“Compromisso com a Epilepsia” : 9/2 – Dia Internacional da Epilepsia 2026

Celebrado anualmente na segunda segunda-feira do mês de fevereiro, o Dia Internacional da Epilepsia é um evento que promove a conscientização e a compreensão sobre a doença em mais de 120 países, com o objetivo principal de desmistificar o preconceito e disseminar informações sobre uma das condições mais antigas que atingem o ser humano, além de destacar os problemas enfrentados por quem tem epilepsia, suas famílias e cuidadores.

A campanha é uma iniciativa global liderada pelo International Bureau for Epilepsy (IBE) e pela International League Against Epilepsy (ILAE), em consonância com o World Health Organization’s Intersectoral Global Action Plan on Epilepsy and Other Neurological Disorders (IGAP).

O tema de 2026 conclama para o “Compromisso com a Epilepsia” — uma nova maneira para a comunidade transformar a conscientização em progresso concreto e ajudar a construir um mundo onde a compreensão e a inclusão sejam a norma, não a exceção.

A data representa, ainda, um chamado para a:

Conscientização e Educação: ajudar o público a aprender o que é epilepsia, desmistificar crenças errôneas e compreender melhor os desafios enfrentados por pessoas que vivem com a doença e gerar conscientização que leve à empatia, inclusão e ação.

Participação Global: eventos e atividades acontecem em todo o mundo — desde eventos escolares e comunitários até seminários, cobertura da mídia e campanhas nas redes sociais para amplificar as vozes daqueles que vivem com epilepsia.

Defesa por Mudanças: a celebração clama por avanços nas políticas públicas e igualdade de acesso à saúde, educação, emprego e apoio social.


A epilepsia é uma alteração temporária e reversível do funcionamento cerebral, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios do metabolismo, em que, durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos que podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. Se ficarem restritos, a crise será chamada de parcial; se envolver os dois hemisférios cerebrais, de generalizada. Por isso, algumas pessoas podem ter sintomas mais ou menos evidentes de epilepsia, não significando que o problema tenha menos importância se a crise for menos aparente.


Sintomas:

Em crises de ausência, a pessoa apresenta-se “desligada” por alguns instantes, podendo retomar o que estava fazendo em seguida. Em crises parciais simples, o paciente experimenta sensações estranhas, como distorções de percepção ou movimentos descontrolados de uma parte do corpo. Ele pode sentir um medo repentino, um desconforto no estômago, ver ou ouvir de maneira diferente. Se, além disso, perder a consciência, a crise será chamada de parcial complexa.

Depois do episódio, enquanto se recupera, a pessoa pode sentir-se confusa e ter déficits de memória. Em crises tônico-clônicas, o paciente primeiro perde a consciência e cai, ficando com o corpo rígido; depois, as extremidades do corpo tremem e se contraem. Quando as crises duram mais de 30 minutos sem que a pessoa recupere a consciência, são perigosas, podendo prejudicar as funções cerebrais.


Causas:

Muitas vezes, a causa é desconhecida, mas pode ser por uma lesão no cérebro, decorrente de uma forte pancada na cabeça; uma infecção, como meningite ou neurocisticercose (“ovos de solitária” no cérebro), por exemplo; abuso de bebidas alcoólicas; abuso de drogas; má formação congênita do cérebro.


Tratamento:

O tratamento das epilepsias é feito com medicamentos que evitam as descargas elétricas cerebrais anormais, que são a origem das crises epilépticas; casos com crises frequentes e não controladas pelas drogas disponíveis, são candidatos à remoção cirúrgica da área cerebral em que as crises são originadas.

O sucesso do tratamento depende fundamentalmente do paciente, pois é preciso fazer uso regular da medicação por algum tempo, não necessariamente por toda a vida. A pessoa deve entender sua condição, saber qual medicamento está usando e quais são seus efeitos colaterais.

Enquanto toma o remédio – que é fornecido pelo Ministério da Saúde por meio das Unidades Básicas de Saúde – é importante manter acompanhamento médico regular para controle.

Em muitos casos as crises epiléticas não são previsíveis e as pessoas precisam de ajuda, principalmente para não se machucarem durante as convulsões. É importante estar atento e saber como proceder ao presenciar uma crise:

– Manter a calma e tranquilizar as pessoas ao redor;
– Evitar que a pessoa caia bruscamente ao chão;
– Tentar colocar a pessoa deitada de costas, em lugar confortável e seguro, com a cabeça protegida com algo macio;
– Nunca segurar a pessoa nem impedir seus movimentos (deixar debater-se);
– Retirar objetos próximos com que ela possa se machucar;
– Manter a pessoa deitada de barriga para cima, mas com a cabeça voltada para o lado, evitando que ela se sufoque com a própria saliva;
– Afrouxar as roupas, se necessário;
– Se possível, levantar o queixo para facilitar a passagem de ar;
– Não tentar introduzir objetos na boca do paciente durante as convulsões;
– Não dar tapas;
– Não jogar água sobre ela nem oferecer nada para ela cheirar;
– Verificar se existe pulseira, medalha ou outra identificação médica de emergência que possa sugerir a causa da convulsão;
– Permanecer ao lado da pessoa até que ela recupere a consciência;
– Se a crise convulsiva durar mais que 5 minutos sem sinais de melhora, pedir ajuda médica;
– Quando a crise passar, deixar a pessoa descansar.


Obs.: Crises que duram mais de cinco minutos ou crises recorrentes indicam uma situação de emergência neurológica conhecida como ‘estado do mal epilético’. Nesse caso, o paciente precisa de atendimento médico imediato para prevenir lesões neuronais.


Fontes:

Agência FAPESP
Dr. Dráuzio Varella
International Epilepsy Day
Liga Brasileira de Epilepsia



Publicado: Thursday, 01 de January de 1970

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