EQUIDADE NO ACESSO AOS SERVIÇOS DE SAÚDE; SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE; SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE; SERVIÇO HOSPITALAR DE ONCOLOGIA; INDICADORES DE DESIGUALDADE EM SAÚDE

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SOUSA, E. L. de et al. Disparidades geográficas e tendência temporal no fluxo de acesso ao tratamento de câncer: análise espacial, Brasil, 2015-2022. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 35, p. e20240725, 2026. Disponível em Scielo

Objetivo: Analisar aglomerados espaciais e tendências temporais no deslocamento de pacientes para tratamento oncológico no Brasil entre 2015 e 2022. Métodos: Tratou-se de análise espacial utilizando dados dos sistemas de informações hospitalares e ambulatoriais (2015-2022). Calcularam-se frequências absolutas e relativas dos tratamentos (cirurgia, quimioterapia e radioterapia) e padrões de deslocamento entre municípios. A análise de aglomerados (K-means) categorizou distâncias em baixa, média e elevada (intervalos: 2,1-261,4 km; 261,6-762,2 km; 764,0-3.865,8 km). Tendências temporais foram avaliadas por regressão de Prais-Winsten, estimando variação percentual anual (β) e intervalos de confiança (IC95%) como medida de dispersão. Resultados: Dos 27.204.159 atendimentos oncológicos, 55,2% envolveram deslocamento para outros municípios. No período, 3,6% pacientes receberam tratamento cirúrgico; 7,1%, radioterapia; e 89,3%, quimioterapia. Observou-se redução nas distâncias percorridas para hospitalização, de 93,0 km em 2015 para 84,2 km em 2022, com diminuição anual de 0,8% (IC95% -0,9; -0,7). Para quimioterapia, a redução foi de 87,8 km para 83,5 km, com variação de -0,4% ao ano (IC95% -0,4; -0,3). As distâncias para radioterapia permaneceram estáveis, com leve variação de -0,3% (IC95% -0,9; 0,2). Conclusão: A redução na distância percorrida para hospitalização e quimioterapia contrastam com a estabilidade na radioterapia. A manutenção de deslocamentos extensos para radioterapia evidencia disparidades na distribuição geográfica desses serviços. Assim, destaca-se a urgência e sugere-se a descentralização dos serviços oncológicos e de investimentos em infraestrutura, de forma regionalizada, que assegure o acesso da população, especialmente daquelas que residem em áreas rurais e remotas, para garantir o acesso equitativo a tratamentos de alta complexidade.



Publicado: Thursday, 01 de January de 1970

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