“Zero Malária nas Américas” : 6/11 – Dia da Malária nas Américas 2026
O Dia da Malária nas Américas foi originalmente proposto pela Guiana, país que comemorava o dia em que o médico e cientista francês Charles Louis Alphonse Laveran, vencedor do Prêmio Nobel, observou pela primeira vez o parasita da malária no sangue humano, em 6 de novembro de 1880. Em 2007, a data foi oficializada e passou a ser celebrada anualmente pela Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) e seus Estados-Membros como uma oportunidade para reconhecer os avanços alcançados pelos países e renovar o compromisso regional com a eliminação da doença.
Avançar rumo a uma região livre da malária
Nos últimos anos, as Américas alcançaram conquistas importantes: Paraguai (2018), Argentina (2019), El Salvador (2021), Belize (2023) e Suriname (2025) receberam a certificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) como países livres da malária, demonstrando que a eliminação é possível.
No entanto, a doença continua sendo um desafio de saúde pública. Em 2025, a região registrou aproximadamente 455 mil casos, concentrados principalmente na América do Sul, especialmente na bacia amazônica e na costa do Pacífico, na Colômbia. Populações indígenas, comunidades em áreas de mineração e pessoas que vivem em territórios remotos enfrentam barreiras significativas para acessar o diagnóstico e o tratamento.
Inovar para eliminar: novas ações rumo a 2030
Este ano, a Organização Pan-Americana da Saúde apresenta o Plano de Ação para a Eliminação da Malária nas Américas 2026-2030 (disponível em espanhol), que propõe uma estrutura estratégica renovada para acelerar o progresso regional.
O Plano prioriza a expansão do acesso ao diagnóstico e ao tratamento, o fortalecimento da vigilância, a incorporação de novas ferramentas e intervenções para interromper a transmissão e prevenir o seu restabelecimento, bem como o fortalecimento da governança, do financiamento e das parcerias. A participação das comunidades e as estratégias centradas nas pessoas são elementos transversais para alcançar esses objetivos.
A malária é uma doença infecciosa, não contagiosa (não passa diretamente de uma pessoa para outra), causada por um parasita do gênero Plasmodium, que é transmitido para humanos pela picada de fêmeas infectadas dos mosquitos Anopheles, conhecidos também como carapanã, muriçoca, sovela, mosquito-prego e bicuda.
Estes insetos são mais abundantes ao entardecer e ao amanhecer. Todavia, são encontrados picando durante todo o período noturno.
A doença também é conhecida como impaludismo, paludismo, febre palustre, febre intermitente, febre terçã benigna, febre terçã maligna, além de nomes populares como maleita, sezão, tremedeira, batedeira ou febre.
Qualquer pessoa pode contrair a malária. Indivíduos que tiveram vários episódios da enfermidade podem atingir um estado de imunidade parcial, apresentando poucos ou mesmo nenhum sintoma. Porém, uma imunidade esterilizante, que confere total proteção clínica, até hoje não foi observada. Caso não seja tratado adequadamente, o indivíduo pode ser fonte de infecção por meses ou anos, de acordo com a espécie parasitária.
No Brasil, mais de 99% dos casos autóctones de malária se concentram na região amazônica, composta pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Na região extra-amazônica, composta pelas demais unidades federativas, a maioria dos casos registrados é importada, principalmente de estados da própria região amazônica, de outros países amazônicos ou do continente africano. Entretanto, também ocorre transmissão residual em algumas áreas, especialmente nas de Mata Atlântica. Apesar das poucas notificações, a doença não pode ser negligenciada, pois a letalidade nestes locais é maior.
Situação Epidemiológica
A malária permanece como um importante problema de saúde pública no mundo, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2024 foram estimados 282 milhões de casos e 610 mil óbitos em 80 países. Em comparação com 2023, houve aumento de aproximadamente 9 milhões de casos e de 12 mil óbitos. A Região Africana da OMS concentrou cerca de 95% dos casos e dos óbitos registrados mundialmente.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, o país registrou 128.968 casos autóctones de malária em 2022, uma redução de 7,3% em relação a 2021 (139.108 casos autóctones). Em 2023, foram 140.264 casos autóctones, representando um aumento de aproximadamente 8,8% em relação ao ano anterior. Em 2024, houve redução de 1,2%, registrando-se 138.617 casos autóctones. Em 2025 foram registrados 118.037 casos autóctones, representando uma redução de 14,8%, em relação ao ano anterior – menor número de casos registrados no país desde 1979.
Em relação aos óbitos por malária no país, em 2022 foram registrados 70, um aumento de 14,8% em comparação com 2021. Nos anos de 2023 e 2024, foram 63 e 56 óbitos, respectivamente. Em 2025, foram 39 óbitos, expressando uma redução de 43,5%.
A letalidade da malária é significativamente menor na região amazônica. Na Região extra-amazônica, embora sejam registrados menos casos, a letalidade é proporcionalmente maior. Esse cenário está relacionado, entre outros fatores, à ocorrência predominante de casos importados e à possibilidade de atraso na suspeição, no diagnóstico e no início do tratamento.
Por ser uma doença menos frequente na região extra-amazônica, a malária pode não ser prontamente considerada na avaliação de pessoas com febre e histórico de viagem ou residência em áreas de transmissão. Por isso, é fundamental que profissionais de saúde considerem a possibilidade de malária diante de quadro febril em pessoas que tenham estado em áreas com transmissão da doença.
O intervalo entre o contato com o parasita pela picada da fêmea do mosquito até o surgimento dos primeiros sintomas varia de acordo com a espécie de plasmódio, entre 7 e 30 dias.
Em casos mais raros, pode haver transmissão por: transfusão sanguínea, uso de seringas contaminadas, acidentes de laboratório e transmissão congênita (da mãe grávida para o bebê).
Os sintomas mais comuns da malária são:
– Febre alta;
– Calafrios;
– Tremores;
– Sudorese;
– Dor de cabeça (que pode ocorrer de forma cíclica).
Antes de apresentarem estas manifestações mais características, algumas pessoas sentem náuseas, vômitos, cansaço e falta de apetite.
A malária grave caracteriza-se por um ou mais dos sinais e sintomas:
– Prostração;
– Convulsões;
– Alteração da consciência;
– Hipotensão arterial ou choque;
– Dispneia ou hiperventilação;
– Hemorragias, entre outros.
Gestantes, crianças e pessoas infectadas pela primeira vez estão sujeitas a maior gravidade da doença, principalmente por infecções pelo P. falciparum, que, se não tratadas adequadamente e em tempo hábil, podem ser letais.
Tratamento
Após a confirmação da malária, a pessoa recebe tratamento em regime ambulatorial, com medicamentos fornecidos gratuitamente em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Somente os casos graves deverão ser hospitalizados de imediato.
A terapia a ser indicada depende de alguns fatores, como a espécie do protozoário infectante; a idade e o peso do paciente; condições associadas, tais como gravidez e outros problemas de saúde; além da gravidade da doença.
Prevenção
A prevenção da malária envolve medidas individuais:
– Uso de mosquiteiros;
– Roupas que protejam pernas e braços;
– Telas em portas e janelas;
– Uso de repelentes.
E medidas coletivas:
– Borrifação residual intradomiciliar com inseticidas (BRI);
– Uso de mosquiteiros impregnados com inseticida de longa duração;
– Pequenas obras de saneamento para drenagem e aterro de criadouros do vetor;
– Limpeza das margens dos criadouros;
– Melhoria das condições de trabalho e de moradia.
Importante: Não existe vacina contra a malária no Brasil. O imunizante está disponível apenas para alguns países africanos com alta transmissão de malária por Plasmodium falciparum e é exclusiva para crianças pequenas.
Como parte das atividades alusivas ao Dia Mundial, a OPAS realizará, em 6 de novembro, um evento regional transmitido ao vivo de Brasília, Brasil, para destacar os avanços, desafios e oportunidades para acelerar a eliminação da malária na Região.
Webinário: “Zero Malária nas Américas”
Data: Sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Horário: 15h00 às 16h30 (Horário de Brasília)
Inscrições disponíveis aqui!
Haverá transmissão ao vivo no idioma original das palestras por meio do canal da OPAS no YouTube
Fontes:
Ministério da Saúde
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)