SAÚDE DO TRABALHADOR
ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE; CONDIÇÕES DE TRABALHO; POLÍTICA DE SAÚDE; SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
053
BERNARDES, R. C.; CAMPOS, C. M. S.; BERTOLOZZI, M. R. Precarização do trabalho na saúde e impactos da Reforma Trabalhista na Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora: uma revisão de escopo. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 50, p. e30, 2025. Disponível em Scielo
Introdução: A precarização das condições de trabalho na saúde, intensificada após a Reforma Trabalhista de 2017 no Brasil, compromete a efetivação da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (PNSTT), especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS). Objetivo: Revisar a literatura atinente aos impactos da Reforma Trabalhista na implementação da PNSTT, com foco na APS. Métodos: Trata-se de revisão de escopo. A busca foi realizada nas bases PubMed, SciELO, LILACS, Web of Science e literatura cinzenta, incluindo estudos publicados no período 2012–2024, nos idiomas português, inglês e espanhol. Resultados: Dos 510 registros iniciais, 32 estudos foram incluídos (14 em bases indexadas e 18 na literatura cinzenta). Os achados evidenciaram vínculos instáveis, terceirização e alta rotatividade, além de intensificação do trabalho com sobrecarga e jornadas extensas. Destacaram-se impactos na saúde dos profissionais, sobretudo adoecimentos mentais e fragilidades na fiscalização da PNSTT, revelando a vulnerabilidade dos trabalhadores da APS diante das reformas trabalhistas. Conclusão: A precarização do trabalho compromete a efetivação da PNSTT na APS, demandando um reforço na regulação das terceirizações, a valorização profissional e o fortalecimento das políticas públicas.
JORNADA DE TRABALHO EM TURNOS; ACIDENTES; ACIDENTES DE TRABALHO; ACIDENTES DE TRÂNSITO
054
NASCIMENTO-SOUZA, M. A.; SILVA, L. S. Associação entre trabalho noturno e em turnos ininterruptos com acidentes de trabalho e de trajeto: resultados da Pesquisa Nacional de Saúde, 2019. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 50, p. e24, 2025. Disponível em Scielo
Introdução: O trabalho em turnos e o trabalho noturno (TN) podem resultar em consequências adversas para os trabalhadores. Objetivo: Avaliar a prevalência do TN e do trabalho em turnos ininterruptos (TTI) e sua associação com acidentes de trabalho e de trajeto. Métodos: Estudo transversal com dados de trabalhadores adultos participantes da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada em 2019, no Brasil. Foram construídos modelos de regressão logística, ajustados por sexo, faixa etária e escolaridade. Resultados: Foram incluídos 51.186 trabalhadores, dos quais 55,0% eram do sexo masculino. A prevalência do TN foi de 13,4% (IC95% 12,9;14,0) e do TTI foi de 1,8% (IC95% 1,6;2,0). O TN esteve associado a maior chance de acidentes de trabalho (OR ajustado: 1,4; IC95%: 1,1;1,8) e de trajeto (OR ajustado: 1,4; IC95%: 1,1;1,8), enquanto o TTI associou-se apenas a acidentes de trabalho (OR ajustado: 2,5; IC95%: 1,5;4,2). Conclusão: A maior chance de acidentes de trabalho e de trajeto entre trabalhadores em turnos noturnos, assim como de acidentes de trabalho entre aqueles que trabalhavam em turnos ininterruptos, revela a necessidade de políticas adicionais de saúde e segurança voltadas para a redução do risco de acidentes entre tais trabalhadores.
POLÍTICA DE SAÚDE DO TRABALHADOR; SERVIÇOS DE SAÚDE; VIGILÂNCIA EM SAÚDE DO TRABALHADOR
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CAVINATTO, T. J. et al. Fragilidades e estratégias para fortalecimento das ações em Saúde do Trabalhador na Atenção Primária à Saúde: percepções de trabalhadores de saúde. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 50, p. e12, 2025. Disponível em Scielo
Objetivo: Identificar fragilidades e estratégias para fortalecimento das ações em Saúde do Trabalhador (ST) na Atenção Primária à Saúde (APS), a partir dos conhecimentos e percepções de trabalhadores de saúde. Métodos: Pesquisa qualitativa, descritiva-exploratória, realizada em um município paulista, em julho e agosto de 2020. Participaram 17 profissionais de saúde, vinculados a três unidades da APS. Foi observado o critério de saturação teórica para composição da amostra por conveniência. Os dados foram analisados segundo a análise temática de conteúdo. Como fragilidades, os participantes tiveram dificuldade em reconhecer os usuários da APS como trabalhadores, houve pouca familiaridade com a linha de cuidado em ST, desarticulação nos diferentes pontos da rede e atuação limitada dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest). Apontaram como estratégias para fortalecimento: (re) conhecimento do Cerest como apoiador das atividades nos serviços de saúde, fortalecimento da articulação intrasetorial para a Vigilância em Saúde do Trabalhador, das ações de educação em saúde e da estrutura da APS para o acesso do trabalhador. As fragilidades e estratégias identificadas apontam para a necessidade de investimentos para a revitalização dos Cerest, articulação da rede de atenção e formação dos profissionais, direcionada ao matriciamento e aos pressupostos da vigilância.
Publicado: Thursday, 01 de January de 1970