“Veja Além da Minha Pele” : 29/10 – Dia Mundial e Nacional da Psoríase 2026

No Dia Mundial da Psoríase, celebrado anualmente em 29 de outubro há mais de uma década, a comunidade se une em mais de 70 países para aumentar a conscientização e pedir ações em apoio às pessoas que vivem com psoríase.

Em 2026, o foco da campanha global são os jovens que vivem com psoríase e o slogan “Veja Além da Minha Pele” visa empoderá-los e incentivá-los a falar abertamente sobre sua experiência com a condição.

Muitos jovens que vivem com psoríase e artrite psoriásica dizem que frequentemente se sentem sozinhos, isolados e incompreendidos. As pessoas ao seu redor, incluindo a sociedade em geral e, às vezes, até mesmo suas próprias famílias, podem não entender completamente o que eles estão passando ou não serem capazes de apoiá-los. Como resultado, enfrentam a doença e seus desafios sozinhos.

Ao compartilhar suas histórias reais busca-se promover a empatia, incentivar a educação e criar um mundo onde ninguém precise justificar sua condição para ser aceito, incluído e apoiado.

Quase um terço dos adultos com psoríase desenvolve a doença antes dos 18 anos. Por isso, o movimento deste ano visa dar aos jovens uma plataforma para compartilhar suas histórias e falar abertamente sobre como é viver com a doença, ajudando a superar a vergonha, combater o estigma e o silêncio em torno da condição e convida para uma mudança de perspectiva: reconhecer a pessoa por trás da doença, ouvir suas experiências, levá-las a sério e acolhê-las por quem são.

A psoríase afeta entre 125 milhões e 190 milhões de pessoas em todo o mundo, o que corresponde a cerca de 2% a 3% da população global, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a psoríase atinge cerca de 1,3% da população no país.


A organização não governamental Psoríase Brasil, promove em outubro o mês de conscientização sobre a psoríase: um período dedicado a ampliar o conhecimento sobre a doença, dar visibilidade às pessoas que convivem com ela e reforçar a importância do diagnóstico, do tratamento adequado e do cuidado integral. As atividades culminam com a celebração do Dia Nacional da Psoríase, também no dia 29.

Com o mote: “Nunca Foi Só Pele”, a ONG pretende mostrar que a doença vai muito além do que os olhos conseguem enxergar. Ela aparece na pele, mas seus impactos podem chegar às articulações, ao coração, ao metabolismo e à saúde mental. Pode interferir na autoestima, nos relacionamentos, no trabalho, na vida social e nas escolhas que a pessoa faz todos os dias.

O conceito brasileiro de “Nunca Foi Só Pele” dialoga com o tema mundial de 2026, “Veja Além da Minha Pele”, que propõe justamente ver mais que a pele e reconhecer o que existe por trás dela.


Psoríase é uma doença de pele relativamente comum, crônica e não contagiosa. Predisposição genética, somada a fatores ambientais ou de comportamento, causam o aparecimento de lesões cutâneas avermelhadas e que descamam. É cíclica, ou seja, apresenta sintomas que desaparecem e reaparecem periodicamente.

Acredita-se que ela se desenvolve quando as células responsáveis pela defesa do organismo liberam substâncias inflamatórias que promovem dilatação dos vasos sanguíneos, levando outras células do sistema de defesa para a pele. Este processo de ataque inflamatório faz com que a pele responda acelerando sua proliferação, o que resulta na descamação observada nas lesões.

Em até 30% dos pacientes, inflamação similar pode acontecer nas articulações, levando à artrite psoriásica. Também existe associação de psoríase com doenças cardiometabólicas,  gastrointestinais, diversos tipos de câncer e distúrbios do humor, o que diminui a qualidade de vida da pessoa acometida e pode também, dependendo da gravidade, diminuir a expectativa de vida, se não tratada.


Sintomas:

– Placas avermelhadas e espessas na pele, cobertas por escamas esbranquiçadas ou prateadas. Essas lesões podem apresentar coceira, dor, queimação e descamação;
– Pele ressecada e rachada, às vezes, com sangramento;
– Unhas grossas, descoladas, amareladas e com alterações da sua forma (sulcos e depressões);
– Inchaço e rigidez nas articulações podem ocorrer e, em casos mais graves, destruição das articulações e deformidades.


Alguns fatores podem aumentar as chances de uma pessoa desenvolver a doença ou piorar o quadro clínico já existente, dentre eles:

– Histórico familiar: entre 30% e 40% dos pacientes sabem ter familiar de primeiro grau com psoríase;
– Estresse: um número expressivo de pacientes refere-se ao aparecimento ou agravamento das lesões após estresse agudo ou crônico, como perda de um familiar, por exemplo;
– Obesidade: Excesso de peso pode aumentar o risco de desenvolver a doença. Pessoas com psoríase tendem a apresentar peso acima do ideal;
– Tempo frio: A pele fica mais ressecada e a psoríase tende a melhorar com a exposição solar;
– Infecções diversas;
– Uso de alguns medicamentos: Os mais comuns são antimaláricos (ex. cloroquina), medicamentos para tratar hipertensão (ex. propranolol e outros betabloqueadores) e lítio (para tratamento do transtorno bipolar);
– Consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo: Tendem a piorar as lesões existentes.


Tipos de psoríase

Em placas ou vulgar: Apresentação mais comum da doença. Forma placas secas, avermelhadas com escamas prateadas ou esbranquiçadas. Essas placas podem coçar e, algumas vezes, doer. São mais comuns nos joelhos, cotovelos, couro cabeludo, região lombar e cicatriz umbilical, mas podem atingir qualquer parte do corpo, inclusive genitais. Em casos graves, a pele pode rachar e sangrar.

Ungueal: Afeta tanto as unhas das mãos quanto dos pés. Faz com que a unha cresça de forma anormal, engrosse, escame, mude de cor e até se deforme. Em alguns casos, a unha chega a descolar do leito.

Couro cabeludo: Surgem áreas avermelhadas com escamas espessas branco-prateadas, principalmente após coçar, o que é característico nesta localização. O paciente pode perceber os flocos de pele morta em seus cabelos ou em seus ombros, especialmente depois de coçar o couro cabeludo. Assemelha-se à caspa.

Gutata: Geralmente é desencadeada por infecções bacterianas, como as de garganta. É caracterizada por pequenas feridas, em forma de gota no tronco, nos braços, nas pernas e no couro cabeludo. As feridas são cobertas por uma fina escama, diferente das placas típicas da psoríase que são grossas. Este tipo acomete mais crianças e jovens antes dos 30 anos e pode melhorar espontaneamente.

Invertida: Atinge principalmente dobras e áreas úmidas, como axilas, virilhas e embaixo dos seios. São manchas inflamadas e vermelhas, sem a descamação grosseira que existe nas lesões no resto do corpo. O quadro pode se agravar em pessoas obesas ou quando há sudorese excessiva e atrito na região.

Pustulosa: Nesta forma de psoríase, podem ocorrer pústulas (pequenas bolhas que parecem conter pus) sobre a pele que fica intensamente avermelhada. Pode ocorrer em todas as partes do corpo ou em áreas específicas, como mãos, pés ou dedos (chamada de psoríase palmo plantar). Geralmente, se desenvolve rápido, com bolhas de pus que aparecem poucas horas depois de a pele tornar-se vermelha. As bolhas secam dentro de um dia ou dois, mas podem reaparecer durante dias ou semanas. A psoríase pustulosa generalizada pode causar febre, calafrios, coceira intensa e fadiga. É uma apresentação grave da doença que pode trazer risco de morte se não for tratada de forma adequada.

Eritrodérmica: É o tipo menos comum. Acomete todo o corpo com manchas vermelhas que podem coçar ou arder intensamente, levando a manifestações como febre e calafrios. Ela pode ser desencadeada por queimaduras graves, tratamentos intempestivos (como uso ou retirada abrupta de corticosteroides), infecções ou por outro tipo de psoríase mal controlada. Também é uma forma grave da doença e muitas vezes é preciso internação hospitalar para seu controle.

Artropática: Manifestação da psoríase nas articulações. Causa fortes dores, mais comumente ao iniciar o movimento da articulação e tende a melhorar com o movimento contínuo. Pode causar rigidez progressiva e até deformidades permanentes. Afeta qualquer articulação do corpo, inclusive a coluna vertebral.


Tratamento:

Cada tipo e gravidade de psoríase podem responder melhor a um tipo diferente de tratamento (ou a uma combinação de terapias). O que funciona bem para uma pessoa não necessariamente funcionará para outra. Desta forma, é tratada de modo individualizado.

Com as diversas opções terapêuticas disponíveis atualmente é possível viver com uma pele sem ou quase sem lesões, independentemente da gravidade da psoríase. Porém, por tratar-se de uma condição autoimune, não existe uma cura definitiva e os pacientes precisam estar sempre atentos ao tratamento, essencial para manter uma boa qualidade de vida.

Nos casos leves, hidratar a pele, aplicar medicamentos tópicos apenas na região das lesões e exposição solar orientada pelo médico dermatologista podem ser suficientes para melhorar o quadro clínico e promover o desaparecimento dos sintomas.

Tratamentos mais comuns:

– Tópicos: medicamentos em cremes e pomadas, aplicados diretamente na pele. Podem ser usados em conjunto com outras terapias ou isoladamente, em casos de psoríase leve;

– Sistêmicos: Medicamentos orais ou injeções, geralmente indicados para pacientes com psoríase grave e/ou com artrite psoriásica ou nos que apresentam a forma leve, mas resistente ao tratamento tópico ou à fototerapia;

– Biológicos: Medicamentos injetáveis indicados para psoríase grave. Diversas classes deste tipo de medicamento já são aprovadas no Brasil;

– Fototerapia: Consiste na exposição da pele à luz ultravioleta de forma consistente e com supervisão médica. O tratamento precisa ser feito por profissionais especializados.

A psoríase pode ter um impacto significativo na qualidade de vida e na autoestima, o que tende a piorar o quadro. Assim, o acompanhamento psicológico é indicado em alguns casos. Outros fatores que impulsionam a melhora e até o desaparecimento dos sintomas são uma alimentação balanceada, o controle do peso e a prática de atividade física. A pessoa nunca deve interromper o tratamento prescrito sem autorização do médico. Esta atitude pode piorar a psoríase e agravar a situação.


Prevenção:

Ainda não há uma forma garantida de prevenir a psoríase, no entanto, algumas estratégias podem ajudar a reduzir os fatores de risco e minimizar a gravidade dos surtos da doença:

– Gerenciar o estresse: Ele pode desencadear ou piorar os sintomas da psoríase em algumas pessoas. Aprender a lidar com o estresse por meio de técnicas de relaxamento, como ioga, meditação e exercícios de respiração, pode ser benéfico;

– Evitar lesões na pele: Traumas ou ferimentos podem desencadear o desenvolvimento de lesões de psoríase, conhecidas como “efeito Köbner”. Por isso, é necessário tomar cuidado para evitar cortes, arranhões e feridas;

– Tomar cuidado com a exposição ao sol: O excesso de sol pode piorar a doença, o que torna o uso de protetor solar e o limite à exposição solar direta indispensáveis.


Um estilo de vida saudável pode ajudar a diminuir a progressão ou melhorar a psoríase, mas pessoas que possuem histórico familiar da doença devem ter atenção redobrada a possíveis sintomas. É importante estar atento aos sinais e, ao perceber qualquer um dos sintomas, procurar o dermatologista rapidamente. Quanto mais precoces forem o diagnóstico e o tratamento, menores os riscos de impacto da doença sobre a qualidade e a quantidade de vida.


Fontes:

International Federation of Psoriatic Disease Associations (IFPA)
Psoríase Brasil
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein
Sociedade Brasileira de Dermatologia



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