ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA; SAÚDE PÚBLICA
006
SILVA, A. C. da C. et al. Análise das demandas de trabalho de um Núcleo Ampliado de Saúde da Família. Cadernos Saúde Coletiva, v. 33, n. 3, p. e33020100, 2025. Disponível em Scielo
Introdução: O Núcleo Ampliado de Saúde da Família deve fornecer suporte especializado e aumentar a resolutividade do cuidado na Atenção Primária à Saúde. Objetivo: Analisar as demandas de trabalho de um Núcleo Ampliado de Saúde da Família nos anos de 2017 e 2018. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa com análise documental, cujas fontes foram atas de reuniões com profissionais do Núcleo e de equipes de Saúde da Família de uma Unidade de Saúde do Distrito Federal. A análise dos dados ocorreu em duas etapas: análise de similitude, realizada pelo software Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes ET de Questionnaires; e análise de conteúdo de Bardin. Resultados: Na análise de similitude, em relação às demandas de trabalho, em 2017 emergiram situações de abuso sexual, depressão, violência doméstica e uso de drogas; já em 2018, as solicitações foram as mesmas, acrescidas do abuso de álcool. Na análise de conteúdo, identificaram-se duas temáticas recorrentes: demandas específicas de cada profissional e demandas de atuação interprofissional. Conclusão: As demandas mais observadas revelaram a complexidade do trabalho do Núcleo e a sua importância para o fortalecimento da Atenção Primária, embora inserido em um contexto de corte financeiro.
FITOTERAPIA; PLANTAS MEDICINAIS; MEDICAMENTO FITOTERÁPICO; SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
007
COTA, B. B.; LUZ, T. C. B. O cenário da fitoterapia na Atenção Primária à Saúde no Brasil: uma análise. Saúde em Debate, v. 49, n. 147, p. e10102, 2025. Disponível em Scielo
A implantação da fitoterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) foi incentivada por políticas públicas há mais de 17 anos. Esta revisão mapeou e analisou criticamente publicações sobre a fitoterapia na Atenção Primária à Saúde, desde a implementação das políticas nacionais de plantas medicinais e práticas integrativas (PNPMF e PNPIC), identificando padrões e lacunas de conhecimento. As buscas, realizadas entre outubro e dezembro de 2023, na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PubMed e internet, incluíram 32 artigos, de 2006 a 2023. Os estudos foram avaliados pelos critérios Strobe e Coreq e organizados em seis eixos temáticos. A maioria dos estudos ocorreu em municípios do Sul do Brasil, com enfoque na visão dos profissionais de saúde e qualidade média acima de 67%. Os achados revelam escassez de pesquisas sobre financiamento, institucionalização e gestão estratégica e logística; carência de capacitação profissional; baixa oferta de serviços no SUS; dados heterogêneos sobre práticas, prescrição e falta de acompanhamento de usuários. Embora percepções positivas predominem entre profissionais e usuários, persistem lacunas quanto ao conhecimento de riscos, interações medicamentosas e políticas públicas. Ressalta-se que a consolidação da fitoterapia no SUS requer, além de análise crítica governamental, suporte educativo, estratégias mais horizontais e abrangentes.
PROGRAMAS DE RASTREAMENTO; DOENÇAS CRÔNICAS; MEDICALIZAÇÃO
008
COSTA, M. I. S.; IANNI, A. M. Z. Rastreamento de doenças crônicas na Atenção Primária à Saúde: uma análise crítica à luz da sociedade de risco. Saúde em Debate, v. 49, n. 147, p. e10656, 2025. Disponível em Scielo
O rastreamento é amplamente promovido na Atenção Primária à Saúde (APS) como estratégia de detecção precoce de doenças crônicas não transmissíveis, sustentado pela promessa de antecipar e mitigar riscos. À luz da teoria da sociedade de risco, de Ulrich Beck, este estudo qualitativo e exploratório analisou cinco normativas – uma federal e quatro municipais de São Paulo – que regulam essa prática na APS. As normativas reforçam o rastreamento como componente central da gestão, priorizando metas, protocolos padronizados e atuação multiprofissional, mas sem discutir criticamente os riscos envolvidos. Sob a perspectiva de Beck, o rastreamento, embora preventivo em sua intenção, pode gerar efeitos adversos, como sobrediagnóstico, medicalização e iatrogenia, intensificando o controle técnico sobre a vida. A criação de categorias como pré-diabetes e pré-hipertensão exemplifica como o rastreamento redefine os limites entre saúde e doença, ampliando a demanda por cuidados e reduzindo a autonomia profissional. A análise revela que essa prática incorpora riscos autoproduzidos e desafia a ideia de segurança e previsibilidade. Conclui-se que é necessário repensar a centralidade do rastreamento nas políticas de saúde, reconhecendo seus limites e promovendo abordagens mais críticas e reflexivas na gestão do cuidado.
SERVIÇOS TERCEIRIZADOS; AVALIAÇÃO EM SAÚDE; EFICIÊNCIA
009
RAMOS, A. L. P.; SETA, M. H. D.; BATTESINI, M. Eficiência da atenção primária nas capitais brasileiras e modelos de gestão: 2008–2019. Revista de Saúde Pública, v. 59, p. e6, 2025. Disponível em Scielo
OBJETIVO: Analisar a eficiência na atenção primária à saúde das capitais brasileiras no período 2008–2019, considerando o modelo de gestão: administração pública direta ou administração cedida a terceiros. MÉTODOS: Estudo de propósito avaliativo, objetivo analítico, com dados secundários de acesso público, analisados em recorte transversal (2019) e longitudinal (2008, 2012, 2016 e 2019). Para caracterizar as cidades e sua atenção primária à saúde, utilizaram-se dados demográficos, socioeconômicos e sete indicadores relacionados à atenção primária à saúde (cobertura em atenção básica, internações por condições sensíveis à atenção básica, cura de tuberculose, mortalidade infantil, materna e prematura por condições crônicas, incidência de sífilis congênita). A esses indicadores foram acrescidos os de gastos em saúde e em atenção primária à saúde e realizou-se a análise envoltória de dados voltada a outputs (sem admitir redução de gastos) para cálculo da eficiência em 2008, 2012, 2016 e 2019. Com o índice de Malmquist, buscou-se identificar possíveis ganhos de produtividade entre 2008 e 2019. RESULTADOS: Quatro capitais identificadas como de administração cedida a terceiros (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Fortaleza) não obtiveram maior eficiência perante a administração pública direta, tampouco evoluíram quando comparados os seus próprios resultados no tempo. Em 2019, e na abordagem longitudinal, apenas capitais de gestão por administração pública direta obtiveram índice máximo de eficiência relativa na comparação entre as capitais. Doze capitais em administração pública direta mantiveram-se eficientes em todos os anos, ao passo que as em administração cedida a terceiros apresentaram, consistentemente, ineficiência fraca em atenção primária à saúde, ou seja, no período estudado, a relação entre investimentos na atenção primária à saúde e resultados obtidos é inferior ao alcançado pelas capitais eficientes. CONCLUSÕES: Não encontramos evidências de ganhos de eficiência com a adoção de administração cedida a terceiros. Ressalte-se que a eficiência produtiva não representa, necessariamente, o atendimento de necessidades de saúde.
Publicado: Thursday, 01 de January de 1970