“Tons de Gagueira – Qual é o seu?” : 22/10 – Dia Internacional de Conscientização sobre a Gagueira 2026

Celebrado anualmente em 22 de outubro, desde 1998, o Dia Internacional de Conscientização sobre a Gagueira foi instituído pela International Fluency Association (IFA) e pela International Stuttering Association (ISA), tornando-se referência para promover a conscientização e a desmistificação de diversos pontos relacionados ao problema.

A condição é mais prevalente em crianças, especialmente entre os 2 e 6 anos de idade, período crítico para o desenvolvimento da linguagem. Estudos indicam que a gagueira afeta aproximadamente 5% das crianças, com uma prevalência maior em meninos do que em meninas. Embora muitos casos sejam resolvidos espontaneamente, cerca de 1% da população adulta continua a apresenta-la. No Brasil, estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas gaguejam de forma crônica.


A gagueira (disfluência da fala ou disfemia) é um distúrbio de caráter multifatorial que pode ter diferentes causas, como fatores hereditários, neurobiológicos e motores. No centro do problema está uma dificuldade do cérebro em “encerrar” um som/sílaba no tempo esperado e seguir para o próximo, o que pode fazer a pessoa ficar presa no início (ou em outro ponto) da palavra até conseguir prosseguir.

Pesquisas indicam que a condição está associada a um funcionamento inadequado de células nervosas envolvidas no controle da automatização da fala, ocasionando bloqueios e repetições característicos.

As manifestações mais conhecidas ocorrem como:

– Bloqueios: Interrupções no fluxo da fala;
– Prolongamentos: Extensão de sons ou sílabas;
– Repetições: De sons ou sílabas.


Gagueira Encoberta:

Nem sempre a disfemia fica evidente para quem escuta. Em alguns casos, a pessoa desenvolve a chamada gagueira encoberta, quando a fala parece “mais solta” mas existe um alto custo interno de estratégias para evitar gaguejar — como trocar palavras, mudar a ordem da frase, usar marcadores (“bom…”, “então…”), inserir pausas/”éh…”, além de evitar situações ou pessoas específicas.


Porque a fluência varia tanto?

Muitas pessoas estranham o fato de a gagueira melhorar bastante em certas condições (por ex.: cantar, ler em coro, falar com ritmo marcado, falar silabando, imitar sotaque) e piorar em outras (principalmente na fala espontânea, com mais conteúdo e demanda). Essa variação costuma alimentar mitos (“é nervoso”, “é emocional”), mas uma explicação consistente é que diferentes situações mudam o quanto a fala depende de mecanismos de automatização — associados, entre outras estruturas, aos núcleos da base, que participam da automatização de tarefas como falar, escrever e dirigir.


Um ponto essencial: gagueira é involuntária:

A pessoa que gagueja sabe o que quer dizer, mas pode não conseguir executar a fala como pretende naquele momento. Por isso, além dos sinais observáveis, é comum existir sofrimento interno, frustração e impacto em situações escolares, profissionais e sociais — especialmente quando surgem medo, antecipação e estratégias de evitação.


Impactos no dia a dia:

A gagueira pode se dividir em diferentes níveis de severidade, variando de leve a grave, de acordo com a frequência e a intensidade das disfluências, bem como no impacto emocional e comportamental sobre o indivíduo, podendo afetar significativamente sua qualidade de vida e autonomia, interferindo na comunicação eficaz e levando a sentimentos de frustração, ansiedade e baixa autoestima.

Em casos graves, pode limitar as oportunidades educacionais e profissionais, além de impactar negativamente as relações sociais e a participação em atividades cotidianas. Daí a importância da conscientização pública para reduzir o estigma associado à condição e promover um ambiente mais inclusivo para aqueles que vivem com o transtorno.


Tratamento:

Atualmente, não existe uma cura definitiva para a gagueira, mas há tratamentos eficazes que podem ajudar a gerenciar e reduzir os sintomas, geralmente de forma multidisciplinar, envolvendo fonoaudiólogos, psicólogos e, em alguns casos, neurologistas.

O cuidado especializado é indicado principalmente quando o problema persiste além da infância, causa sofrimento significativo ou interfere nas atividades diárias e na comunicação. A intervenção precoce é crucial para maximizar os resultados terapêuticos.

As abordagens do cuidado incluem técnicas de fluência, modificação da gagueira, terapia cognitivo-comportamental e, em alguns casos, o uso de dispositivos eletrônicos que auxiliam na fluência.

A assistência fonoaudiológica une ciência e sensibilidade: não é apenas aplicar uma técnica, e sim compreender como aquela pessoa se organiza diante da fala, sua história, contexto, sinais associados e impacto na vida.

Além disso, a pesquisa contínua é essencial para desenvolver novas intervenções e melhorar as existentes. Ressalta-se que a compreensão e o apoio da família, de amigos e educadores são fundamentais para o sucesso do tratamento.


Campanha de 2026:

O tema da campanha deste ano: “Tons de Gagueira – Qual é o seu?” é um chamado ao diálogo sobre os desafios enfrentados por pessoas que gaguejam, mas também sobre os benefícios de conviver com ela. Benefícios que ajudam na conexão com outras pessoas, que valorizam sua fala e a forma como se expressam. Por isso, os organizadores das atividades comemorativas encorajam e convidam a todos para compartilhar suas experiências. Como se pode unir esses dois aspectos e avançar com mais consciência, valorização da fala e da expressão pessoal?


Em alusão aos diversos eventos que ocorrem ao redor do mundo no dia 22 e a exemplo dos anos anteriores, no período de 1º a 31 de outubro, realiza-se a International Stuttering Awareness Day (ISAD) Online Conference. Os interessados podem enviar artigos, vídeos, poemas, histórias, pesquisas ou reflexões!


Fontes:

Associação Brasileira de Gagueira
Conselho Federal de Fonoaudiologia
Hospital Alemão Oswaldo Cruz
International Stuttering Awareness Day (ISAD)



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