“A Jornada da Vida” : 27/3 – Dia Nacional de Combate ao Câncer Colorretal 2026

Celebrado em 27 de março, o Dia Nacional de Combate ao Câncer Colorretal é o ponto alto do Movimento ‘Março Azul’, mês de conscientização e alerta para a população brasileira sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de intestino.

Realizada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia e Endoscopia Digestiva (SOBED), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), a campanha chama a atenção para o papel decisivo do diagnóstico precoce do câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal.

Detectar o câncer de intestino antes que ele emita qualquer sinal de alerta é o objetivo da sexta edição do Março Azul, que em 2026 tem como tema “A Jornada da Vida”.

A proposta da mobilização nacional é ampliar a detecção precoce da doença, já que o câncer de intestino é o 3º tipo mais letal no Brasil, com cerca de 20 mil mortes e mais de 50 mil casos por ano no país, atrás apenas dos cânceres de mama e de próstata. O público-alvo da campanha são homens e mulheres com idades entre 45 e 70 anos.

A redução da idade de 50 para 45 anos ocorreu no ano passado após a adoção dos mesmos critérios de rastreio utilizados por sociedades internacionais, como a American Cancer Society, que perceberam o aumento da doença em pessoas mais jovens.


Também conhecido como câncer de cólon e reto ou colorretal, ele é tratável e, na maioria dos casos, curável ao ser detectado precocemente, quando ainda não se espalhou para outros órgãos. Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso.

O presidente da SOBED, Eduardo Hourneaux, explica que quando a detecção acontece na fase inicial do câncer de intestino, quebrando a barreira do silêncio, as chances de sucesso do tratamento podem atingir até 90%. A conscientização sobre a prevenção também é essencial, segundo os promotores da campanha, para combater o medo e a vergonha que ainda cercam os exames. “É importante lembrar que os exames existem para proteger a saúde. Eles podem evitar um problema grave no futuro. Cuidar da saúde não deve ser motivo de vergonha, e sim de responsabilidade com a própria vida e com a família”, observa o presidente da SOBED.

A preocupação em trazer a pauta do câncer de intestino para as discussões do dia a dia, sem preconceito, encontra respaldo na última estimativa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), que estima 53.810 casos novos no Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028.


Sinais de alerta – Apesar de silencioso na fase inicial, o câncer de intestino emite alguns sinais de alerta, sendo os mais comuns: presença de sangue nas fezes (às vezes só detectável através do exame); mudança no hábito intestinal como diarreia ou prisão de ventre por várias semanas; dor abdominal frequente; sensação de intestino que não esvazia completamente; perda de peso sem causa aparente e fraqueza ou anemia.

Entre as principais estratégias para a detecção precoce do câncer colorretal está o teste FIT, realizado por meio de um exame de fezes capaz de identificar a presença de sangue oculto, geralmente imperceptível a olho nu – um dos sinais iniciais mais comuns da doença. Em caso de resultado positivo, o paciente é encaminhado para a realização da colonoscopia.

Uma vez detectado um câncer colorretal, o coloproctologista deve ser procurado o mais breve possível, pois é o especialista que fará o tratamento cirúrgico com maiores chances de cura para o paciente, alerta Olival de Oliveira Júnior, presidente da SBCP.

“Cuidar da saúde intestinal é uma construção ao longo de toda a vida. Além dos exames preventivos, hábitos simples como uma alimentação rica em fibras, a prática regular de atividade física, a hidratação adequada e a redução do consumo de álcool e do tabaco têm impacto direto na prevenção do câncer de intestino.

A Campanha Março Azul reforça que prevenção não é apenas um ato médico, mas uma escolha diária em favor da própria saúde e da qualidade de vida”, destacou o presidente da FBG, Áureo de Almeida Delgado.


Fatores de risco:

Os principais fatores relacionados ao maior risco de desenvolver câncer do intestino são: idade igual ou acima de 50 anos, inatividade física, excesso de gordura corporal (sobrepeso e obesidade) e alimentação pobre em frutas, vegetais e outros alimentos que contenham fibras.

O consumo de carnes processadas, comumente conhecidas como embutidos (salsicha, mortadela, linguiça, presunto, bacon, blanquet de peru, peito de peru, salame, entre outras) e a ingestão excessiva de carne vermelha (acima de 500 gramas de carne cozida por semana) também aumentam o risco para este tipo de câncer.

Outros fatores relacionados à maior chance de desenvolvimento da doença são: história familiar de câncer de intestino, história pessoal de câncer de intestino, ovário, útero ou mama, além de tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.

Doenças inflamatórias do intestino, como retocolite ulcerativa crônica e doença de Crohn, também aumentam o risco de câncer do intestino, bem como doenças hereditárias, como polipose adenomatosa familiar (FAP) e câncer colorretal hereditário sem polipose (HNPCC). Pacientes com essas doenças devem ter acompanhamento individualizado.

A exposição ocupacional à radiação ionizante, como aos raios X e gama, pode aumentar o risco para câncer de cólon. Assim, profissionais do ramo da radiologia (industrial e médica) devem estar mais atentos.


Os sintomas mais frequentemente associados ao câncer de intestino são:

– Sangue nas fezes;
– Alteração do hábito intestinal (diarreia e/ou prisão de ventre);
– Dor, cólica ou desconforto abdominal;
– Fraqueza e anemia;
– Perda de peso sem causa aparente;
– Alteração no formato das fezes (muito finas e compridas);
– Massa (tumoração) abdominal.

Esses sinais e sintomas são inespecíficos e podem estar presentes em doenças benignas como hemorroidas, verminoses, doenças inflamatórias intestinais, síndrome do cólon irritável, úlcera gástrica e outros. Mesmo que não sejam causados por câncer, é importante serem investigados por um médico para diagnóstico correto e tratamento específico, principalmente se não melhorarem em alguns dias.


Detecção precoce:

A detecção precoce do câncer é uma estratégia utilizada para encontrar uma lesão pré-cancerosa ou um tumor em fase inicial e possibilitar maior chance de tratamento bem-sucedido. A detecção e dá por meio da investigação com exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença.


Tratamento:

O câncer de intestino é uma doença tratável e frequentemente curável. A cirurgia é o principal meio, sendo utilizada no início do tratamento quando o tumor é do cólon, ou em sequência à radioterapia e quimioterapia nos tumores de reto baixo, e compreende a retirada da parte do intestino afetada e os gânglios linfáticos (pequenas estruturas que fazem parte do sistema de defesa do corpo) dentro do abdome. Outras etapas do tratamento, como já referido, incluem a radioterapia (uso de radiação), associada ou não à quimioterapia (uso de medicamentos), para diminuir a possibilidade de retorno do tumor.

O tratamento depende, principalmente, do tamanho, localização e extensão do tumor. Quando a doença está espalhada, com metástases para fígado, pulmão ou outros órgãos, as chances de cura ficam reduzidas.


Prevenção:

Assim como na maioria das doenças crônicas não-transmissíveis, a prevenção do câncer colorretal envolve a adoção de um estilo de vida saudável.

A manutenção do peso corporal adequado, a prática de atividade física, assim como a alimentação saudável são fundamentais para sua prevenção.

Uma alimentação saudável é composta, principalmente, por alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, grãos e sementes. Esse padrão de alimentação é rico em fibras e, além de promover o bom funcionamento do intestino, também ajuda no controle do peso corporal.

Além disso, deve-se evitar o consumo de carnes processadas, não fumar e não se expor ao tabagismo e evitar ou reduzir o consumo de bebidas alcoólicas.


Fontes:

Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo (AFPESP)
Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS)
Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH)
Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Março Azul
Ministério da Saúde



Publicado: Thursday, 01 de January de 1970

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