Canetas emagrecedoras

As canetas injetoras para uso subcutâneo, conhecidas como “canetas emagrecedoras” são medicamentos injetáveis usados para tratar diabetes tipo 2 e obesidade.

Estas medicações imitam um hormônio natural do corpo chamado GLP-1, produzido no intestino para ajudar a controlar os níveis de açúcar no sangue, estimular a liberação de insulina e promover a saciedade.


Como esses medicamentos funcionam

– No cérebro: atuam no centro da fome. Como resultado a pessoa sente menos fome.
– No estômago: tornam o esvaziamento do estômago mais lento.
– No pâncreas: estimulam a liberação de insulina quando o açúcar está alto. Também reduzem o glucagon (hormônio que aumenta a glicose). Isso melhora o controle dos níveis de açúcar.

Esse conjunto de ações explica por que muitas pessoas observam que estão comendo menos, sentindo menos fome ao longo do dia e, consequentemente, perdem peso.

Ainda assim, os resultados não são iguais para todos, pois cada um vai reagir de forma diferente aos medicamentos. Além disso, é preciso levar em consideração que o resultado do tratamento também depende de fatores genéticos, do funcionamento de cada organismo, do comportamento e do estilo de vida do indivíduo.


Nem todos podem usar!

De modo geral, o tratamento é indicado para pessoas com obesidade, caracterizada por índice de massa corporal (IMC) * igual ou superior a 30. Também pode ser útil para indivíduos com IMC a partir de 25, que tenham doenças como diabetes, pressão alta, colesterol alto, gordura no fígado, apneia do sono (a pessoa para de respirar por mais ou menos 20 segundos enquanto dorme), resistência à insulina (o organismo tem dificuldade em reagir à insulina) ou problemas nas articulações que dificultam a movimentação.

Há ainda situações específicas, como pessoas com insuficiência cardíaca associada à obesidade, que podem se beneficiar da medicação.

*Obs.: O IMC é um cálculo que avalia os níveis de magreza e obesidade a partir do peso e da altura do indivíduo. Neste link é possível calcular seu Índice!


Riscos e efeitos colaterais:

Mesmo que o emagrecimento seja o objetivo principal de quem utiliza as canetas, os efeitos desses medicamentos vão além da redução do peso. Também pode haver melhora no controle dos níveis de açúcar e do colesterol no sangue, o que reduz os riscos de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças cardiovasculares.

Porém, como qualquer outro medicamento, há riscos. Os efeitos colaterais mais comuns incluem náusea, vômito, diarreia, constipação intestinal e secura na boca. Em geral, esses sintomas diminuem ao longo do tratamento, especialmente quando a dose é ajustada de forma lenta e aos poucos.

Outro ponto de atenção é a perda de massa magra (diminuição do tecido muscular). Quando o emagrecimento ocorre de forma muito rápida ou sem uma alimentação balanceada e prática de atividade física, a perda muscular pode ser maior. Também há risco de formação de pedras na vesícula.

Além destes efeitos indesejados, há outro, considerado raro, mas previsto na bula: a inflamação do pâncreas ou pancreatite.

Como atualmente esses medicamentos se tornaram populares, aumentaram as notificações de casos de pancreatite, o que tem alertado autoridades de saúde no Brasil e em outros países, pois é um problema grave que pode levar à morte. Por essa razão, as medicações só devem ser utilizadas com indicação e acompanhamento médico rigoroso, observando todas as possíveis reações.


Cuidados durante o tratamento:

Uma das dúvidas mais relatadas é o que ocorre após a interrupção do uso do medicamento e se o tratamento deve ser temporário ou contínuo. Na maioria dos casos, o peso tende a voltar quando o remédio é suspenso, especialmente se não houver mudanças reais no estilo de vida. Isso não acontece com todas as pessoas, mas é frequente quando a medicação é utilizada sem que a pessoa faça também reeducação alimentar, prática regular de atividade física e cuide da saúde mental.

É importante lembrar que a obesidade é uma doença crônica. Assim como a hipertensão, por exemplo, muitos precisam de tratamento contínuo. Para esses pacientes, o uso prolongado do medicamento pode ser necessário para evitar o ganho de peso novamente e controlar os efeitos da doença.

Outro ponto importante são os perigos do uso destes medicamentos por crianças e adolescentes, sem acompanhamento médico.

A Sociedade Brasileira de Pediatria chama a atenção para os efeitos adversos: crescimento e desenvolvimento insuficientes, desidratação, distúrbios na quantidade de minerais do organismo (sódio, potássio, cálcio e magnésio), perda de massa muscular, pancreatite aguda e problemas na vesícula.

Além disso, usar as canetas simplesmente para modificar a aparência corporal, atingir padrões estéticos do ‘corpo ideal’ impostos pela sociedade, perda rápida de peso antes de festas, viagens ou competições, ou para compensar erros alimentares ou sedentarismo, pode servir como gatilho para o desenvolvimento de transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de ansiedade e depressão, relacionados à imagem corporal.

Cabe ao médico a recomendação e o acompanhamento, com base no histórico de saúde da pessoa, seus exames laboratoriais, além de expectativas e riscos envolvidos com a medicação.


Perigo das canetas importadas sem registro no Brasil:

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) orienta que os pacientes não comprem a medicação de forma ilegal, como por meio da internet ou de outro tipo de comércio.

A agência explica que qualquer produto adquirido fora das farmácias ou drogarias não tem qualquer garantia de origem, composição ou conservação. Por isso, seu uso pode provocar todo tipo de risco, desde falta do tratamento adequado até problemas graves de saúde decorrentes da automedicação com substâncias de origem desconhecida.

Ao adquirir canetas importadas, sem registro no Brasil:

– Não há quem se responsabilize por problemas relacionados ao produto;
– Não há como rastrear o produto e isso impossibilita que se adotem medidas de regulação, caso necessário;
– As orientações ou bulas em língua estrangeira geram riscos pela dificuldade de compreender as explicações sobre o remédio e a forma de utilizá-lo;
– Casos de falsificação, adulteração ou produtos clandestinos fogem ao controle das autoridades brasileiras.


Para aumentar a segurança no uso desses medicamentos, a Anvisa determinou que a partir de junho de 2025 eles só podem ser vendidos com receita médica feita em duas vias para que uma delas fique retida na farmácia. As receitas terão validade de 90 dias.

A Agência recomenda, ainda, que os usuários das “canetas emagrecedoras” procurem atendimento médico imediato em caso de sentirem dor abdominal forte e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos.


IMPORTANTE: Somente profissionais de saúde devidamente habilitados e de acordo com os limites legais de cada profissão podem diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. As informações disponíveis nas Dicas em Saúde possuem apenas caráter educativo.

Dica elaborada em agosto de 2026

Fontes:

Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein
Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)



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