem pequena, mas, isso não reflete em sua importância para o funcionamento adequado do organismo.
Seus hormônios controlam o metabolismo e o crescimento, influenciando funções como a frequência cardíaca, a temperatura do corpo e a transformação dos alimentos ingeridos em energia.
Sua atuação estimula o trabalho de praticamente todos os tecidos do organismo para a produção de proteínas, elevando o consumo de oxigênio em uma série de processos metabólicos que influenciam no desenvolvimento desde a infância.
Interfere no humor, regula o ciclo menstrual em mulheres em idade fértil e afeta a fertilidade como um todo, impactando a capacidade de reprodução de homens e mulheres.
As doenças da tireoide podem atingir pessoas em todas as fases da vida e de qualquer sexo. Aproximadamente 10% da população adulta têm nódulos tireoidianos que, em cerca de 90-95% dos casos são benignos. Distúrbios autoimunes, inflamações, exposição à radiação e deficiência em determinados nutrientes (como o iodo) são as causas mais comuns de alterações da função dessa glândula.
Entre os principais distúrbios, destacam-se:
Hipertireoidismo: Ocorre quando há produção excessiva dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). Sinais mais comuns:
– Problemas para dormir;
– Batimento cardíaco acelerado;
– Disfunção intestinal com aumento do número de idas ao banheiro;
– Sensação de excesso de energia, embora acompanhada de cansaço;
– Sensação de calor e sudorese;
– Alterações no ciclo menstrual.
Hipotireoidismo: Ocorre quando há queda na produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). Sinais mais comuns:
– Depressão;
– Batimentos cardíacos mais lentos;
– Prisão de ventre;
– Alterações no ciclo menstrual;
– Problemas de memória;
– Cansaço e sono excessivos;
– Pele seca e queda de cabelo;
– Ganho de peso;
– Elevação nos níveis de colesterol.
Hipotireoidismo congênito: Caracteriza-se pela produção insuficiente de hormônios tireoidianos desde o nascimento do bebê. É a principal causa de deficiência mental passível de prevenção no mundo. Seu diagnóstico e tratamento precoces podem evitar suas consequências, por isso, a realização do Teste do Pezinho é fundamental.
Bócio: É o aumento de volume da tireoide, que pode ou não estar associado ao hipo ou hipertireoidismo.
Doença de Graves: É um transtorno autoimune que leva ao hipertireoidismo. Além das manifestações mais comuns, também provoca irritação nos olhos e pálpebras.
Síndrome de Hashimoto (ou tireoidite de Hashimoto): É um transtorno autoimune que leva ao hipotireoidismo.
Câncer de tireoide: Tipo raro de câncer que acomete cerca de 1% da população.
Cuidados com a nutrição: ingestão de iodo, selênio, soja e glúten
Alguns alimentos são conhecidos por causarem aumento da glândula tireoide, mais conhecido como bócio. O componente da dieta mais relacionado a esse fenômeno é o iodo, que é essencial para a síntese dos hormônios tireoidianos.
Frutos do mar, peixes, alguns pães, laticínios e grãos são ricos em iodo. Além disso, no Brasil, desde a década de 1950, o sal consumido no dia a dia já vem com suplementação de iodo, instituída por lei, para prevenir sua deficiência. Destaca-se que a substância é importante mas precisa ser ingerida na quantidade adequada.
Outra importante substância para o hormônio da tireoide é o selênio, que está presente em alimentos como frutos do mar e carnes orgânicas. Um dos alimentos mais ricos nesse elemento, no país, é a castanha do Pará. Por outro lado, alimentos com selênio também precisam ser consumidos de forma equilibrada, pois, quando ingerido exageradamente pode causar diversos sintomas, como náuseas, descoloração, fragilidade e unhas quebradiças, queda de cabelo, aumento do risco de diabetes, entre outros.
A soja é uma fonte de proteína muito usada atualmente em dietas com restrições de carne e de leite. No entanto, estudos sugerem que a ação de um dos seus principais componentes, a isoflavona, pode aumentar o risco de disfunção tireoidiana (aumento da tireoide ou bócio e alteração na absorção do hormônio tireoidiano). Assim, o consumo do grão também precisa ser avaliado e conduzido de forma correta.
Há boas evidências de que existe relação entre a doença autoimune da tireoide e a doença celíaca, que é uma reação exagerada do sistema imunológico ao consumo de glúten. Contudo, até o momento os estudos não conseguiram demonstrar que uma dieta sem glúten a longo prazo e na ausência de doença celíaca, desempenhe algum papel na saúde de pacientes com ou sem doença tireoidiana estabelecida.
Cumpre ressaltar que uma dieta saudável e um tratamento guiado por profissional capacitado são fundamentais para alcançar os melhores resultados e lidar com as doenças da tireoide da melhor forma possível.
Fontes:
Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
European Thyroid Association
Latin American Thyroid Society
Rede D’Or São Luiz
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
Thyroid Federation International
Publicado: Thursday, 01 de January de 1970