MAUS-TRATOS INFANTIS; SAÚDE DAS MINORIAS ÉTNICAS; SAÚDE MENTAL
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SANTOS, V. C. et al. Violência familiar na infância, fatores sociodemográficos e étnico-raciais, e a ocorrência de problemas comportamentais externalizantes na adolescência. Cadernos Saúde Coletiva, v. 33, n. 4, p. e33040194, 2025. Disponível em Scielo
Introdução: Caracterizados por comportamento agressivo e violação de regras, os Problemas Comportamentais Externalizantes (PCE) na adolescência representam elevada prevalência em países em desenvolvimento como o Brasil, onde desvantagens socioeconômicas predominam em determinados grupos étnico-raciais. Objetivo: Investigar se há associações entre exposição à violência familiar na infância, fatores sociodemográficos, raça/cor da pele e grau de ancestralidade biogeográfica, e a prevalência de PCE na adolescência. Métodos: Estudo transversal, realizado com 755 adolescentes residentes em Salvador/BA. Aplicou-se o Youth Self Report, Parent-Child Conflict Tactics Scales e questionário sociodemográfico. Raça/cor foi autodeclarada e grau de ancestralidade biogeográfica, mensurada por amostras de DNA. Empregou-se estatística descritiva, além de regressão logística bivariada e multivariada, adotando-se Intervalo de Confiança (IC) de 95%. Resultados: A prevalência de PCE foi de 35,23%, permanecendo fortemente associada em níveis de significância estatística no modelo final de regressão logística multivariada com o sexo feminino (OR=2,08; IC95% 1,51–2,86) e a exposição frequente a maus tratos físicos na infância (OR=3,15; IC95% 2,21–4,48). Nessa mesma direção, mas com menor força que as demais variáveis, viu-se a renda familiar mensal menor ou igual a um salário mínimo (OR=1,49; IC95% 1,00–2,26). Conclusão: Diante desses resultados, é necessário implementar ações de prevenção de PCE e priorizar assistência aos adolescentes acometidos por esses problemas.
Publicado: Thursday, 01 de January de 1970