“É Preciso Saber Pra Viver!” : Mês de conscientização sobre o câncer de mama
Outubro Rosa, mês de conscientização sobre o câncer de mama, começou a ser celebrado em 1985 como um movimento de esclarecimento, com duração de uma semana, promovido pela Sociedade Americana do Câncer, em parceria com a Imperial Chemical Industries, uma empresa britânica que fabricava um medicamento para tratar este tipo de câncer (tamoxifeno). A campanha acabou se tornando um evento com duração de um mês e expandiu-se por vários países.
Em 1992, o laço rosa entrou em cena após a editora-chefe da revista Self firmar uma parceria para distribuir laços rosas depois da publicação da segunda edição anual da revista, dedicada ao evento.
Outras variações do laço rosa surgiram nos últimos anos para conscientizar sobre o fato de que nem todas as pessoas com câncer de mama são iguais. Entre elas, estão laços para conscientizar sobre o câncer de mama metastático, câncer de mama inflamatório, câncer de mama em homens, e muito mais.
Consolidando-se como símbolo de apoio, lembrança e engajamento, o laço rosa funciona como um “atalho visual” para a causa: ao vê-lo, as pessoas o associam ao câncer de mama e à importância do diagnóstico precoce.
No Brasil, o mês de conscientização foi instituído pela Lei nº 13.733/2018. Em 2024, a Lei nº 15.009 instituiu o “Outubrinho Rosa”, incluindo na celebração nacional de outubro, a importância de medidas de prevenção para meninas de até 15 (quinze) anos, das condições que possam ser diagnosticadas e tratadas precocemente, inclusive sobre:
– A importância da adoção de hábitos saudáveis para a prevenção de doenças;
– O diagnóstico e o tratamento precoces de condições de saúde de meninas de até 15 (quinze) anos;
– Vacinação contra o papilomavírus humano (Human Papillomavirus – HPV);
– A capacitação dos gestores locais do Sistema Único de Saúde (SUS) acerca da importância da eficiente disponibilização a meninas de até 15 (quinze) anos de serviços e procedimentos ligados à prevenção de condições que sejam fatores de risco para doenças na vida adulta;
– A formação e a capacitação contínuas dos recursos humanos em saúde que lidam com meninas dessa faixa etária.
Com foco em informação de qualidade, mobilização social e, principalmente, diagnóstico precoce, o momento pode ser um bom lembrete para aprender mais sobre a doença. Alguns bons pontos de partida podem ser: avaliar o risco de desenvolver o câncer de mama, fazer o autoexame das mamas e agendar exames de detecção precoce. Na prática, o Outubro Rosa 2026 se apoia em três pilares:
– Conscientização: combater desinformação, medo e mitos.
– Prevenção (primária): incentivar hábitos que reduzem risco (como atividade física e redução do consumo de álcool).
– Diagnóstico precoce (secundária): orientar sobre rastreio, sinais de alerta e acesso aos serviços.
Por isso, o tema “É Preciso Saber Pra Viver!” foi o escolhido pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA) para este ano.
Em um cenário em que o país registra mais de 73,6 mil novas ocorrências de câncer de mama por ano, falar do assunto é uma forma concreta de salvar vidas — porque, quando a doença é identificada no início, as chances de cura podem superar 95% em muitos casos, segundo dados divulgados em contextos institucionais e de saúde pública.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa de novos casos no Brasil para 2026 a 2028 é de 78.610 novos casos para cada ano do triênio e o número de mortes é de 20.849 (Atlas de Mortalidade por Câncer – SIM, 2024).
Mesmo sendo raro, o câncer de mama também acomete homens, representando 1% dos casos da doença.
Câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama formando um tumor com potencial de invadir outros órgãos.
Há vários tipos de câncer mamário. Alguns têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem lentamente. A maioria dos casos, quando tratados adequadamente e em tempo oportuno, apresentam bom prognóstico e possibilitam melhores resultados estéticos.
Fatores de risco
Ter fator de risco não significa que a pessoa terá câncer de mama, assim como não os ter não significa risco zero.
A idade é um dos mais importantes fatores de risco para a doença (cerca de quatro em cada cinco casos ocorre após os 50 anos). Outros fatores que aumentam a probabilidade de desenvolver a doença são:
Fatores ambientais, ocupacionais e comportamentais:
– Excesso de gordura corporal (obesidade e sobrepeso);
– Inatividade física;
– Consumo de bebida alcoólica;
– Exposição frequente a radiações ionizantes para tratamento (radioterapia) ou exames diagnósticos (tomografia, Raios-X, mamografia, etc.);
– Tabagismo;
– Exposição ocupacional à radiação (como em serviços de radiologia/raio x) e a alguns produtos químicos usados na agricultura; pessoas que trabalham no período noturno (entre 22h-5h da manhã); profissionais da saúde; trabalhadores rurais; equipes que fazem esterilização de materiais; trabalhadores da indústria; profissionais da aviação, segurança, serviços, transporte e logística, têm risco aumentado.
Fatores da história reprodutiva e hormonal:
– Primeira menstruação antes de 12 anos;
– Não ter tido filhos;
– Primeira gravidez após os 30 anos;
– Parar de menstruar (menopausa) após os 55 anos;
– Uso de contraceptivos hormonais (estrogênio-progesterona);
– Ter feito reposição hormonal pós-menopausa, principalmente por mais de cinco anos.
Fatores genéticos e hereditários:
– História familiar de câncer de ovário;
– Casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos;
– História familiar de câncer de mama em homens;
– Alteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2.
Importância do diagnóstico precoce
Diagnóstico precoce não é apenas “descobrir antes”: é descobrir em um momento em que o tratamento pode ser mais simples e com maiores chances de controle e cura.
Quando o câncer de mama é detectado cedo, é mais comum:
– Cirurgias menos extensas (dependendo do caso);
– Menor necessidade de tratamentos agressivos;
– Maior chance de cura e sobrevida;
– Menor impacto funcional e emocional em longo prazo.
Sinais e sintomas
É importante conhecer sinais que merecem avaliação, especialmente se persistirem:
– Caroço na mama ou na axila (geralmente indolor);
– Alteração no formato da mama ou assimetria nova;
– Retração do mamilo ou mudança recente na posição;
– Vermelhidão, pele com aspecto de “casca de laranja” ou espessamento;
– Secreção pelo mamilo, principalmente se for sanguinolenta e unilateral;
– Feridas que não cicatrizam na pele da mama;
– Nódulo na mama em mulheres com mais de 50 anos;
– Nódulo na mama em mulheres com mais de 30 anos, que persistem por mais de um ciclo menstrual;
– Nódulo na mama de consistência endurecida e fixo ou que vem aumentando de tamanho, em mulheres adultas de qualquer idade.
Esses sinais não confirmam câncer por si só, mas justificam a avaliação clínica.
Tratamento
O tratamento varia de acordo com o estadiamento da doença, as características biológicas do tumor e as condições da paciente (idade, se já passou ou não pela menopausa, doenças preexistentes e preferências). Pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica (terapia alvo).
Quando a doença é diagnosticada no início, o tratamento tem maior potencial curativo. No caso de a doença já ter provocado metástases (quando o câncer se espalha para outros órgãos), o tratamento busca prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida.
Prevenção
Até 50% dos casos de câncer podem ser prevenidos por meio de medidas comportamentais e hábitos saudáveis:
– Não fumar: o tabagismo, inclusive o cigarro eletrônico, favorece o surgimento de diferentes tipos de câncer.
– Não consumir álcool: não existe dose segura de álcool em relação ao risco de câncer.
– Praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada e um peso saudável: esses hábitos contribuem para a redução do risco.
– Vacinar-se: a vacinação contra hepatite B e HPV é uma forma eficaz de prevenção contra alguns tipos de câncer.
Recomendações
É importante que as mulheres observem suas mamas sempre que se sentirem confortáveis para tal (seja no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano), sem técnica específica, valorizando a descoberta casual de pequenas alterações mamárias.
Caso as alterações observadas permaneçam, é preciso procurar logo os serviços de saúde para avaliação diagnóstica. A postura atenta das mulheres em relação à saúde das mamas é fundamental para a detecção precoce do câncer da mama.
Quanto à mamografia (exame de imagem por raio-X das mamas usado para detectar precocemente nódulos, microcalcificações e o câncer de mama, mesmo antes de apresentarem sintomas), o Ministério da Saúde recomenda sua realização, quando não há sinais nem sintomas suspeitos, para mulheres entre 50 e 74 anos, a cada dois anos. Esta recomendação inclui os homens trans e pessoas não-binárias assignadas no feminino ao nascer, e que mantêm as suas mamas.
Fontes:
Breastcancer.org (EUA)
Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA / RS)
Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Instituto Vencer o Câncer