18/9 – Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma 2026

Celebrado anualmente em 18 de setembro, o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma foi instituído por meio da Lei nº 12.637/2012, com o objetivo de chamar a atenção da população brasileira e dos profissionais da saúde sobre a importância de que este tipo de câncer ocular, considerado o mais comum na infância, seja diagnosticado precocemente de modo a facilitar a cura e a preservação dos olhos e da visão das crianças acometidas.

De acordo com o Hospital do Grupo de Apoio ao Adolescente e a Criança com Câncer (GRAAC), referência no tratamento da doença, o Brasil tem de 250 a 300 novos casos retinoblas por ano. No mundo esse número fica em torno de 8 mil.

A visão é um sentido fundamental para que os bebês se desenvolvam. Sua perda nos primeiros anos de vida tem grande impacto no desenvolvimento global da criança, pela falta de experiências visuais prévias, o que afeta a evolução motora, psicoemocional e cognitiva, e interfere na educação e no cuidado dado pelos familiares e profissionais. O período crítico da progressão visual ocorre nos primeiros 7 anos de vida, sendo os meses iniciais, a fase mais suscetível a alterações.

O teste do reflexo vermelho (TRV), conhecido como ‘teste do olhinho’, deve ser realizado em todos recém-nascidos, nas primeiras 48 horas de vida ou antes da alta hospitalar. Se isso não for possível, por exemplo em caso de parto domiciliar ou prematuridade, a avaliação deve ser feita na primeira consulta com o pediatra, principalmente nos primeiros 3 meses de vida, devendo ser repetido pelo menos 3 vezes por ano nas consultas de rotina, durante os primeiros 3 anos de vida.

É um exame simples, que faz parte da triagem neonatal, capaz de detectar precocemente doenças oculares que causem obstrução no eixo visual, possibilitando o tratamento no tempo certo. Isso permite o desenvolvimento normal da visão, impedindo ou reduzindo o risco de cegueira e até mesmo, a morte.


O retinoblastoma é um tipo de câncer causado por uma mutação do gene RB1 das células embrionárias da retina, parte do olho responsável pela visão. É considerado raro, com frequência aproximada de 14 a 20 casos a cada 14 mil a 20 mil nascidos vivos.

A doença tem caráter genético, mas, na realidade, em 90% dos casos, ocorre uma mutação genética nova e, portanto, não é imperativo que a criança com a condição tenha um histórico familiar de retinoblastoma. Apenas 10% dos casos estão associados a fatores familiares.

Afeta principalmente crianças pequenas, geralmente antes dos 5 anos de idade, e pode atingir um ou ambos os olhos, podendo estar presente já ao nascimento ou aparecer até o quinto ano de vida.

O diagnóstico para confirmação do retinoblastoma é feito por meio de exame detalhado do fundo do olho, com a pupila dilatada. Na maioria dos casos, não é necessário realizar biópsia. Porém, quanto mais cedo o tumor é identificado, maiores são as chances de sucesso no tratamento.


Sintomas:

O sinal mais comum é um reflexo branco na pupila (leucocoria), conhecido como “olho de gato”. Esse reflexo pode aparecer em fotos com flash ou em ambientes com pouca luz.

Outros sinais incluem:

– Olhos desalinhados (estrabismo);
– Dificuldade para enxergar;
– Dor ou vermelhidão nos olhos;
– Inchaço ao redor do olho.


Tratamento:

O tratamento depende do estágio da doença e pode incluir:

– Tratamentos locais (laser, crioterapia, quimioterapia intravítrea e intra-arterial);
– Quimioterapia;
– Radioterapia.

Em casos mais avançados, pode ser necessária a retirada do olho (enucleação).

Devido à complexidade do tratamento, melhores resultados são obtidos em pacientes tratados em centros especializados em câncer pediátrico e com disponibilidade de serviço de oncologia ocular. Quando o diagnóstico é feito precocemente, há grandes chances de cura e, muitas vezes, de preservar a visão.


Prevenção:

Não existe uma forma de prevenir o surgimento do retinoblastoma, pois trata-se de um tumor definido geneticamente, sem fatores de risco evitáveis conhecidos. O foco principal para salvar a visão e a vida da criança é o diagnóstico precoce.


Fontes:

Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (TUCCA)
Imagem: Conselho Federal de Medicina (CFM)
Instituto Nacional de Câncer (Inca)
Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente (Instituto Fernandes Figueira / Fiocruz)
Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM)



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