Mania de arrancar cabelos (Tricotilomania)


Tricotilomania é o nome dado a um transtorno do comportamento que faz com que a pessoa sinta um desejo incontrolável e frequente de arrancar fios ou tufos de cabelo ou outros pelos do corpo, como cílios, sobrancelhas e barba, que são os casos mais comuns, além de tórax, virilha ou região pubiana, braços e pernas. A palavra tem origem grega e significa: trico=cabelo + tilo=puxar + mania, ou seja: mania de puxar cabelo.

Algumas pessoas com esse problema agem automaticamente, sem se dar conta do que estão fazendo, ocupadas e distraídas com outras atividades como a leitura, a conversa ao telefone, um programa na TV ou a direção de um automóvel.

Porém, há casos em que o ato é consciente e, de certo modo, até segue um ritual. A pessoa escolhe os fios que pretende arrancar de acordo com uma regra que ela mesma estabelece, como cabelos brancos, rebeldes, crespos, muito finos ou grossos demais, por exemplo) e passa a puxá-los com as mãos ou utilizando objetos que facilitem o processo. O objetivo é acalmar a pressão que sente para executar a ação.

Após remover aquele determinado fio, sente-se aliviada e recompensada. Para prolongar essa sensação de recompensa, alguns indivíduos podem ainda brincar com os fios arrancados e até engolir esses pelos, dando origem a uma outra doença, a tricofagia (comer cabelos). Como o corpo humano não consegue digerir a matéria de que é feito o cabelo (queratina) esses fios acabam se embolando dentro do sistema digestivo, causando verdadeiras bolas de pelos no estômago, que podem provocar dor abdominal, náuseas, vômitos, perda de peso, obstrução ou até perfuração do intestino, com consequências graves para a saúde, incluindo risco de morte. Geralmente, essas bolas de fios só podem ser removidas por meio de cirurgia.

Mas, o efeito de alívio é passageiro e a pessoa é levada a repetir o comportamento de modo incontrolável, fazendo com que apareçam falhas no couro cabeludo ou nos demais locais do corpo de onde arranca os pelos, e isso pode trazer sofrimento e prejudicar o seu desempenho em diferentes situações e atividades da vida.


Causas:

Não existe causa única para o problema. As pesquisas mostram que fatores genéticos, neurobiológicos e de comportamento podem estar relacionados ao aparecimento da doença. Como em algumas famílias várias pessoas são afetadas, isso sugere que possa ter origem hereditária.

Estudos recentes demonstraram que a tricotilomania poderia ocorrer por deficiência de algumas substâncias cerebrais, conhecidas como neurotransmissores, que estão relacionados com a impulsividade.

Problemas como depressão, ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e altos níveis de estresse são também considerados como causa.


Sintomas e sinais:

O sintoma principal da tricotilomania é o impulso incontrolável para arrancar os cabelos. Mas há outros sinais, como:

– Falhas nos cabelos que variam de tamanho, desde bem pequenas até extensas áreas de calvície; em geral, ocorrem mais de um lado, exatamente naquele de maior habilidade do paciente;
– Comportamentos repetitivos, como morder, mastigar e engolir os fios arrancados;
– Outros hábitos associados, como roer as unhas, cutucar as cutículas ou até mesmo outras partes do corpo, morder os lábios;
– Lesões na pele e infecções nas áreas em que os pelos e cabelos são arrancados;
– Geralmente, a pessoa já tentou parar ou controlar o ato de arrancar os fios de cabelo e pelos, mas não conseguiu.

Observação: Formas mais graves desse transtorno podem fazer com que os pacientes puxem e engulam cabelos de outras pessoas, de animais de estimação e fios retirados de brinquedos ou de roupas de uso pessoal ou da casa.


Tratamento:

Para tratar pessoas com este transtorno são necessários profissionais de diferentes especialidades (dermatologista, psicólogo, psiquiatra, clínico geral, por exemplo).

O tratamento inclui psicoterapia e o uso de medicamentos antidepressivos e estabilizadores do humor, que servem para controlar o impulso e aliviar os sintomas.

A participação em grupos de apoio pode ser importante para que a pessoa não abandone o tratamento, que exige empenho e persistência, pois os resultados demoram um pouco para aparecer. A realização de atividades físicas e de relaxamento ajudam no quadro geral de saúde do paciente.


IMPORTANTE: Somente profissionais de saúde devidamente habilitados e de acordo com os limites legais de cada profissão podem diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. As informações disponíveis nas Dicas em Saúde possuem apenas caráter educativo.

Dica elaborada em outubro de 2026

Fontes:

Dr. Dráuzio Varella
Rede D’Or São Luiz
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein



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