19/5 – Dia Nacional de Combate à Cefaleia 2026

Celebrado em 19 de maio, data de criação da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe), o Dia Nacional de Combate à Cefaleia tem como objetivo alertar a população sobre a dor de cabeça, orientar a respeito dos riscos e das formas de prevenção, além de conscientizar sobre os perigos da automedicação.
A Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3) reconhece mais de 300 tipos diferentes da condição, divididos em cefaleias primárias, nas quais a dor é a própria doença, e secundárias, em que a dor representa sintoma decorrente de causas diversas, como vasculares, infecciosas, tumorais, traumáticas e metabólicas, entre outras.
95% das pessoas terão em suas vidas ao menos um episódio de dor de cabeça, conforme a SBCe. Cerca de 70% das mulheres e 50% dos homens passam por isso uma vez ao mês – no mínimo. Aproximadamente 13 milhões encaram a dor 15 ou mais dias por mês. São os casos classificados como enxaqueca crônica, doença que chega a ser incapacitante, impedindo ou prejudicando a realização de atividades de rotina.
A patologia causa um grande impacto socioeconômico e é um dos principais motivos de falta ao trabalho, sendo considerada a segunda condição médica mais comum da humanidade.
Cefaleia pode ser definida como a dor na região da cabeça que envolve rosto, pescoço ou nuca e couro cabeludo, podendo ser unilateral ou bilateral.
De acordo com o médico neurologista e especialista em dor Felipe Dias, que atua no Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil), a avaliação médica é fundamental diante de sinais de alerta, assim como em quadros que provoquem limitação funcional ou sofrimento.
“Como a cefaleia é uma das principais causas de incapacidade na faixa etária produtiva, ou seja, de absenteísmo ocupacional, o acompanhamento especializado torna-se indispensável. Uma forma mais objetiva de reconhecer a gravidade dessa condição, muitas vezes subvalorizada, é a necessidade de uso de analgésicos em frequência superior a dois dias por semana. Esse padrão indica descompensação clínica, eleva o risco de cronificação da dor e compromete substancialmente o prognóstico e o manejo terapêutico posterior”, explica Felipe.
Para o especialista, três pontos merecem destaque no debate sobre a cefaleia. O primeiro é que a cefaleia “não é frescura”. A migrânea, popularmente conhecida como enxaqueca, é a segunda maior causa mundial de anos vividos com incapacidade e afasta do trabalho a população economicamente ativa, especialmente entre 25 e 55 anos, por mais dias do que muitas doenças crônicas, configurando-se como um problema de saúde pública.
O segundo ponto é a automedicação, que, quando se torna frequente, representa a principal causa reversível de cefaleia crônica diária. Pacientes que utilizam analgésicos de qualquer tipo entre 10 e 15 dias por mês podem evoluir para cefaleia por uso excessivo de medicação, e o quadro costuma melhorar apenas com a redução gradual do medicamento.
Por fim, Felipe destaca os avanços terapêuticos disponíveis atualmente. “Anteriormente, utilizávamos medicamentos de outras áreas para tratar enxaqueca, como antidepressivos, anticonvulsivantes e anti-hipertensivos. Hoje, dispomos de medicamentos desenvolvidos especificamente para bloquear essas vias. Isso permite oferecer tratamentos muito mais eficazes, direcionados à fisiopatologia da enxaqueca e com menos efeitos colaterais”, ressalta.
O médico descreve os principais fatores desencadeantes das cefaleias primárias tensionais, entre eles sedentarismo, estresse e erros posturais, fatores também comuns na enxaqueca. Já na migrânea, podem ser observados gatilhos como estresse, privação ou excesso de sono, jejum prolongado, desidratação, oscilações hormonais no período menstrual, além de alimentos como vinho, queijos, melancia e embutidos, em pacientes suscetíveis. Estímulos sensoriais intensos, como luzes fortes e odores, além de mudanças climáticas, também podem desencadear crises.
Em alguns casos, pode ser sintoma de doenças mais graves, como meningite, aneurisma ou tumores cerebrais.
Por isso, o diagnóstico correto é essencial para definir o alvo terapêutico adequado e evitar um problema frequente na prática clínica: a cefaleia por uso excessivo de medicamentos. O uso crônico e indiscriminado de analgésicos e anti-inflamatórios, comum entre pessoas que se automedicam, pode provocar efeito contrário ao esperado, tornando a dor crônica, agravando os sintomas e dificultando o controle da doença.
Tipos de cefaleia:
As cefaleias podem ser divididas em primárias, quando a dor de cabeça é a própria doença, ou secundárias, quando é sintoma de outra patologia. Entre os principais destacam-se:
– Cefaleia tensional: também chamada de cefaleia de tensão, essa dor de cabeça surge geralmente no fim do dia, sendo resultado de um processo de tensão ou de estresse muito grande. Tensionar de forma excessiva a musculatura do pescoço, da nuca, da testa e ao redor do crânio, pode resultar em dor de cabeça de intensidade leve a moderada.
Geralmente, esse tipo de dor faz com que a cabeça inteira doa, mas não costuma impedir que a pessoa continue com suas atividades diárias.
– Cefaleia em salvas: costuma atingir somente um lado da cabeça e se apresentar em ondas pulsantes. Surge e desaparece de repente e pode envolver até mesmo os olhos, causando uma queda da pálpebra ou lacrimejamento de um olho.
– Cefaleia cervicogênica: a dor se origina no pescoço, geralmente como resultado de um processo relacionado à coluna vertebral. Pode ser agravada por certas posturas do pescoço ou se alguma pressão for aplicada nele.
– Cefaleia causada por medicamentos: também conhecida como cefaleia de rebote, pode ocorrer quando analgésicos são usados com muita frequência para aliviar dores de cabeça fazendo com que o organismo se acostume ao medicamento, resultando em mais dores de cabeça quando a medicação é interrompida.
– Enxaqueca: caracteriza-se por dores pulsantes, que podem ser intensas ou moderadas. Pode ser provocada por cheiros fortes, sons, ambientes com alta luminosidade e ingestão de cafeína em excesso. As crises podem durar de quatro a 72 horas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a enxaqueca atinge em torno de 15% da população mundial. Só no Brasil, são mais de 30 milhões de pessoas sofrendo com essa doença.
A enxaqueca tem forte relação com o estilo de vida – sedentarismo, tabagismo, obesidade, alimentação inadequada, transtornos do humor (depressão e ansiedade), fibromialgia e alterações orofaciais (disfunção temporomandibular). Por isso, geralmente seu tratamento é realizado de maneira multidisciplinar, com a atuação não apenas do neurologista, mas também do odontólogo, nutricionista, psicólogo, enfermeira e fisioterapeuta.
Tratamento:
Um dos erros mais comuns para tratar as cefaleias é a automedicação. O fácil acesso a analgésicos e anti-inflamatórios permite que a população se automedique. Quando a frequência da cefaleia é baixa, dois ou menos episódios por mês, isto não acarreta maiores problemas. Porém, quando as dores de cabeça aparecem numa frequência superior, o paciente possui indicação de tratamento preventivo e a automedicação pode até piorar tanto a frequência quanto a intensidade dos seus sintomas.
O tratamento das cefaleias começa com o diagnóstico adequado para identificar as causas primárias e secundárias. A terapia deve ser planejada de acordo com os seguintes passos:
– Educar e encorajar o paciente;
– Prevenir as crises evitando fatores desencadeantes (alterações hormonais, fatores dietéticos, mudanças ambientais, estímulos sensoriais e estresse);
– Usar tratamentos não farmacológicos como relaxamento, biofeedback, adequação do estilo de vida (ter sono adequado, fazer exercícios físicos e parar de fumar);
– Tratamento na fase aguda: aliviar sintomas e impedir a progressão da dor;
– Terapia preventiva para reduzir frequência, intensidade e duração da dor;
– Usar terapias alternativas quando apropriado (acupuntura, meditação);
– Reavaliar periodicamente e reconsiderar o plano de tratamento.
Prevenção:
A adoção de hábitos saudáveis pode ajudar a prevenir as dores de cabeça:
– Manter uma dieta equilibrada e evitar alimentos que sabidamente provocam cefaleia;
– Evitar excesso de cafeína e álcool;
– Beber bastante água;
– Dormir bem (cerca de oito horas de sono);
– Praticar exercícios físicos regularmente;
– Gerenciar o estresse.
Fontes:
Associação Paulista de Medicina (APM)
Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil)
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein
Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe)
Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM)
Publicado: Thursday, 01 de January de 1970