“Mudar a Comunicação sobre o Suicídio” : 10/9 – Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio 2026

O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio foi instituído em 2003 pela International Association for Suicide Prevention (IASP), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Todos os anos, em 10 de setembro, a campanha chama a atenção global para a prevenção do suicídio, unindo comunidades, organizações e governos em torno da convicção compartilhada de que os suicídios são evitáveis.

2026 marca o último ano do tema trienal: “Mudar a Comunicação sobre o Suicídio” — acompanhado pelo chamado à ação: “Iniciar a Conversa”. Essa temática convida a desafiar mitos prejudiciais, reduzir o estigma e promover conversas abertas e compassivas sobre a questão. Trata-se de transitar do silêncio e da incompreensão para a abertura, a empatia e o apoio, criando ambientes onde as pessoas se sintam à vontade para falar e buscar ajuda.


O suicídio é um grave problema de saúde pública, com consequências sociais, emocionais e econômicas de grande alcance. Estima-se que ocorram atualmente mais de 720.000 suicídios por ano em todo o mundo, e sabe-se que cada caso afeta profundamente muitas outras pessoas. Por isso, continua sendo uma questão global crítica, que impacta indivíduos e comunidades ao redor do globo.

Mudar a narrativa sobre o suicídio visa inspirar indivíduos, comunidades, organizações e governos a participarem de discussões abertas e honestas sobre o problema e o comportamento suicida. A partir desta comunicação fundamental, é possível romper barreiras, aumentar a conscientização e promover culturas mais voltadas à compreensão e ao apoio.

No Brasil, a campanha de prevenção ao suicídio é conhecida como ‘Setembro Amarelo’ – um movimento de conscientização promovido desde 2014 por diversas entidades, entre elas a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Centro de Valorização da Vida (CVV).

Para este ano, alinhado ao tema mundial, foi definido o slogan “Escutar é estar presente”, cujo foco é lembrar que oferecer uma escuta acolhedora, atenta, empática e sem julgamentos pode representar o primeiro passo para que alguém em sofrimento emocional encontre apoio e não enfrente esse momento sozinho.

Segundo a OMS, todos os anos mais pessoas morrem em decorrência do suicídio do que por doenças como HIV/aids, malária ou câncer de mama – ou por guerras e homicídios.

Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a terceira causa de morte depois de acidentes no trânsito, tuberculose e violência interpessoal. Trata-se de um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplos determinantes, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, gêneros, culturas, classes sociais e idades.

Em países da Europa, houve declínio nas taxas de suicídio e, ao contrário, observou-se um aumento na região do Leste Asiático, América Central e América do Sul.

Embora alguns países tenham colocado a prevenção do suicídio no topo de suas agendas, muitos permanecem não comprometidos. Atualmente, apenas 38 nações são conhecidas por terem uma estratégia nacional de prevenção.

Como iniciativa para apoiar os países no fortalecimento da vontade política, da ação estratégica nacional e servindo como catalisador para que os governos adotem medidas baseadas em evidências para prevenir o suicídio, a OMS desenvolveu o Live Life (Viva a Vida), um guia com abordagens preventivas que destacam a importância da implementação de providências, como:

– Restrição ao acesso a armas de fogo;
– Proibição dos pesticidas mais perigosos;
– Redução do tamanho das embalagens de medicamentos;
– Instalação de barreiras de acesso aos locais de risco conhecido de suicídio;
– Adoção de estratégias responsáveis de comunicação, evitando matérias que descrevam  ações suicidas para evitar a imitação, enfatizando histórias de recuperação bem-sucedidas.

O Guia ressalta, ainda, a importância de capacitar os profissionais do setor saúde para identificar, avaliar e realizar o acompanhamento precoce das pessoas em risco.


“Apesar da complexidade de seus determinantes, o suicídio pode ser prevenido com intervenções individuais e coletivas de diagnóstico, atenção, tratamento e prevenção a transtornos mentais, ações de conscientização, promoção de apoio sócio emocional, limitação de acesso a meios”, destaca a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde brasileiro.

O Brasil registra uma média de 14 mil a 16 mil mortes por suicídio por ano, o que corresponde a 38 óbitos por dia, com taxa crescente de 43% na última década (2010 a 2019).

Dados da SVS divulgados pelo Ministério da Saúde em setembro de 2022 mostram que entre 2016 e 2021 houve um aumento de 49,3% nas taxas de mortalidade de adolescentes de 15 a 19 anos, e de 45% entre adolescentes de 10 a 14 anos.

Os estados das regiões Sul e Centro-Oeste costumam apresentar as maiores taxas proporcionais por 100 mil habitantes, sendo o Rio Grande do Sul um dos destaques em termos de taxa relativa.


No âmbito do SUS, em 2006 foi publicada a Portaria nº 1876, que instituiu as Diretrizes Nacionais para Prevenção do Suicídio, a serem implantadas em todas as unidades federadas, respeitadas as competências das três esferas de gestão. Ainda em 2006, foi lançado um Manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental (este material encontra-se em processo de revisão e atualização).

Em 2011, pela Portaria nº 3088, foi instituída a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) para assistir às pessoas com sofrimento ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, ofertando o cuidado em saúde mental por todos os pontos da RAPS, que prevê a articulação desde a Atenção Básica: Equipe de Saúde da família (ESF), Unidade Básicas de Saúde (UBS), Centro de Convivência, Consultório na Rua, Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) até a Atenção Hospitalar e serviços de urgência e emergência (UPA 24h, SAMU 192), sob a coordenação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).


Prevenção:

Não há uma ‘fórmula’ para detectar seguramente quando uma pessoa está vivenciando uma crise suicida, nem se tem algum tipo de tendência ao suicídio. Entretanto, um indivíduo em sofrimento pode dar sinais que devem chamar a atenção de seus familiares e amigos próximos, sobretudo se muitos desses se manifestam ao mesmo tempo. Destacam-se:

– O aparecimento ou o agravamento de problemas de conduta ou de manifestações verbais durante pelo menos duas semanas: Essas manifestações não devem ser interpretadas como ameaças nem como chantagem emocional, mas sim como avisos de alerta para um risco real.

– Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança: As pessoas sob risco de suicídio costumam falar sobre morte e suicídio mais do que o comum, confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com falta de autoestima e têm visão negativa de sua vida e futuro. Essas ideias podem ser expressadas de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos.

– Expressão de ideias ou de intenções suicidas: Ter atenção para comentários como: “Vou desaparecer”; “Vou deixar vocês em paz”; “Eu queria poder dormir e nunca mais acordar”. Pode parecer óbvio, mas muitas vezes são afirmações ignoradas.

– Isolamento: Pessoas com pensamentos suicidas podem se isolar, não atendendo a telefonemas, interagindo menos nas redes sociais, ficando em casa ou fechadas em seus quartos, reduzindo ou cancelando todas as atividades sociais, principalmente aquelas que costumavam e gostavam de fazer.


Outros fatores predisponentes:

Exposição a agrotóxicos, perda de emprego, crises políticas e econômicas, discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, agressões psicológicas e/ou físicas, sofrimento no trabalho, diminuição ou ausência de autocuidado, conflitos familiares, perda de um ente querido, doenças crônicas, dolorosas e/ou incapacitantes, entre outros, podem ser fatores que vulnerabilizam, ainda que não possam ser considerados como determinantes para o suicídio. Sendo assim, devem ser levados em consideração se o indivíduo apresenta outros sinais de alerta para o suicídio.


Onde buscar ajuda:

– CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde);
– UPA 24H; SAMU 192, Pronto Socorros; Hospitais;
– Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).


Fontes:

Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)
Conselho Federal de Medicina (CFM)
International Association for Suicide Prevention (IASP)
Ministério da Saúde
Organização Mundial da Saúde (OMS)
Setembro Amarelo (ABP)
Setembro Amarelo (CVV)



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