21/6 – Dia Nacional de Controle da Asma 2026

O Dia Nacional de Controle da Asma, celebrado em 21 de junho anualmente, tem como objetivo aumentar a conscientização sobre como prevenir e controlar a doença. A data escolhida coincide com a chegada do inverno, período em que os sintomas se agravam por conta das baixas temperaturas e da maior permanência em ambientes fechados.
A asma está entre as doenças crônicas mais comuns no país, sendo um dos maiores motivos de faltas ao trabalho e à escola. De acordo com a literatura médica, cerca de 10% da população tem o traço genético da asma e apresenta indícios de rinite alérgica. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que há cerca de 150 milhões de asmáticos em todo o mundo. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, há cerca de 20 milhões de brasileiros asmáticos, entre crianças e adultos e, anualmente, ocorrem 350.000 internações devido a casos mais extremos – terceira maior causa de hospitalização no Sistema Único de Saúde (SUS).
Na asma, a soma de fatores ambientais e genéticos provoca uma resposta exagerada do sistema imunológico aos chamados gatilhos ou desencadeantes, fazendo com que condição se desenvolva ou se agrave.
Vale ressaltar que não se trata de uma enfermidade transmissível por vírus ou bactérias e, sim, de uma predisposição genética que pode ou não causar crises.
Dentre os fatores genéticos, ou seja, característicos da própria pessoa, destacam-se o histórico familiar de asma ou rinite e obesidade, tendo em vista que pessoas com sobrepeso têm mais facilidade de desencadear processos inflamatórios.
Os fatores ambientais são representados pela exposição à poeira, infecções virais, alérgenos como ácaros, pólen, pelo de animais, fumaça de cigarro, irritantes químicos e poluição ambiental, mudanças climáticas, exercícios físicos vigorosos, estresse emocional e até mesmo alguns tipos de medicamentos.
Sintomas:
A asma tem sintomas bem característicos, mas alguns deles podem ser confundidos com os de outras doenças, como por exemplo, a bronquite (inflamação dos brônquios provocada por infecção viral ou bacteriana). Para um diagnóstico adequado ou seguro, o ideal é procurar um profissional de saúde ao perceber sinais, como:
– Tosse seca;
– Chiado no peito;
– Dificuldade para respirar;
– Respiração rápida e curta;
– Desconforto torácico;
– Ansiedade.
Tratamento:
Tendo em vista que a asma é uma condição crônica e sem cura, o objetivo do tratamento é melhorar a qualidade de vida da pessoa por meio do controle dos sintomas e melhoria da função pulmonar. A terapia é definida a partir dos sintomas, do histórico clínico e da avaliação funcional, conforme cada caso, e inclui o uso de medicamentos, medidas educativas e de controle dos fatores que podem provocar as crises.
São utilizados medicamentos para alívio rápido dos sintomas e para a manutenção do controle de crises. A base do tratamento da asma persistente é o uso continuado de medicamentos com ação anti-inflamatória, também chamados controladores, sendo os corticosteroides inalatórios (bombinhas) os principais. Também podem ser associados os medicamentos de alívio, com efeito broncodilatador. O ajuste da terapêutica visa o uso das menores doses necessárias para a obtenção do controle da doença, com isso reduzindo os potenciais efeitos adversos e os custos.
O Sistema Único de Saúde (SUS) fornece tratamento gratuito para as pessoas com asma desde 2011, por meio do Programa Farmácia Popular.
O tratamento não medicamentoso, baseado na educação do paciente, é parte fundamental da terapêutica da asma e deve integrar todas as fases do atendimento ambulatorial e hospitalar. Deve-se levar em conta aspectos culturais e abranger o conhecimento da doença, incluindo medidas para redução da exposição aos fatores desencadeantes e a adoção de plano de autocuidado baseado na identificação precoce dos sintomas. A cada consulta o paciente deve receber orientações de autocuidado, plano escrito para exacerbações e reagendamento para nova consulta conforme a gravidade apresentada.
A asma tem diferentes graus que podem evoluir ou regredir. O mais brando tem sintomas leves e com pausas. Manifesta-se em até dois dias por semana e até duas noites por mês. Ela pode evoluir até a um grau 4, em que ocorrem sintomas graves e persistentes ao longo do dia, frequentemente durante a noite e várias vezes por semana.
A condição pode desencadear uma série de processos com potenciais complicações, algumas graves. As principais são:
– Capacidade reduzida de se exercitar ou fazer outras atividades;
– Insônia;
– Alterações permanentes no funcionamento dos pulmões;
– Tosse persistente;
– Dificuldade para respirar, a ponto de precisar de ajuda (ventilação);
– Hospitalização e internação por crises severas;
– Efeitos colaterais de medicações usadas para controlar a doença;
– Morte.
O óbito por asma pode ocorrer em casos extremos e raros, por exemplo, quando a crise é muito intensa e o paciente não recebe o tratamento adequado ou se houver alguma outra complicação clínica. Daí a importância de procurar o serviço de saúde logo nos primeiros sintomas.
Prevenção:
Embora não haja como evitar as causas genéticas da asma é possível controlar as crises e até prevenir que elas aconteçam com algumas medidas simples que envolvem o controle do ambiente e o comportamento do paciente, tais como:
– Deixar o ambiente do convívio diário, principalmente o quarto, bem limpo e arejado; a limpeza deve ser diária com aspirador (de preferência que tenha o filtro HEPA) e pano úmido, sem produtos com cheiro forte;
– Não usar vassouras, pois espalham a poeira fina, que ficará em suspensão e voltará a se depositar;
– Retirar tapetes, carpetes, cortinas, almofadas, estantes com livros, enfim, tudo que facilite o acumulo de pó;
– Encapar colchões e travesseiros com tecido específico, para criar uma barreira física contra os ácaros;
– Evitar animais dentro de casa;
– Evitar cheiros fortes;
– Não fumar e evitar ambientes com fumantes;
– Agasalhar-se de forma adequada, principalmente na época de frio;
– Praticar atividades físicas regularmente;
– Tomar sol. A vitamina D está relacionada a uma série de doenças do sistema imunológico, como a asma;
– Ter alimentação saudável;
– Manter-se bem hidratado;
– Manter-se com o peso ideal;
– Vacinar-se contra a gripe.
Fontes:
Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS)
Dr. Dráuzio Varella
Ministério da Saúde
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein
Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia