“Navegando juntos pela EM” : 30/5 – Dia Mundial da Esclerose Múltipla 2026

Em 30 de maio de 2009 a The Multiple Sclerosis International Federation (MSIF) e seus membros associados deram início à celebração do Dia Mundial da Esclerose Múltipla (EM). Com foco em variados temas, centenas de milhares de pessoas em todo o mundo são alcançadas pela campanha – um dia de solidariedade global, ação coletiva e esperança.
O tema definido para o triênio 2024-2026 é o diagnóstico; o nome da campanha é “Meu Diagnóstico de EM” e o slogan é: navegando juntos pela EM.
Essa temática aborda a importância da identificação precoce e precisa para todas as pessoas que vivem com EM. Destaca as barreiras globais ao diagnóstico, aumentando a conscientização por meio do compartilhamento de histórias reais e dados. Reivindica melhor treinamento para profissionais de saúde, novas pesquisas e avanços clínicos para a condição, lembrando que juntos, pode-se construir comunidades e sistemas informados e acolhedores que apoiem as pessoas com EM.
Esclerose múltipla (EM) é uma das doenças mais comuns do sistema nervoso central, formado pelo cérebro e medula espinhal. Estima-se que, atualmente, 2,9 milhões de pessoas em todo o mundo sejam acometidas. No Brasil, cerca de 40 mil indivíduos são afetados. A condição ocorre geralmente entre jovens, e de modo especial em mulheres de 20 a 40 anos.
Trata-se de um transtorno crônico e autoimune, ou seja, as células de defesa do organismo atacam o próprio sistema nervoso central, provocando lesões cerebrais e medulares.
É uma doença inflamatória causada por danos à mielina – uma substância gordurosa que isola os nervos e cuja função é fazer com que o impulso nervoso percorra os neurônios. A perda de mielina, chamada de desmielinização, afeta a forma como os nervos conduzem os impulsos elétricos para e do cérebro. Como a mielina está presente em todo sistema nervoso central, qualquer região do cérebro pode ser acometida e o tipo de sintoma está diretamente relacionado à região afetada.
A enfermidade se manifesta, na maior parte das vezes, por surtos ou ataques agudos, podendo entrar em remissão de forma espontânea ou com o uso de medicamentos. Os sintomas podem ser graves ou parecer tão triviais que o paciente pode não procurar assistência médica por meses ou anos.
Sintomas mais comuns:
– Fadiga: É um dos mais comuns e mais incapacitantes. Manifesta-se por um cansaço intenso e momentaneamente incapacitante. Muito comum quando o paciente se expõe ao calor ou realiza um esforço físico intenso. Pode ocorrer de forma imprevisível ou desproporcional em relação à atividade realizada.
– Alterações fonoaudiológicas: Alterações ligadas à fala e à deglutição, que podem surgir no início da doença ou no decorrer dos anos, com sintomas como: fala lentificada, palavras arrastadas, voz trêmula, pronúncia hesitante das palavras ou sílabas, bem como dificuldade para engolir líquidos, pastosos ou sólidos.
– Transtornos visuais: Visão embaçada; visão dupla.
– Problemas de equilíbrio e coordenação: Perda de equilíbrio; tremores; instabilidade ao caminhar; vertigens e náuseas; falta de coordenação; debilidade (nas pernas e ao caminhar).
– Fraqueza geral.
– Rigidez de um membro ao movimentar-se, acometendo principalmente os membros inferiores.
– Sensação de queimação ou formigamento em partes do corpo.
– Dores musculares.
– Dificuldade de controle da bexiga (retenção ou perda de urina) ou intestino.
– Transtornos cognitivos: Processamento da memória e execução de tarefas são as funções mais comprometidas.
– Transtornos emocionais: Pode haver sintomas de depressão, de ansiedade, de humor, de irritação e de flutuação entre depressão e mania (transtorno bipolar).
– Transtornos sexuais: Disfunção erétil nos homens e diminuição da lubrificação vaginal nas mulheres.
As causas envolvem predisposição genética (alguns genes que regulam o sistema imunológico já foram identificados) em combinação com fatores ambientais, que funcionam como “gatilhos”, destacando-se:
– Infecções virais (vírus Epstein-Barr);
– Exposição ao sol e consequente níveis baixos de vitamina D, prolongadamente;
– Exposição ao tabagismo;
– Obesidade;
– Exposição a solventes orgânicos.
Tratamento:
O tratamento da EM pode ser complexo e envolve equipe multidisciplinar, uso de condutas medicamentosas e não medicamentosas.
Os tratamentos medicamentosos disponíveis buscam reduzir a atividade inflamatória e os surtos ao longo dos anos, contribuindo para a redução do acúmulo de incapacidades durante a vida do paciente. Além do foco na doença, tratar sintomas como os urinários e a fadiga é muito importante para qualidade de vida do indivíduo.
Aliado ao tratamento medicamentoso, a reabilitação é fundamental para reduzir rigidez, espasmo, fadiga, depressão, entre diversos outros sintomas.
Dentre as terapias de neurorreabilitação, incluem-se: psicologia, neuropsicologia, fisioterapia, arteterapia, fonoaudiologia, fisioterapia, neurovisão e terapia ocupacional.
Já as terapias complementares promovem a harmonia física e emocional, tratando do paciente como um todo. Auxiliam na melhora da capacidade de realizar atividades do dia a dia, contribuem com os aspectos psicológicos, melhoram autoestima, autoconfiança e aceitação. No âmbito físico, ajudam a aliviar dores, melhoram a força e a flexibilidade.
Não há como prevenir o aparecimento da EM, porém, diagnosticá-la de forma precoce faz toda a diferença. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maior a chance de modificar o curso natural da doença em longo prazo – reduzindo o número de surtos, de lesões e de sequelas neurológicas.
Fontes:
Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM)
Ministério da Saúde. Protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein
The Multiple Sclerosis International Federation (MSIF)
Publicado: Thursday, 01 de January de 1970