Prioridades para um Brasil mais justo, saudável e preparado para o futuro: contribuições da Fiocruz para as eleições 2026

Por que a saúde precisa estar no centro das escolhas eleitorais de 2026?

O Brasil chega às eleições de 2026 diante de desafios em saúde que fazem parte da vida cotidiana da população. O acesso a serviços é desigual entre regiões e territórios. As mudanças climáticas já afetam a vida nas cidades, nos campos, nas florestas e nas periferias. A violência atinge profunda e desigualmente famílias e comunidades. A desinformação compromete decisões importantes sobre prevenção, vacinação e cuidado. Em paralelo, o país precisa fortalecer a sua capacidade de produzir conhecimento e tecnologias, de responder a emergências sanitárias e de reduzir dependências em áreas estratégicas, como a produção de vacinas e medicamentos.

Priorizar a saúde exige um olhar que transcende hospitais e medicamentos. Implica reconhecer que as condições de saúde são produzidas nas relações entre políticas públicas, formas de organização da vida social, produção do conhecimento, trabalho, ambiente e democracia. Significa colocar no centro do debate as condições de vida da população, a soberania científica e a capacidade do Estado de reduzir desigualdades, afirmando a saúde como dimensão constitutiva de um projeto de desenvolvimento sustentável, democrático e comprometido com a justiça social.

A saúde está presente em tudo o que sustenta a vida: no direito ao cuidado, na proteção social, na qualidade do ambiente, na produção de vacinas e medicamentos, na confiança pública e na capacidade de enfrentar crises. Quando a saúde é tratada como eixo estratégico, o país se torna mais preparado para proteger vidas, reduzir desigualdades, inequidades e construir um futuro com mais segurança e dignidade. A Fiocruz apresenta este documento como um convite ao diálogo e como contribuição ao debate público sobre os rumos do país nas eleições de 2026. Ele nasce inspirado nas decisões do nosso X Congresso Interno, concluído em fevereiro de 2026. O objetivo é oferecer prioridades para o país, dialogando com a sociedade, com as candidaturas e com as equipes que irão formular propostas para os próximos anos. O conhecimento científico, articulado aos saberes produzidos nos territórios, às políticas públicas e à participação social, constitui um elemento indispensável para enfrentar crises sanitárias, ambientais e sociais.

Mais do que reafirmar princípios, o intuito é colaborar com um debate capaz de orientar escolhas públicas comprometidas com a redução das desigualdades, a defesa da vida e o fortalecimento da democracia brasileira. Com este documento, a Fundação pretende fortalecer o diálogo e a construção coletiva de compromissos com candidaturas, equipes de formulação, gestores públicos, movimentos sociais, trabalhadores, pesquisadores e os diversos segmentos da sociedade brasileira. Ao situar a saúde como campo estratégico para o desenvolvimento nacional, esta Carta reafirma que as escolhas realizadas no presente produzirão efeitos duradouros sobre as condições de vida da população. Por isso, a saúde não pode ser reduzida a um tema setorial ou periférico, mas deve orientar as decisões públicas e integrar um projeto de país mais justo, democrático, soberano e comprometido com a dignidade de todas as pessoas.

As eleições de 2026 representam, por tanto, uma oportunidade para colocar no centro do debate público temas que afetam diretamente a população brasileira: o fortalecimento do SUS, a redução das desigualdades, a valorização da ciência, a preparação para emergências, a resposta à crise climática, a proteção contra a desinformação e o compromisso com um desenvolvimento sustentável e soberano.


Sete compromissos para colocar a saúde no centro do futuro do Brasil:

– Fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e melhorar o cuidado em todo o país;
– Valorizar quem trabalha na saúde;
– Produzir mais ciência, vacinas, medicamentos e tecnologias no Brasil;
– Reduzir desigualdades e proteger as populações em maior situação de vulnerabilidade;
– Preparar o país para os impactos da crise climática e novas emergências em saúde ou pandemias;
– Fortalecer a confiança pública, enfrentar a desinformação e ampliar o diálogo entre ciência e sociedade;
– Defender o desenvolvimento sustentável e o papel do Brasil na cooperação internacional em saúde.


A íntegra da Carta aberta à sociedade, às candidaturas e às equipes de formulação está disponível aqui!


Fonte:

Agência Fiocruz de Notícias



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